Racista do ano monta palanque para Bolsonaro no RS

Eleito em 2014 “racista do ano” por uma revista, a pré-candidatura do deputado federal Luis Carlos Heinze ao governo do Rio Grande do Sul garante palanque para o presidenciável Jair Bolsonaro; Heinze exerce pela quinta vez o mandato parlamentar, é da bancada ruralista, defende mudanças no Código Florestal e liberação de transgênicos

Eleito em 2014 “racista do ano” por uma revista, a pré-candidatura do deputado federal Luis Carlos Heinze ao governo do Rio Grande do Sul garante palanque para o presidenciável Jair Bolsonaro; Heinze exerce pela quinta vez o mandato parlamentar, é da bancada ruralista, defende mudanças no Código Florestal e liberação de transgênicos
Eleito em 2014 “racista do ano” por uma revista, a pré-candidatura do deputado federal Luis Carlos Heinze ao governo do Rio Grande do Sul garante palanque para o presidenciável Jair Bolsonaro; Heinze exerce pela quinta vez o mandato parlamentar, é da bancada ruralista, defende mudanças no Código Florestal e liberação de transgênicos (Foto: Voney Malta)

Giovana Fleck/Sul 21 - Em evento realizado nesta quinta-feira (14), que oficializou a aliança entre PP, PSL, DEM e PROS, o pré-candidato das siglas ao governo do Rio Grande do Sul, Luis Carlos Heinze, apresentou suas propostas iniciais, em torno da frase “o Rio Grande tem jeito”. “Eu sou de trabalhar, não sou de reclamar”, disse em vídeo apresentado que remontava sua trajetória política.

Integrante da chamada bancada ruralista, Heinze está em seu quinto mandato como deputado federal. Entre suas propostas estão mudanças no Código Florestal, além da liberação de transgênicos e alterações nas taxas de juros para o crédito rural.

O evento também serviu para firmar a candidatura para reeleição da senadora Ana Amélia Lemos (PP). Ausente por integrar a Comissão de Relações Exteriores do Senado, que se reuniu na manhã desta quinta-feira, e ter outros compromisso já agendados “que são de interesse do nosso Rio Grande”, Ana Amélia pediu desculpas em vídeo enviado para a ocasião, e reforçou seu apoio a Heinze e a força que a candidatura ganha com a aliança entre os quatro partidos.

No entanto, o protagonismo do evento foi dividido entre o próprio Heinze e o pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL). Minutos antes do início das falas, apoiadores do deputado carioca ocuparam a sala vestindo camisetas com sua imagem. “Mito!”, gritavam, ao reconhecer falas que os representavam na mesa, como “Bandido bom é bandido morto”, dita pelo deputado Onyx Lorenzoni (DEM).

Propostas de governo

No início de sua fala, Heinze explicitou que o grande objetivo de seu governo será apostar em estratégias pontuais para um Brasil diferente, que julga estar desiludido. “Unir trabalhadores e empresários é uma das tarefas do candidato que iremos apoiar. […] Nesse instante, nosso partido só sabe quem não vai apoiar, que é o PT e seus puxadinhos.”

“Esse partido que nos governou por 13 anos. Que nos dividia, entre negros, brancos, pobres, ricos, gordos, magros… Sei lá”, criticou em seu discurso. O próprio Heinze, no entanto, é conhecido por promover esse tipo de divisão. Em 2014, foi eleito "racista do ano" pela revsita Survival por afirmar, em um pronunciamento, que: “O Gilberto Carvalho também é ministro da presidenta Dilma. É ali [na Secretaria-Geral] que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas. Tudo o que não presta ali está aninhado. E eles têm a direção e o comando do governo”. No ano seguinte, foi absolvido dos processos envolvendo a declaração.

Heize seguiu sua fala defendendo um posicionamento aguardado pelos ouvintes. Garantiu espaço em sua campanha para o candidato à presidência pelo PSL, Jair Messias Bolsonaro. “Seguramente, no nosso partido, o palanque para Jair Bolsonaro está garantido. Está garantido o palanque de Jair Messias Bolsonaro, meu colega deputado federal e meu amigo pessoal.”

Porém, ele também disse que o partido está trabalhando com a possibilidade de outras coligações, por isso pediu “um tempo” para que se discutisse internamente seu apoio definitivo à presidência.

Sobre suas propostas para o Rio Grande do Sul, Heinze se baseia na defesa de reajustes na carga tributária e no Estado mínimo, a partir de plebiscitos que poderão decidir o futuro das empresas estatais. “Desmancharemos o cipoal que é a legislação do ICMS”, disse. Como exemplo, citou uma conversa com um dono de uma fábrica de armas. “Ele me disse que aqui paga 25% de ICMS e estão o chamando para ir para Goiás por 3%. Tem gente saindo do Rio Grande do Sul. Que futuro vamos deixar para os nossos filhos, para os nossos netos? Isso não pode acontecer.”

Heinze também firmou um compromisso com os servidores gaúchos, especialmente da área da educação. “Garantir a qualidade da educação para professores e alunos será nosso compromisso. Nos comprometemos a pagar os salários em dia”, disse. “Reajuste é outra história”, emendou.

O pré-candidato reforçou a defesa de mudanças para a área da segurança pública. “É algo fundamental para construirmos um RS diferente. Com tranquilidade para as nossas famílias.” Além disso, Heinze defendeu uma nova forma de articular o desenvolvimento energético, o qual acredita poder ter a capacidade ampliada através da construção de hidrelétricas e parques eólicos. Porém, segundo ele, isso é dificultado pela legislação ambiental. “Facilitaremos esse processo respeitando o meio ambiente. […] Vamos mostrar como se gasta.”

Sobre seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto, Heinze acredita que isso não definirá sua campanha. Segundo apuração realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas, divulgada na terça-feira (12), ele aparece com 6% de intenções de voto contra mais de 39% de rejeição – posicionado em 5º lugar em relação aos outros pré-candidatos. “Não interessa de onde eu arranque, interessa aonde eu chegarei”, finalizou.

 

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