RS: protesto por passe livre termina em confronto

Manifestantes e PMs militares entraram em confronto ontem à noite em frente à prefeitura de Porto Alegre. Ato cobrava proposta redigida pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público, parada no gabinete do prefeito José Fortunati (PDT). Uma pessoa foi detida 

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Samir Oliveira, Sul 21 - Cerca de 100 pessoas protestaram na noite desta quarta-feira (14) em frente à prefeitura de Porto Alegre para cobrar do governo municipal o encaminhamento do projeto que institui o passe livre na cidade. Redigida pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público, a proposta está parada no gabinete do prefeito José Fortunati (PDT).

Sob um frio de nove graus, a manifestação desta quarta-feira reuniu poucas pessoas e contou com um rápido porém intenso confronto com as forças policiais. Às 19h20min, o grupo se dirigiu para a parte de trás da prefeitura, na Avenida Siqueira Campos. Esta parte do prédio possui apenas duas pequenas portas, que, diferentemente da entrada principal, não estavam isoladas por um cordão.

Uma das portas estava fechada e a outra era guarnecida por poucos guardas municipais. Quando os manifestantes se aproximaram, os agentes recuaram e fecharam a entrada. Neste momento, algumas pessoas tentaram forçar a porta, investindo com chutes e arremessando objetos. O Batalhão de Choque já estava dentro da prefeitura – tendo ingressado no início do ato, pela porta da frente, sob vaias dos militantes.

Enquanto isso, alguns policiais da Brigada Militar chegaram para tentar dispersar o grupo. Num primeiro momento, um soldado agarrou um manifestante que estava próximo da porta com uma gravata. Com isso, o restante do grupo, que se afastava, retornou e teve início um confronto com o policial – que chegou a ser derrubado, mas manteve o tempo inteiro uma mão segurando o manifestante e a outra, o coldre da arma.

Em pouco tempo, outros policiais chegaram e pelo menos duas bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas. Com a dispersão, os manifestantes se reagruparam no Largo Glênio Peres e a Brigada Militar cerrou fileiras na Praça Montevidéu, em frente à prefeitura.

Por alguns minutos, o clima de tensão tomou conta do Centro de Porto Alegre, relembrando os confrontos que ocorriam no início de junho. Assustadas com o barulho das bombas que tinham sido jogadas, as pessoas tentavam entender o que estava acontecendo.

A banca de revistas do Largo Glênio Peres chegou a baixar a grade metálica. A medida não durou nem dez minutos, já que os ânimos arrefeceram e parte do efetivo policial deixou a Avenida Borges de Medeiros.

Os manifestantes realizaram, então, uma pequena assembleia para deliberar os próximos passos. O pequeno grupo decidiu marchar até a Delegacia Estadual da Criança e do Adolescente (DECA), na sede do Ministério Público, para exigir a libertação do menor detido no protesto. “É mais uma brutalidade cometida pela polícia comandada pelo governo do estado”, qualificou Lorena Castillo, militante da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) e integrante do Bloco de Luta.

Durante a rápida assembleia, os manifestantes orientaram o grupo a não entrar em confronto com as forças policiais. “Qualquer arma individual pode colocar todo o coletivo em risco”, alertou um ativista.

Até o fechamento desta reportagem, o menor continuava detido. De acordo com o advogado que acompanha o caso, a acusação contra o adolescente é de dano ao patrimônio. Ele teria quebrado uma vidraça da parte de trás da prefeitura.

Enquanto ele permanecia no DECA, alguns manifestantes do Bloco de Luta aguardavam do lado de fora. O advogado acredita que o menor será liberado ainda nesta noite.

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