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Rui sobre 2016: "O PT não tem exclusividade"

Governador Rui Costa nega que a Prefeitura de Salvador seja prioridade para o PT nas eleições de 2016; "Não sei se Salvador é uma meta do PT, mas não acho que o PT tenha exclusividade para colocar candidaturas para prefeitos, muito menos em Salvador. Acho que temos que encarar com naturalidade que nossos parceiros coloquem candidaturas. Quem sabe o PT não pode apoiar um desses nomes?"; Rui fala da pauta da primeira reunião que terá com a presidente Dilma Rousseff e reafirma que terá relação profissional com ACM Neto

Rui Costa, governador da Bahia, � entrevistado por Patr�cia Fran�a do jornal A Tarde. Fotos Mateus Pereira/GOVBA (Foto: Romulo Faro)

Bahia 247 - Recém-empossado governador da Bahia, Rui Costa nega que a Prefeitura de Salvador seja prioridade para o PT nas eleições de 2016. Em entrevista ao jornal A Tarde, ele defende que seu partido 'aceite' dialogar com os partidos aliados sobre suas possíveis candidaturas.

"Não sei se Salvador é uma meta do PT, aí quem pode falar melhor é o presidente do partido. Mas, não acho que o PT tenha exclusividade para colocar candidaturas para prefeitos, muito menos em Salvador. Acho que temos que encarar com naturalidade que nossos parceiros políticos coloquem candidaturas. Quem sabe o PT não pode apoiar um desses nomes que podem aparecer?", questiona o governador.

Um dos maiores pretensos a lançar candidato a prefeito de Salvador é o PSD do ex-vice-governador e senador eleito, Otto Alencar.

Rui deixou claro mais uma vez que não concorda com o apetite voraz do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), que está no quarto mandato consecutivo e quer se reeleger para o quinto. "Quem decide é a Assembleia, mas já manifestei publicamente que o revezamento é sempre uma boa medida para o parlamento, que é uma casa de iguais"

Sobre a relação com o prefeito de Salvador, ACM Neto, do DEM, o petista voltou a afirmar que buscará profissionalismo e parcerias que seja  importantes para a cidade.

Ainda na entrevista, o governador traça suas prioridades, fala de restruturação que pretende fazer no quadro de soldados da Polícia Militar e de sua pauta para primeira reunião que terá com a presidente Dilma Rousseff. Abaixo os principais trechos e aqui a íntegra da entrevista.

Qual a sensação de estar sentado na cadeira que foi ocupada por oito ano pelo seu padrinho político, o ex-governador Jaques Wagner?

Olha, eu diria que a sensação maior não foi o dia de hoje. Eu diria que tiveram dois momentos neste período todo. Um, foi no dia do resultado da eleição (5 de outubro). O outro, ontem (dia 1º), na posse. Começou quando eu estava escrevendo o discurso, as lágrimas vieram, é como filme que vem em alta velocidade, a história da nossa vida, particularmente a minha, sem nenhuma patrimônio. Eu sempre estava do outro lado da mesa despachando e hoje, estou do lado de cá. Mas a emoção, mesmo, foi o dia de quinta (na posse).

O senhor assume em cenário de crise. Antes da sua posse foi feita uma reforma administrativa e, para reduzir custos, suspensas férias e gratificações. O arrocho vai permanecer até quando?

Ele vai continuar e vai aumentar. Acredito que é no momento de crise, de aperto, que se faz as principais e melhores mudanças. Então, vamos aproveitar essa crise para sairmos melhores do que entramos: refinando a gestão, priorizando o que deve ser gasto e investido. É isso o que estou pedindo aos secretários, que revisem todos os aluguéis de imóveis no Estado, busquem locações mais baratas, e revisem a lotação de cada órgão, para redimensionar funções. Vamos lançar olhares sobre todas as áreas, buscando gastar cada centavo da forma melhor.

O senhor disse, após a cerimônia de posse, que acha difícil que novas transferências da União ocorram antes do segundo semestre. Como vai administrar este início de governo?

Nós temos muito contratos em andamento, contratos de obras que ainda vão iniciar. Então, vamos, primeiro, dar um curso mais célere em tudo que estiver contratado em andamento, com recursos garantidos, e preparar, refinar, os projetos para o momento em que tiver disponibilidade de recursos. Minha expectativa, otimista, é que no segundo semestre nós possamos ter a abertura (de mais crédito) para recepcionar novos projetos.

O senhor destaca três áreas prioritárias no seu governo, saúde, educação e segurança. No seu discurso fala que vai liderar o processo de uma escola inclusiva e de qualidade. Como vai ser?

