Samarco sabia de problemas em represa, diz PF

Uma troca de mensagens pelo sistema interno de comunicação da mineradora Samarco entre o presidente da empresa à época do rompimento da Barragem de Fundão, Ricardo Vescovi, e diretores mostra que a cúpula da empresa não só foi informada de problemas com a represa como também articulava estratégia para lidar com a precariedade da estrutura; Vescovi força a produção de informações para esconder problemas com Fundão; em conversa com Vescovi, em agosto de 2014, o então diretor de Operações da Samarco, Kleber Terra, diz: "em Fundão apareceram umas trincas no maciço onde desviamos o eixo"; Vescovi responde: "O quê??? Ai, ai, ai... Fica esperto"

Uma troca de mensagens pelo sistema interno de comunicação da mineradora Samarco entre o presidente da empresa à época do rompimento da Barragem de Fundão, Ricardo Vescovi, e diretores mostra que a cúpula da empresa não só foi informada de problemas com a represa como também articulava estratégia para lidar com a precariedade da estrutura; Vescovi força a produção de informações para esconder problemas com Fundão; em conversa com Vescovi, em agosto de 2014, o então diretor de Operações da Samarco, Kleber Terra, diz: "em Fundão apareceram umas trincas no maciço onde desviamos o eixo"; Vescovi responde: "O quê??? Ai, ai, ai... Fica esperto"
Uma troca de mensagens pelo sistema interno de comunicação da mineradora Samarco entre o presidente da empresa à época do rompimento da Barragem de Fundão, Ricardo Vescovi, e diretores mostra que a cúpula da empresa não só foi informada de problemas com a represa como também articulava estratégia para lidar com a precariedade da estrutura; Vescovi força a produção de informações para esconder problemas com Fundão; em conversa com Vescovi, em agosto de 2014, o então diretor de Operações da Samarco, Kleber Terra, diz: "em Fundão apareceram umas trincas no maciço onde desviamos o eixo"; Vescovi responde: "O quê??? Ai, ai, ai... Fica esperto" (Foto: Leonardo Lucena)

Minas 247 - Uma troca de mensagens pelo sistema interno de comunicação da mineradora Samarco entre o presidente da empresa à época do rompimento da Barragem de Fundão, Ricardo Vescovi, e diretores mostra que a cúpula da empresa não só foi informada de problemas com a represa como também articulava estratégia para lidar com a precariedade da estrutura. Ao todo, 19 pessoas morreram em consequência do maior desastre ambiental da história do País, que aconteceu no dia 5 de novembro do ano passado.

Nas conversas, Vescovi força a produção de informações para esconder problemas com Fundão. Ao saber de trincas na estrutura, em agosto de 2014, mais de um ano antes do desastre, o presidente diz: "O quê? Ai, ai, ai". As conversas foram obtidas pelos delegados em busca e apreensão nas plantas da Samarco nas cidades de Mariana (MG) e Anchieta (ES).

O dirigente negou que, durante sua gestão teria chegado ao seu conhecimento algum relato de problema na barragem. . "Estas questões técnicas eram tratadas na área técnica, dentro da diretoria de operações e nas gerências dessas diretorias", disse. "Nunca chegou ao conhecimento do declarante qualquer notícia sobre problemas na estabilidade", diz o documento da Polícia Federal. As transcrições foram obtidas pelo Estadão.

Em mensagem enviada pelo presidente da Samarco à diretora de Geotecnia da mineradora, Daviely Rodrigues Silva, em conversa sobre o FMEA (sigla em inglês para Failure Mode and Effect Analysis, a análise da confiabilidade de uma estrutura, no caso Fundão), Vescovi pergunta se "mudou a probabilidade (de acontecer algum problema) ou apenas a severidade (a rigidez a estrutura)?".

"Acho esse ponto o mais relevante de todos, pois é o meio de mostrarmos que as coisas não pioraram, apenas estamos sendo mais críticos na avaliação de severidade", diz.

A mensagem é de 27 de julho de 2011, às 23h58, e é uma resposta a um posicionamento técnico sobre Fundão enviado por Daviely. O FMEA é feito periodicamente para acompanhar condições físicas de barragens.

Em seguida, Vescovi afirma que "vale a pena abordarmos no texto algo que corrobore com uma baixa probabilidade de um evento, como o FMEA por exemplo, além da própria opinião do ITBR (comitê interno formado por empregados da Samarco e também especialistas externos contratados pela empresa para avaliar as estruturas da mineradora, com reuniões a cada quatro meses)". O texto a que o presidente se refere é o relatório Health and Safety and Operations Performance (Saúde e Segurança e Performance das Operações) das estruturas da empresa.

Vescovi foi informado sobre trincas na barragem, durante troca de mensagens com o então diretor de Operações da Samarco, Kleber Terra. Em conversa capturada pela PF, de 29 de agosto de 2014, iniciada às 15h56, Terra diz: "Em Fundão apareceram umas trincas no maciço onde desviamos o eixo". Vescovi responde: "O quê??? Ai, ai, ai... Fica esperto".

Terra afirma que tudo está "controlado". Vescovi pergunta sobre as características do problema. "Que tipo de trinca? Só no maciço, ou conecta com o interior da barragem?" Terra responde: "Só no maciço. O ITRB na última reunião já havia falado que teremos de fazer uma drenagem intermediária no maciço. Com o alargamento da boca do vale, o tapete drenante anterior não pega todo o maciço no topo".

Outro lado

Em nota, advogado de Vescovi Paulo Freitas Ribeiro, afirmou que "o relatório de investigação da Polícia Federal constitui documento provisório, emitido a partir de entendimento unilateral". "Ricardo Vescovi jamais recebeu qualquer aviso ou alerta sobre eventual comprometimento da segurança da Barragem do Fundão, e tampouco tentou esconder informações de qualquer sorte. Pelo contrário, as informações que recebeu sobre incidentes, naturais da operação, indicavam que a barragem se encontrava rigorosamente dentro dos padrões de segurança, conclusão alçada por diversos especialistas".



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