R$ 167 milhões é a fortuna apreendida de Cachoeira

MPF precisa agora acelerar investigações sobre lavagem de dinheiro para evitar desbloqueio dos bens do contraventor, diz procurador Daniel Rezende à CPMI; no primeiro depoimento do dia, procuradora Léa Batista afirma que quadrilha continua atuando e que silêncio durante as oitivas da comissão é estratégia criminosa

R$ 167 milhões é a fortuna apreendida de Cachoeira
R$ 167 milhões é a fortuna apreendida de Cachoeira (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Goiás247_ Os bens do contraventor Carlos Cachoeira apreendidos pela Operação Monte Carlo somam R$ 167 milhões. A informação é do procurador da República Daniel Rezende Salgado, que participou das investigações da quadrilha junto com a procuradora Léa Batista. Os dois membros do Ministério Público Federal prestaram depoimento hoje à CPI Mista que investiga as relações entre o contraventor com políticos e empresários.

“Os bens somam R$ 167 milhões. São bens que se encontram apreendidos, sequestrados, e que estamos lutando para manter o sequestro”, disse o procurador. A operação foi deflagrada no dia 29 de fevereiro e resultou na prisão de Cachoeira. Ele continua encarcerado no presídio da Papuda, em Brasília.

Salgado revelou, contudo, que já tramitam na Justiça questionamentos em relação aos sequestros dos bens. A única forma de manter o sequestro dos bens, disse Salgado, é o próprio Ministério Público Federal acelerar as investigações com relação à lavagem de dinheiro. Esta é considerada pelos procuradores como uma segunda etapa das investigações.

Silêncio

Já Léa Batista de Oliveira afirmou na CPMI do Cachoeira que a organização criminosa comandada pelo contraventor Carlinhos Cachoeira não foi desarticulada. Segundo ela, isso está claro pela estratégia adotada pelos acusados, de permanecer em silêncio na comissão, e pelas ameaças a autoridades. Ela afirmou também que a parte empresarial do esquema ainda não foi atingida. "Enquanto não conseguirmos sufocar essa organização, em termos financeiros, ela vai continuar atuando, independentemente de o chefe estar preso ou não", disse.

Léa confirma que recebeu dois e-mails ameaçadores, procedentes de Anápolis (GO), que é "reduto" da família de Cachoeira. Além disso, disse que foi surpreendida com uma tentativa de visita a seu prédio às 5h45 da madrugada, por uma mulher, que não teve êxito. Sua equipe de segurança foi abordada por PMs e seu carro foi marcado.

A procuradora lembrou ainda que, no início deste ano, as escutas telefônicas mostraram que integrantes da quadrilha haviam descoberto que estavam sendo investigados. Sabiam o nome da operação da PF e a Vara Federal responsável pelas investigações, por isso foi preciso antecipar a deflagração da operação Monte Carlo. "O juiz responsável pelo caso ficou vulnerável e, por isso, tivemos de deflagar a operação antes da hora", afirmou.

Léa Batista disse que a organização tem atuação como máfia, seja pela forma estruturada de agir ou do código de silêncio pelos membros. "É uma organização criminosa armada, sofisticada, complexa e ousada com código de silêncio orquestrado", afirmou.

(Com informações da Agência Câmara)

Leia mais na reportagem do G1.

Bens de Cachoeira apreendidos somam R$ 167 mi, diz procurador

Objetivo do Ministério Público Federal é manter bens do grupo apreendidos.

Do G1, em Brasília

O procurador da República Daniel Rezende Salgado, que junto com a procuradora Léa Batista, integrou as investigações da Operação Monte Carlo, afirmou nesta terça-feira (21) que os bens do grupo de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, sequestrados pela Justiça Federal, somam cerca de R$ 167 milhões.

Os procuradores prestam depoimento na manhã desta terça aos parlamentares que integram a CPI Mista que investiga as relações entre o contraventor com políticos e empresários. Segundo o procurador, os bens estão apreendidos desde fevereiro, quando foi deflagrada a Operação Monte Carlo. A operação também resultou na prisão do contraventor.

“Os bens somam R$ 167 milhões. São bens que se encontram apreendidos, sequestrados, e que estamos lutando para manter o sequestro”, disse o procurador.

De acordo com Salgado, já há questionamentos na Justiça em relação ao sequestro dos bens. Segundo ele, a única forma de o material que pertencia à quadrilha ser mantido sob a guarda da Justiça é o próprio Ministério Público Federal acelerar as investigações com relação à lavagem de dinheiro. Esta é considerada pelos procuradores como uma segunda etapa das investigações.

“Precisamos desenvolver de forma mais célere as investigações para que o patrimônimo possa ser mantido apreendido. Temos de ver se conseguimos agilizar, especialmente na parte da lavagem de dinheiro, e ver se conseguimos manter o sequestro dos bens”, disse.

Caminho do dinheiro

Questionado pelo relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), o procurador explicou o caminho que era feito pelo dinheiro obtido com jogos ilegais pela quadrilha de Cachoeira para o suborno de policiais. Parte das investigações, segundo o procurador, foi prejudicada devido ao vazamento das investigações.

"Recebiam, na exploração de caça níqueis, determinados valores em cheque e encaminhavam para factorings. Essa factoring era responsável por ficar com 6% do valor do cheque e encaminhar (o restante) para a conta dos membros da organização criminosa e esse valor era refinanciado na empresa criminosa. Esse valor era reutilizado para cooptação dos agentes do estado. Eles falavam pejorativamente em 'assistência'.”, disse o procurador.

A exploração de jogos em algumas cidades de Goiás era "cartelizada" pelo grupo, segundo o procurador. De acordo com ele, o grupo cobraria de outros grupos pela atividade. "Eles monopolizaram um determinado mercado ilícito através de cooptação de policiais em Valparaíso, Luziânia, Anápolis (GO). Por meio disso, havia um pagamento de um percentual do que era arrecadado para a cúpula da organização."

Exterior

O procurador também falou sobre a expansão dos negócios do contraventor, especialmente com a compra de sites no exterior.

“Houve a sinalização de que haveria a compra de um determinado site, que estaria hospedado no exterior, exatamente para que se evitasse a atuação dos órgãos de persecução penal”, disse o procurador.

Segundo Daniel Salgado, foi criada uma empresa no Uruguai, que era administrada por Lenine Araújo, um dos réus do processo da Monte Carlo, tido como um dos principais auxiliares de Cachoeira. “Foi criada uma empresa no Uruguai, que era administrada pelo senhor Lenine Araújo, um dos braços da organização criminosa. O pagamento das empresas que se encontravam no exterior foram feitas a partir de uma agência de turismo”, disse o procurador.

Delta

Questionado pelo relator da CPI sobre a atuação da construtora Delta no esquema de jogos ilegais de Carlos Cachoeira, o procurador disse que não foi possível desenvolver “investigações na parte empresarial”. Segundo a polícia Federal, a Delta é suspeita de ter recebido dinheiro de empresas fantasmas ligadas ao esquema do contraventor. O deputado Odair Cunha questionou se a Delta era responsável pela lavagem de dinheiro do esquema.

“Não posso chegar e colocar para os senhores esta percepção [lavagem de dinheiro]. Mas havia contato [da empresa com o esquema]. O senhor Carlos Augusto chegava a receber pessoas na sede da Delta, mas isto numa percepção muito inicial. Não conseguimos fazer nenhuma investigação na parte empresarial”. 

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