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Rita Oliveira: com medidas impopulares, João será candidato em 2014?

Jornalista faz balanço de 10 meses da atual gestão municipal pela lente das questões financeiras: aponta o aumento da passagem de ônibus, questiona a não-aprovação da tarifa mais barata aos domingos e critica a criação do imposto de iluminação pública; "ou João está confiante na sua popularidade ao ponto de não temer adotar medidas que prejudiquem a população ou não será candidato a governador em 2014", afirma

Jornalista faz balanço de 10 meses da atual gestão municipal pela lente das questões financeiras: aponta o aumento da passagem de ônibus, questiona a não-aprovação da tarifa mais barata aos domingos e critica a criação do imposto de iluminação pública; "ou João está confiante na sua popularidade ao ponto de não temer adotar medidas que prejudiquem a população ou não será candidato a governador em 2014", afirma (Foto: Valter Lima)

247 - A jornalista Rita Oliveira, colunista do Jornal do Dia, faz, afirma que em dez meses como prefeito de Aracaju, João Alves Filho tomou três medidas impopulares por mexer diretamente com o bolso da população mais pobre.  

Medidas impopulares

Nessa sexta-feira João Alves Filho (DEM) completa 10 meses de governo como prefeito de Aracaju. Nesse período, ele adotou pelo menos três medidas impopulares por mexer diretamente com o bolso da população mais carente.

Primeiro João Alves concedeu aumento de R$ 0,20 na tarifa de ônibus, que passou de R$ 2,25 para R$ 2,45 em maio. Para que o desgaste fosse menor, pediu que a Câmara Municipal de Aracaju apresentasse o projeto e aprovasse, já que tem maioria esmagadora na Casa. Coube a ele sancionar a lei.

Inconformados com o aumento que consideraram abusivo, jovens e estudantes foram às ruas com o "Movimento Não Pago" protestar contra o reajuste da tarifa. Aracaju viu pelo menos três grandes manifestações, inclusive com depredações ao patrimônio público e privado, que foram até a sede da prefeitura municipal.

Além dos manifestantes, João Alves viu a juíza Simone de Oliveira Fraga revogar o aumento da tarifa do transporte público em Aracaju após ação popular impetrada por integrantes do Movimento Não Pago. Com isso, a tarifa voltou a R$ 2,25.
Em junho o prefeito estabeleceu que a passagem de ônibus seria de R$ 2,35. Não foi muito bem aceito pela população, principalmente porque o seu antecessor Edvaldo Nogueira (PCdoB) tinha congelado a tarifa em 2012 numa demonstração de que se o município conceder alguns incentivos pode manter o valor da passagem.

Depois, em setembro, a Câmara Municipal aprovou o Projeto de Lei 141/2013, de autoria do vereador Anderson de Tuca (PRTB), determinando a redução do valor da tarifa do transporte coletivo aos domingos para R$ 1,00. O PL foi aprovado por unanimidade pelo Plenário da Casa Legislativa, mas João Alves vetou alegando inconstitucionalidade. Em Salvador, o seu correligionário de partido, o prefeito ACM Neto (DEM), estabeleceu tarifa zero aos domingos.

Agora, para surpresa de muitos, João Alves manda para a Câmara e consegue aprovar em 24 horas, o Projeto de Lei nº 233/2013 que institui a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COCIP) no âmbito do município. É mais um imposto que o povo aracajuano passará a pagar e que vai afetar o seu orçamento no final do mês.

A justificativa para a criação do referido imposto, que é nada mais nada menos que o resgate da taxa de iluminação pública, é a pior possível. Visa cobrir um déficit de R$ 5 milhões que o ex-prefeito deixou de pagar de taxa pública. E é o povo quem tem de pagar essa conta?

Trocando em miúdos, João Alves mandou projetos para a Câmara de Vereadores criando cerca de 400 cargos comissionados, aumentou salário de auxiliares e comissionados, criou novo imposto com a COCIP, permitiu aumento das passagens de ônibus urbano e vetou tarifa de R$ 1,00 aos domingos. Nada fez para cortar gorduras.

Ou ele está confiante na sua popularidade ao ponto de não temer adotar medidas que prejudiquem a população ou não será candidato a governador em 2014...