Redução de rendimento da poupança é bem vista

Segundo os economistas da Ceplan e da UFPE, Jorge Jatob e Tiago Cavalcanti, respectivamente, a medida estimula a compra de ttulos pblicos, trazendo mais investimentos a longo prazo

Redução de rendimento da poupança é bem vista
Redução de rendimento da poupança é bem vista (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Leonardo Lucena _PE247 - A medida anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na última quinta-feira (3), de reduzir o rendimento da poupança está sendo bem vista por parte dos especialistas. De acordo com a regra atual, o rendimento na caderneta de poupança será 70% da taxa básica de juros (Selic) quando a mesma atingir um percentual igual ou inferior 8,5%.

Para o economista da Ceplan Consultoria Econômica e Planejamento, Jorge Jatobá, esta medida é para preservar o Estado brasileiro, já que fica difícil manter a economia aquecida com alta carga de juros. “Com base na Selic e na redução dos juros bancários, o governo adota uma política monetária de ‘relaxamento’, o que é bom para a nossa economia”, comenta. No entanto, o especialista alerta sobre a possibilidade dos juros caírem demais: “se a taxa de juros baixar muito, as pessoas vão tirar mais dinheiro da renda fixa e, consequentemente, diminuirá a compra de títulos públicos”, esclarece.

Questionado sobre a possibilidade de aumento da inflação com a redução da taxa de juros, causando prejuízos ao consumidor, Jatobá acha isso que essa possibilidade é relativa, uma vez que depende de como o governo atua na gestão da política fiscal. “Isso pode ocorrer, mas não necessariamente. Agora, caso a economia perca a capacidade de produzir, pode ser que gere alta inflacionária”, diz.

Já o professor titular do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Tiago Cavalcanti, enxerga esta medida como algo inevitável e parte da política macroeconômica do país. “Se não houvesse redução no rendimento da poupança, ninguém compraria títulos públicos, cuja finalidade é o pagamento da dívida pública e a realização de investimentos, como por exemplo, na infraestrutura”, afirma.

Os pequenos investidores tendem a ser mais prejudicados, por conta da redução do rendimento na poupança. No entanto, segundo Cavalcanti, as possíveis perdas se darão a curto prazo, porém não num longo espaço de tempo. “Com a diminuição na taxa básica de juros, a tendência é que suba a demanda do país e, por conseguinte, o preço das mercadorias. Contudo, a longo prazo, com o aumento dos investimentos provocados pela redução dos juros, a inflação voltará a ficar sob controle”, explica.

 

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