Recife possui um dos piores trânsitos do País
O Recife (PE) está na terceira posição no ranking das dez capitais brasileiras onde o cidadão gasta mais tempo para ir de casa ao trabalho. De acordo com dados coletados entre 1992 e 2009 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o recifense faz o percurso em 34,9 minutos, em média; em primeiro lugar está São Paulo (SP), com 42,8 minutos, e em segundo, o Rio de Janeiro (RJ), onde se gasta 42,6 minutos
Leonardo Lucena_PE247 – O Recife (PE) está na terceira posição no ranking das dez capitais brasileiras onde o cidadão gasta mais tempo para ir de casa ao trabalho. De acordo com dados coletados entre 1992 e 2009 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o recifense faz o percurso em 34,9 minutos, em média. Em primeiro lugar está São Paulo (SP), com 42,8 minutos, e em segundo, o Rio de Janeiro (RJ), onde se gasta 42,6 minutos.
A amarga terceira colocação deixa a capital pernambucana na frente de outras grandes metrópoles mundiais em que os moradores gastam mais tempo para se deslocar de onde moram com destino ao local de trabalho. Em Nova Iorque (Estados Unidos), por exemplo, o tempo desse trajeto é de 34,6 minutos, na cidade de Tóquio (Japão), o percurso é feito em 34,5 minutos, e em Paris (França), o percurso é de 33,7 minutos.
Segundo o doutor em Planejamento e Transporte Urbano da Universidade de Renânia do Norte-Vestfália (ALE), Oswaldo Lima Neto, o Recife precisa de um modelo de crescimento favorável ao uso de automóveis. “Não se pode fazer planejamento ao longo da ação, tem fazer antes, durante e depois da ação”, declara.
Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE) apontam que o número de carros em circulação no Recife ultrapassa os 384 mil e o de motos chega a 117 mil unidades. Assim como em outras capitais, como São Paulo, a Prefeitura do Recife (PCR) estuda implantar um sistema de rodízio em horários de pico – 6h30 às 8h30 e das 17h30 às 19h.
“Também podemos limitar o número de vagas em estacionamentos públicos, aumentando o preço, e fazer pedágio urbano”, afirma Lima Neto, do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
No caso da Região Metropolitana do Recife (RMR), as estatísticas do Detran dão conta de que, há quatro anos, a frota de veículos passou de 846 mil para 1,1 milhão em 2013. E, enquanto que na Capital o tempo gasto para ir de casa ao trabalho é de 34,9 minutos, o levantamento do Ipea aponta que 12% dos usuários de carros da RMR gastam mais de uma hora para percorrer esse trajeto.
O especialista ressalta, ainda, que o Recife necessita de Integrações Intermodais para fazer com que o cidadão estacione o seu carro ou a sua bicicleta nas estações de metrô. “Isso dá mais segurança ao usuário”, diz.
Para o estudioso, o alargamento de viadutos, ruas e avenidas não é uma solução viável para a melhoria da mobilidade urbana. “Tem um ditado que diz: quem cria via, colhe congestionamento”, observa. “Temos que dar prioridade ao transporte público e, em relação às bicicletas, fazer uma rede cicloviária para interligar os bairros. Não precisa ser, necessariamente, uma ciclovia, pode ser ciclofaixas”, acrescenta Lima Neto.
Completam o rankings da dez capitais com maiores tempos gastos para ir de casa ao trabalho o Distrito Federal, em quarto lugar com 34,8 minutos, em quinto, Belo Horizonte (34,4), seguida de Salvador (33,9), Curitiba, em sétimo (32,1), Fortaleza (31,7), Belém (31,5) e Porto Alegre (27,7).