Roraima: jovem de 17 anos e filho de cozinheira é aprovado em Cambridge, 6ª melhor universidade do mundo

O estudante Mateus do Carmo Braga, de 17 anos, filho de uma cozinheira desempregada, conseguiu ser aprovado em uma bolsa de estudos na Universidade de Cambridge, no Reino Unido

Mateus
Mateus (Foto: Reprodução)
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247 - O estudante Mateus do Carmo Braga, de 17 anos, filho de uma cozinheira desempregada, conseguiu ser aprovado em uma bolsa de estudos na Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Ela é considerada a 6ª melhor universidade do mundo segundo a Times Higher Education.

Ele quer se formar fora e voltar para o Brasil para ajudar o estado de Roraima:

"A situação no Brasil e no estado de 'fuga de cérebros' prejudica em muito nossa qualidade. São pouquíssimos profissionais grandes que têm interesse de se manter aqui por ser um estado menor. Mas eu tenho uma dívida com minha terra natal, eu só consegui essas oportunidades pelas pessoas daqui que acreditaram em mim. Tenho que retornar e fazer o mesmo com meus futuros alunos daqui", falou.

Mateus nasceu em Nova Brasilândia do Oeste (RO). Em 2017, ele foi aprovado no processo seletivo do Instituto Federal de Rondônia (Ifro) de Porto Velho para cursar o ensino médio.

Mateus já tinha a vontade de se tornar professor de matemática por uma universidade renomada fora do estado e retornar para contribuir com a qualidade do ensino nas escolas da rede pública de Rondônia.

Ele já recebeu uma medalha em ciências em um concurso feito no estado do Pará, medalhas de bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e na Olimpíada Canguru de matemática. Além disso ficou entre os três finalistas na etapa nacional do programa de simulação Internationali Negotia da Organização das Nações Unidas (ONU).

"A minha mãe era cozinheira, agora ela se encontra desempregada, mas mesmo antes a gente nunca teve uma renda que sobrasse pra fazer alguns 'luxos'. Então, uma das coisas que eu aprendi sozinho foi inglês. Eu estudo desde criança por conta própria. E esse inglês que eu aprendi, foi o inglês que eu usei na redação para submeter ao concurso", contou.

Ele foi aprovado em uma bolsa com um desconto de 50% para o curso de verão de matemática pelo Immerse College Essay Competition. Segundo ele, menos de 7% dos alunos que participaram do processo seletivo receberam alguma tipo de bolsa.

Ele precisa pagar o valor restante do curso e está fazendo uma "vaquinha" na internet para conseguir custear os estudos.

"É pra conseguir ir e levar o nome do nosso estado. Realmente é, porque eu fui nascido e criado aqui a vida inteira e a única vez que eu saí daqui foi numa viagem pro Pará pela Seduc para representar o estado, e agora novamente eu sairei ano que vem pra representar o estado no Reino Unido", contou.

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