"RS vive processo de desconstrução da política"
É o que afirma o secretário geral do governo do Rio Grande do Sul, Vinicius Wu; o dirigente lembra que os dois principais oponentes do PT nas candidaturas para o Executivo estadual e para o Senado – a senadora Ana Amélia (PP) e Lasier Martins (PDT) - são ex-jornalistas do principal grupo de comunicação do estado; "Dois personagens forjados no ambiente da desconstituição da política e da deslegitimação dos partidos, habituados a tecerem críticas diárias à ação do Estado, muitas vezes, influenciadas por contratos de publicidade", dispara
Rio Grande do Sul 247 – O secretário geral do governo do Rio Grande do Sul, Vinicius Wu, afirmou, em artigo, que a eleição no estado vive um processo de negação da política influenciado pelos meios de comunicação. O dirigente lembra que os dois principais oponentes do PT nas candidaturas para o Executivo estadual e para o Senado – a senadora Ana Amélia (PP) e Lasier Martins (PDT) - são ex-jornalistas do principal grupo de comunicação do estado.
"Dois personagens forjados no ambiente da desconstituição da política e da deslegitimação dos partidos, habituados a tecerem críticas diárias à ação do Estado, muitas vezes, influenciadas por contratos de publicidade. É uma disputa singular e explícita da política contra a negação da política. O resultado desse embate tem muito a dizer sobre o futuro da democracia no Brasil", disse.
De acordo com o dirigente, a reeleição do governador Tarso Genro e de Olívio Dutra para o Senado (ambos do PT), "pode contribuir, sobremaneira, para que a esquerda avance sobre um conjunto de temas decisivos para o aprofundamento do processo democrático no Brasil, tais como a reforma política, a democratização dos meios de comunicação e o restabelecimento do dialogo permanente com os movimentos sociais".
Leia, abaixo, o artigo do secretário:
As eleições no Rio Grande do Sul podem ser percebidas como uma dramática síntese da politica brasileira dos últimos anos. Os dois principais oponentes do PT na disputa ao Governo e ao Senado são ex-jornalistas do principal grupo de comunicação do estado. Dois personagens forjados no ambiente da desconstituição da política e da deslegitimação dos partidos, habituados a tecerem críticas diárias à ação do Estado, muitas vezes, influenciadas por contratos de publicidade. É uma disputa singular e explícita da política contra a negação da política. O resultado desse embate tem muito a dizer sobre o futuro da democracia no Brasil.
O atual governo gaúcho sofreu, ao longo dos últimos três anos e meio, um verdadeiro bloqueio informativo, que buscou minimizar – ou mesmo omitir – resultados obtidos pelas políticas públicas desenvolvidas no estado. E, por diversas vezes, os veículos de comunicação que compõem o grupo de onde emergiram os candidatos Ana Amélia Lemos e Lasier Martins foram muito além da omissão, desencadeando uma verdadeira guerra ideológica no combate a iniciativas como a retomada do controle público das rodovias gaúchas, realizada pelo Governo Tarso Genro. Ao mesmo tempo, através de seus jornais, rádios e TVs, agudizaram um tipo de abordagem jornalística que incentiva a criminalização da política, a exemplo do que ocorre no plano nacional.
Mas, apesar de todo o bloqueio e das adversidades enfrentadas pela atual administração – em grande medida, herdadas do governo anterior, que contou com o apoio do mesmo grupo de comunicação – o Governo Tarso Genro logrou alcançar resultados importantes, que justificam seus atuais índices de aprovação.
Em seus três anos e nove meses de gestão, a renda média das famílias do Rio Grande do Sul avançou, segundo o Pnad (IBGE), e o estado registra o menor índice de desemprego dos últimos doze anos. Pela primeira vez no Brasil, um estado da Federação consegue aplicar 12% de sua receita líquida na área da Saúde. Na Educação, segundo o Ideb, que mede a performance do ensino público, o Rio Grande do Sul saltou da 10ª colocação no ranking da educação básica, em 2010, para o 2º lugar em 2014.
O Governo Tarso criou o maior programa de microcrédito do país, que já concedeu mais de R$ 430 milhões em financiamentos e implementou – em parceria com o governo federal – o maior programa de formação profissional da história do estado. A economia gaúcha apresenta números superiores ao restante do país, tendo registrado um crescimento de 6,3% em 2013. Desde 2011, já foram captados mais de R$ 50 bilhões em investimentos privados, contribuindo para o aquecimento do emprego e da renda no estado.
Tarso tem seu desempenho como governador aprovado por 50% da população gaúcha, segundo o Instituto Ibope; seu governo é considerado bom e/ou ótimo por 33% dos eleitores, 23% consideram o governo ruim e/ou péssimo, índices muito próximos aos registrados pela Presidenta Dilma Rousseff em todo o país.
A última semana de campanha no Rio Grande do Sul começa em meio a uma importante alteração no quadro eleitoral, registrado pelas sondagens mais recentes dos Institutos de pesquisa. Os dois principais candidatos ao governo encontram-se empatados, com 31% das intenções de voto, segundo o Instituto Datafolha. Os últimos dias, portanto, definirão qual será o ambiente politico para uma eventual disputa em segundo turno.
A campanha petista – a única a defender o projeto nacional representado pela Presidenta Dilma – tem crescido nas últimas semanas, após Tarso licenciar-se do cargo de Governador. O aumento da ênfase na apresentação dos resultados obtidos pela parceria entre os governos federal e estadual tem sido um importante vetor do crescimento de Tarso e será acentuado em um eventual segundo turno, já que sua principal adversária sinaliza apoio a Marina Silva, caso a candidata do PSB dispute com Dilma o segundo turno.
Tarso, Olívio e o PT no Rio Grande do Sul estão diante de uma disputa difícil, complexa e cujo significado vai além da mera disputa pelo Governo local e pela representação do estado no Senado Federal.
A vitória de Ana Amélia e Lasier seria uma vitória da aversão à política, da manipulação da informação e do descrédito das instituições democráticas e republicanas. Por outro lado, o êxito eleitoral de Tarso e Olívio pode contribuir, sobremaneira, para que a esquerda avance sobre um conjunto de temas decisivos para o aprofundamento do processo democrático no Brasil, tais como a reforma política, a democratização dos meios de comunicação e o restabelecimento do dialogo permanente com os movimentos sociais. E, ao que tudo indica, teremos uma acirrada disputa até o último minuto de votação.
(*) Historiador, Secretário Geral do Governo do Rio Grande do Sul
