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Samarco foi alertada sobre barragem em 2014

Subsidiária da Vale, a mineradora Samarco foi avisada sobre os riscos da barragem de Fundão, que se rompeu no dia 5 de novembro em Minas, provocando o maior desastre com barragens no mundo em um período de 100 anos; a informação foi relatada pelo engenheiro projetista da estrutura e responsável oficial pela barragem até 2012, Joaquim Pimenta de Ávila, em depoimento à Polícia Federal; ele alertou sobre um "princípio de ruptura" na margem esquerda do reservatório, devido ao aparecimento de uma trinca

Equipe de resgate buscando vítimas na cidade de Mariana, Minas Gerais. 08/11/2015 REUTERS/Ricardo Moraes (Foto: Gisele Federicce)
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Minas 247 - A mineradora Samarco, subsidiária da Vale e da australiana BHP Billiton, foi avisada sobre os riscos da barragem de rejeitos de Fundão, que se rompeu no dia 5 de novembro no município de Mariana (MG), provocando o maior desastre com barragens no mundo em um período de 100 anos, segundo o Ibama.

A informação foi relatada pelo engenheiro projetista da estrutura e responsável oficial pela barragem até 2012, Joaquim Pimenta de Ávila, em depoimento à Polícia Federal em dezembro último, obtido pela Folha. De acordo com reportagem do jornal, ele disse ter alertado a empresa sobre um "princípio de ruptura" na margem esquerda do reservatório, devido ao aparecimento de uma trinca.

Ávila descobriu a trinca em setembro do ano passado, mas segundo disse ter sido informado pela empresa, ela havia aparecido um mês antes. O engenheiro recomendou à Samarco o redimensionamento do reforço na estrutura, a instalação de ao menos nove piezômetros (instrumentos para medir a pressão da água no solo) e o acompanhamento diário da posição do nível da água –se ele subisse, a empresa deveria bombeá-la para fora da barragem.

E disse à PF que não teve retorno da mineradora sobre que ações tomar a respeito. A tragédia deixou ao menos 19 mortos e um impacto ambiental ainda incalculável. A lama da barragem se espalhou por vários municípios mineiros, chegando ao mar do Espírito Santo. A PF indiciou o diretor presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, e outros seis dirigentes da empresa pela tragédia. A Vale também foi indiciada como pessoa jurídica.