Quais são os pensamentos do ministro do PSB?
Fernando Bezerra Coelho, da Integração Nacional, parece estar cada vez mais próximo de romper em definitivo com o PSB; embora o partido tenha tratado com relativa tranquilidade o posicionamento do ministro, que nesta semana defendeu a reeleição da presidente Dilma e reafirmou que a sigla deve permanecer na base governista, as declarações não foram bem recebidas por todos; para alguns, ele elevou demais o tom; para outros, o PSB é um partido democrático e todos podem externar o que pensam
Leonardo Lucena _PE247 – O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) parece estar cada vez mais próximo de romper em definitivo com a legenda pessebista. Embora integrantes do partido tenham tratado com tranquilidade o posicionamento do ministro, que nesta semana defendeu a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e reafirmou que o partido deve permanecer integrado a base governista, não foram bem recebidas por todos. Para alguns, o ministro elevou demais o tom. Para outros, o PSB é um partido democrático e todos podem externar o que pensam, como fez o ministro no começo desta semana.
Na última segunda-feira (27), em agenda no Estado para a entrega de 40 retroescavadeira e 40 motoniveladoras, o ministro FBC disse que o Governo Federal está procurando “fazer mais, melhor e bem feito” diante da estiagem, que assola a Região Nordeste. No mesmo dia, o pessebista não compareceu ao encontro do PSB no Recife que contou com a presença de todos os vereadores socialistas no Estado, além de deputados estaduais, federais e prefeitos da legenda. A assessoria de FBC alegou que o ministro estava com a agenda apertada.
Um outro indicativo de que as coisas não estariam bem para FBC está no fato de que ele não se encontrou com o governador Eduardo Campos nas últimas duas vezes que visitou Pernambuco, o que chamou a atenção, uma vez que o chefe do Executivo estadual dificilmente deixa de acompanhar os ministros ou qualquer outro integrante do Governo Federal em atos no Estado.
Nos bastidores, comenta-se que a real insatisfação do ministro não é porque o PSB pode lançar candidatura própria e sim por conta da sucessão estadual. A justificativa estaria no fato de que FBC viu as suas chances de disputar o Governo do Estado cada vez mais remotas, principalmente após o vice-governador, João Lyra Neto (PDT), anunciar, no encontro com os vereadores, que vai se desfiliar do seu partido. E o destino, provavelmente, será o PSB. Com isso, Lyra garantiu o passaporte para ser o indicado de Eduardo Campos a sucedê-lo no comando do Executivo estadual.
Em meio à possibilidade de FBC deixar o PSB, aumentaram as especulações de que o ministro poderia ingressar no PT ou, até mesmo, no PMDB. O PSD também seria uma chance mais remota. o ministro nega que deseje deixar a legenda socialista. De qualquer maneira, só as articulações políticas de Campos e a maneira como a população receberá as suas críticas ao Governo Dilma, caso marche rumo ao Palácio do Planalto, vão dizer se a saída de FBC prejudicará a imagem da legenda socialista, abrindo uma brecha para a interpretação de que o partido se encontraria “instável”. Isso somando com o fato de que os governadores do Espírito Santo (Renato Casagrande), do Amapá (Camilo Capibaribe), do Ceará (cid Gomes) e do Piauí (Wilson Martins) já se manifestaram contrários à candidatura de Campos a presidente no próximo ano e sim apenas em 2018.