Rumo do PT no Recife será decidido esta semana
Direção do partido deve se reunir esta semana para debater a manutenção ou não da aliança com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e do prefeito eleito do Recife, Geraldo Júlio; Petistas também deve debater se o atual gestor da Capital, João da Costa, deve continuar a integrar os quadros da legenda; De todo modo, seja qual for o desfecho, o partido sairá arranhado
Leonardo Lucena_PE247 – Esta pode ser uma semana decisiva para o diretório do PT no Recife. Integrantes do partido devem se reunir para debater sobre a manutenção ou não da aliança com o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e do prefeito eleito no Recife, Geraldo Júlio. Hoje esta “pendência” é o principal ponto de discussão entre membros do Partido dos Trabalhadores, que também precisam decidir a respeito da situação do atual chefe do Executivo municipal, João da Costa, que pode ser expulso da legenda.
Segundo os bastidores, a tendência é que o PT opte pela continuidade da aliança com o PSB no Estado, algo já confirmado até pelo secretário estadual de Transportes, Isaltino Nascimento, nomeado por Eduardo Campos como um dos interlocutores para intermediar as negociações entre ambos os partidos.
PT e PSB iniciaram um racha após o governador Eduardo Campos lançar candidatura própria no Recife, o que deixou os petistas ressentidos, já que as duas legendas são aliadas históricas. O desfecho foi a vitória do candidato socialista Geraldo Júlio no primeiro turno, enquanto que o postulante petista, o senador Humberto Costa assegurou o terceiro lugar, foi um dos fatores determinantes para a animosidade entre as siglas.
Tanto Costa como seu vice na campanha deste ano, o ex-prefeito João Paulo, defendem o rompimento com o PSB e preferem uma posição de “independência” por parte do PT.
A saída de João da Costa do PT é outro ponto delicado a ser tratado dentro do partido. O senador Humberto Costa e o ex-prefeito João Paulo, que lideram as correntes Construindo Um Novo Brasil (CNB) e Articulação de Esquerda (AE), respectivamente, defendem a expulsão do prefeito. Ambos acusam o gestor de não ter apoiado a candidatura petista e de ter ficado ao lado do PSB nestas eleições.
Por sua vez, João da Costa, que tem como principal desafeto político João Paulo, seu antecessor, adotou tal postura porque teve sua candidatura rifada pela Executiva Nacional do PT durante o processo de prévias. Na época, em junho, o gestor disputou as prévias partidárias contra o então deputado federal Maurício Rands e venceu. Mas devido a denúncias de fraudes nas votações, o pleito foi cancelado. Dessa forma, argumentando que o clima estava insustentável dentro da legenda, membros da cúpula nacional do partido decidiram não realizar uma nova eleição e apresentaram o nome de Humberto Costa como o candidato da sigla de forma a estabelecer um consenso intrapartidário.
As informações dão conta de que integrantes da CNB estariam aguardando o fim da gestão para pressionar ainda mais outros componentes do partido a expulsarem João da Costa do PT.
A briga promete esquentar os ânimos dentro do PT. No próximo ano será realizado o Processo de Eleições Diretas (PED) e João da Costa vai esperar o andamento do processo onde 23 mil filiados já se cadastraram para votar, sendo a maioria ligada ao gestor.
Pelo andar da carruagem, atualmente Humberto Costa e João Paulo são nomes quase que isolados dentro do partido, mesmo sendo duas das principais vozes internas do PT, tanto no que toca à aliança com Eduardo como nas críticas a João da Costa. Sobre este último, caso o Diretório Estadual da legenda decida pela permanência do prefeito, resta saber como os petistas procederão com os desafetos internos que tenderão a desgastar ainda mais o Partido dos Trabalhadores ante a opinião pública e outras siglas.
