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Receita Federal apreende 4 mil vapes por dia no Brasil, aponta FNCP

Mercado ilegal de cigarros eletrônicos cresce no país, impulsiona crime organizado e amplia consumo entre adolescentes, segundo dados recentes

Receita Federal apreende 4 mil vapes por dia no Brasil, aponta FNCP (Foto: Divulgação/Receita Federal)

247 - O avanço do mercado clandestino de cigarros eletrônicos no Brasil tem acendido um alerta entre autoridades e especialistas em segurança pública. Mesmo proibidos, os chamados “vapes” seguem sendo comercializados com facilidade em centros urbanos, redes sociais e plataformas digitais, evidenciando os limites da fiscalização diante da expansão do comércio ilegal.

Dados divulgados pela Receita Federal e repercutidos pelo Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) mostram a dimensão do problema. Apenas entre janeiro e fevereiro de 2026, foram apreendidas 238.801 unidades de cigarros eletrônicos — o equivalente a cerca de 4 mil dispositivos por dia. Em 2025, o total de apreensões chegou a 3 milhões de unidades, indicando o crescimento contínuo desse mercado paralelo.

Para o presidente do FNCP, Edson Vismona, o cenário reflete uma mudança estrutural preocupante. “O que estamos vendo é a consolidação de um mercado ilegal que cresce à margem do Estado e alimenta diretamente o crime organizado. A simples proibição do comércio legal desses dispositivos não impediu o acesso ao produto – apenas transferiu esse mercado para as mãos de redes criminosas. E, pior: com a oferta de produtos completamente desconhecidos e sem qualquer controle sanitário ou procedência conhecida”, afirma.

Segundo Vismona, o contrabando de cigarros eletrônicos opera com alto nível de organização e se beneficia de múltiplos canais de distribuição, incluindo a internet e sistemas formais de entrega. “Estamos diante de um contrabando altamente organizado, que se aproveita de diversos canais para vender, inclusive da internet. E, em muitos casos, da estrutura oficial de entregas para distribuir. Isso amplia o poder de atuação dos criminosos e dificulta o trabalho de combate por parte das autoridades”, destaca.

O problema ganha ainda mais relevância diante do aumento do consumo entre jovens. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) 2024, divulgada pelo IBGE, apontam que a experimentação de cigarros eletrônicos entre adolescentes saltou de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024 — um crescimento de 13 pontos percentuais em cinco anos.

Para especialistas, a combinação entre proibição, alta demanda e ausência de regulamentação efetiva criou um ambiente favorável à expansão do mercado ilegal. Nesse contexto, Vismona reforça a preocupação com o público mais vulnerável: “É especialmente alarmante ver que um mercado 100% ilegal agora avança justamente sobre um público que não deveria ter qualquer acesso a esse tipo de produto. O crime organizado não tem compromisso com regras, com idade mínima ou com proteção ao consumidor. Quando não há controle eficaz, quem ocupa esse espaço é o ilegal”.

Diante do cenário, o FNCP defende a necessidade de uma revisão das políticas públicas relacionadas aos cigarros eletrônicos, além do fortalecimento das estratégias de combate ao comércio ilegal. A entidade alerta que, sem medidas mais abrangentes, o Brasil pode assistir à consolidação definitiva de um mercado clandestino cada vez mais estruturado, acessível e lucrativo para organizações criminosas.