Esta será absolutamente minha prioridade. Estou propondo um pacto pela educação, mobilizando os prefeitos, os secretários municipais. Vamos olhar a educação não só no segundo grau. Mas, também, os nove anos antes de estudo que o aluno teve para chegar lá. Se essa formação tiver problema, vai comprometer o resto. Então, temos que cuidar da educação, desde a pré-escola até a universidade. Por isso estou chamando para mim mesmo, essa tarefa, de mobilizar prefeitos, secretários e pais e alunos.

Nesta audiência, que o senhor disse que terá com a presidente Dilma, qual vai ser a pauta tratada?

Queremos discutir o projeto do eixo sul do São Francisco, o Canal do Sertão, para abastecimento de água. Falar com ela do investimento do Porto Sul (em Ilhéus e que está acoplado ao projeto da ferrovia Oeste-Leste), das obras de infraestrutura de aeroportos no estado, e, também da ponte Salvador -Itaparica, que vai desenvolver o Recôncavo e a região do baixo-sul do Estado (custo estimado de R$ 7 bilhões). Estamos com o projeto pronto, já antecipamos uma cópia impressa para a presidente, que vai precisar de dinheiro do governo federal e da iniciativa privada. Vamos fazer, neste primeiro semestre, uma busca no mercado internacional de investidores que queiram apostar no projeto , que tem previsão de cinco anos para ser concluído.

Como o ex-governador, hoje ministro da Defesa Jaques Wagner, vai ajudar seu governo lá em Brasília, estando numa pasta que não tem investimentos diretos para a Bahia?

Eu quero dizer que a Bahia tem demandas em todas as áreas de governo. E se o ministro (Wagner) estivesse no Ministério das Cidades ou da Integração, não ia resolver os grandes problemas a partir de um ministério apenas. Nós precisamos de todos os ministérios. Então, conta mais qual o compromisso da presidente Dilma, qual a relação que eu tenho com todos os ministros de Estado. Conheço praticamente todos os ministros. O ministro das Cidades (Gilberto Kassab, do PSD) me disse, na sua posse, que iria me dar , e a Otto (senador eleito do PSD), tratamento como se fosse o estado dele (são Paulo). Ouvi isso da ministra Tereza Campello (Desenvolvimento social e combate à Fome). Então, não terei dificuldade. Evidente que a disponibilidade de recursos estará vinculado ao País resolver suas questões macroeconômicas. Mas o ex-governador estando no conselho político da presidente, ele vai ajudar sobremaneira.

Como será a relação com o prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), depois de uma disputa eleitoral agressiva?

Vou tratar o prefeito do município de Salvador com o mesmo respeito que tratarei todos os prefeitos. Em Salvador moram 3 milhões de baianos, cuja maioria votou em mim. Tenho que retribuir a essa povo com muito carinho, com muita atenção. E vou buscar na administração municipal respostas com o máximo de profissionalismo possível, e, da minha parte, ela terá a mesma retribuição. Então, aquilo que for bom para Salvador, espero que ele (ACM Neto) dê celeridade e que facilite, e aquilo que da minha parte eu puder ajudar, também. Temos questões a resolver, como a integração do metrô, a definição da tarifa, e outras formas de relacionamento. Espero que a gente coloque a política de lado e cuide dos interesses da cidade.

O senhor tem uma aliança ampla na Assembleia Legislativa. O senador Otto Elencar, no dia da posse, já antecipou o interesse de PSD, em disputar a prefeitura de Salvador, que é uma meta do PT? Como lidar com pressões do tipo?

Não sei se Salvador é uma meta do PT, aí quem pode falar melhor é o presidente do partido. Mas, não acho que o PT tenha exclusividade para colocar candidaturas para prefeitos, muito menos em Salvador. Acho que temos que encarar com naturalidade que nossos parceiros políticos coloquem candidaturas. Quem sabe o PT não pode apoiar um desses nomes que podem aparecer? São 417 municípios, se em alguns os candidatos têm mais chances que em outros, seria o caso de o PT, aqui ou ali, abrir mão de uma candidatura sua para tentar fazer vitória onde ele tem um desempenho melhor.. A disputa municipal não será dificuldade para a base do governo e não serei coordenador de campanha municipal, nem mesmo de Salvador. Eu vou cuidar é da gestão., eu vou me posicionar.

E a busca do deputado Marcelo Nilo (PDT) para o seu quinto mandato de presidente da Assembleia, qual a opinião do senhor?

Quem decide é a Assembleia, mas já manifestei publicamente que o revezamento é sempre uma boa medida para o parlamento, que é uma casa de iguais. Marcelo já me disse, e quero registrar isso, que ele vai colocar para votação o fim da reeleição de presidente na Assembleia, e eu o parabenizo por isso.