PSB pernambucano quer adiar escolha de presidente
Morte de Eduardo Campos não causou uma reviravolta apenas no cenário das eleições presidenciais; internamente, o PSB vem passando por uma série de arengas que ficaram explícitas com a decisão do presidente da legenda, Roberto Amaral, de convocar uma reunião para a próxima segunda-feira (29) com o objetivo de definir o comando da sigla; a maior irritação está junto ao PSB pernambucano que, sem Campos, teme perder o espaço que hoje detém na Executiva Nacional
Pernambuco 247 - A morte do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) não causou uma reviravolta apenas no cenário das eleições presidenciais. Internamente, o partido vem passando por uma série de arengas internas que ficaram explicitas com a decisão do presidente da legenda, Roberto Amaral, de convocar uma reunião para a próxima segunda-feira (29) com o objetivo de definir o comando da sigla socialista. A maior irritação está junto ao PSB pernambucano que, após a morte de Campos no dia 13 de agosto, teme perder o espaço que hoje detém na Executiva Nacional.
A queixa maior é pelo fato de que a data marcada para a realização da reunião deverá coincidir com a visita da candidata do partido à Presidência da República, Marina Silva, ao Estado. Como a campanha eleitoral estará em sua reta final, grande parte dos 20 membros pernambucanos da Executiva Nacional não poderiam participar do encontro. A Executiva Nacional é formada por 101 membros e dentre os pernambucanos estão nomes de peso como o vice-presidente nacional Fernando Bezerra Coelho, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, o governador João Lyra e o candidato ao Governo do Estado, Paulo Câmara.
A missão de demover a direção do partido de realizar a reunião na próxima segunda-feira foi delegada ao presidente estadual do partido, Sileno Guedes, que também faz parte da Executiva Nacional. Segundo ele, a realização do encontro na reta final da campanha causa "transtornos ao partido". Para o PSB pernambucano, a reunião deveria ter sido marcada para dezembro, após o término do segundo turno das eleições deste ano. Em dezembro também termina o mandato da Executiva, o que justificaria a convocação para o final do ano.
O fato é que a decisão de Amaral em marcar a reunião para a próxima semana foi vista por uma parte da legenda como uma espécie de manobra para afastar o PSB pernambucano da direção do partido e permanecer no comando do partido. Do total de membros da Executiva socialista, o diretório de São Paulo é o que possui maior representatividade, com 32% das vagas. Outra ala, porém, avalia que Amaral estaria tentando impedir que Marina ganhe força dentro do partido após o resultado nas urnas ser divulgado.
Nos últimos anos, Pernambuco teve uma força quase inigualável dentro do PSB, sendo controlada primeiramente pelo ex-governador Miguel Arraes e em seguida pelo seu neto, o também ex-governador Eduardo Campos. Com o falecimento de Campos em um acidente aéreo em Santos, litoral paulista, este protagonismo perdeu a força.
Desde então, o prefeito do Recife, Geraldo Julio, realizou uma série de movimentações tentando firmar seu nome como um alternativa viável comandar o partido e manter o controle da sigla nas mãos da ala pernambucana. Apesar disso, o nome de Geraldo não é visto como uma unanimidade dentro do diretório estadual. Caso a data da reunião seja mantida, a situação para o PSB local não será fácil de administrar.
