Sanchez puxa Dilma para disputa que não é dela

Depois de conseguir uma foto ao lado da presidente Dilma na inauguração do Maracanã e distribui-la a colunas sociais, o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, tenta arrastar o governo para a disputa de poder na CBF; obra do Itaquerão, a mais problemática da Copa de 2014, ainda não está totalmente equacionada e é, de todas, a menos transparente; ainda faltam R$ 400 milhões para a conclusão da arena

Sanchez puxa Dilma para disputa que não é dela
Sanchez puxa Dilma para disputa que não é dela

247 - Caiu mal, no mundo do futebol, a foto distribuída pelo ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, a diversas colunas sociais. Depois de conseguir ser clicado ao lado da presidente Dilma Rousseff na inauguração do Maracanã, Sanchez, que é amigo do ex-presidente Lula, tenta vender a ideia de que tem apoio do governo federal para tomar o poder na Confederação Brasileira de Futebol. Isolado entre os dirigentes, ele busca apoio político para um golpe na entidade – o que é praticamente impossível, uma vez que ele é também mal visto nas federações regionais.

Além disso, a obra do Itaquerão, amarrada enquanto Sanchez era presidente do Corinthians é, de todas, a mais problemática da Copa de 2014. Em sua coluna desta quarta-feira, o colunista Claudio Humberto escreveu sobre as polêmicas da arena (leia mais aqui). Em São Paulo, o Ministério Público estuda entrar no caso, para avaliar, em detalhes, a relação entre a Odebrecht, o governo federal e a direção do Corinthians.

Sanchez é também um dos mais polêmicos cartolas brasileiros, em razão de seus negócios nebulosos. Abaixo, matéria do R7 a respeito:

Andrés Sanchez tem negócios nebulosos que 
mudam de sócios e endereços frequentemente

Aos amigos e colegas de clube, ele diz que se afastou das empresas há dois anos

Gilberto Nascimento, do R7, com Jornal da Record

Fã da noite e de um bom uísque, o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, diz que seus planos depois de deixar o comando do clube são “encher a lata” e arrumar “muitas namoradas”. Separado, 47 anos, é figura assídua nos shows de pagode de boates do Itaim e da Vila Olímpia, na zona sul paulistana, frequentadas por boleiros e maria chuteiras. É visto sempre em companhia de nomes badalados como o ex-jogador Ronaldo Fenômeno.

Ex-jogador de futebol, passou pelos juvenis do Corinthians e foi um dos fundadores da torcida Pavilhão Nove (nome de uma das alas do antigo presídio do Carandiru). Filho de espanhóis de Almeria, na província de Andaluzia, trabalhou também como feirante. Sua família tinha um box de frutas no Ceasa. “Eu vim de baixo. O estudo me faz falta”, costuma dizer.

As dificuldades ficaram para trás. Andrés, hoje, se considera um homem rico. De uma pequena banca de verduras, sua família migrou para o ramo da indústria plástica. Criou a Sol Embalagens. A empresa, segundo o dirigente, tem hoje 2,8 mil funcionários e mais de 40 distribuidores no Brasil.

Aos amigos e colegas de clube, ele diz que se afastou dos negócios há dois anos. Informou que passou “tudo o que tinha” para o nome de familiares, na época em que a Polícia Federal começou a investigar o escândalo da MSI – a empresa que trouxe os milhões de dólares ilegais do magnata russo Boris Berezovsky para o Brasil.

Conselheiros e ex-dirigentes do Corinthians dizem que nunca conseguiram saber onde Andrés trabalha – ou trabalhava. “Ele não tem um escritório onde dá expediente, onde pode ser encontrado. Ninguém sabe direito onde fica sua empresa”, observa um ex-aliado.

As ramificações da Sol Embalagens, a empresa de Andrés e de sua família, chamam a atenção. Mais de 50 outras companhias gravitam – ou gravitaram – em torno dela. A Sol Embalagens tinha três endereços: um em Caieiras, na Grande São Paulo; outro na avenida Indianópolis, na zona sul paulistana; e outro no Jaguaré, na zona oeste da Capital. As duas primeiras sedes (as três tinham CNPJs diferentes) foram dissolvidas, segundo registros na Junta Comercial de São Paulo. Restou a terceira, em atividade atualmente em Camaçari, na Bahia

Além da Sol Embalagens, Andrés, familiares e amigos administraram a Sol Tainer, Sol Indústria e Comércio de Plásticos, Sol Textil, Sol Brasil Promoções e Eventos, Embalagens Plásticas SO, Sol PP, Sol Dasla, Sol Consultoria, Sol Pack, Plastic Sol, Sol Embalagens da Amazonia, Sol Agropecuária, Sol América e Sol Tecnologia em Sombreamentos, entre outras companhias ensolaradas.

Os Sanchez e amigos ainda controlaram outra enorme quantidade de empresas, como a Andrés Navarro Sanchez (a razão jurídica do Box do Ceasa), a APTA Indústria e Comércio de Plásticos, Ipê Embalagens, Diversa Distribuidora de Plásticos, Agropack Participações, Albox Embalagens, BS Embalagens, Biosfera Promoções e Eventos, Caieras Embalagens Plásticas, Baquara Investimentos, Polygrain do Brasil, Semper Informática, Quiron Distribuidora, JSO Participações, ASN Participações, WMR Participações e Usina de Negócios e Encartes. A lista parece interminável.

Essas empresas aparecem sempre como acionistas uma da outra. Todas mudam – ou mudavam – frequentemente de endereços e de sócios. A maior parte tem no comando - ou tiveram –, além do próprio Andrés -, os seus primos Tadeu Sanchez Oller e José Sanchez Oller, o irmão Tadeu Navarro Sanchez, outros integrantes do clã como Isabel Sanchez Oller, Pablo Juan Sanchez e Andrea Sanchez Navarro, além de amigos da família. Somente José Sanchez Oller tem o seu nome ligado a 18 empresas.

O presidente do Corinthians foi sócio da Sol Embalagens, da Andrés Navarro Sanchez (que lidava com legumes e verduras no Ceasa e foi sucedida pela B.S. Embalagens), da Sol PP Indústria de Plásticos e de outras empresas já dissolvidas, como a Polygrain Polimeros do Brasil, a Baquara Investimentos, a Quiron Distribuidora de Embalagens e a Sol Técnico Tecnologia em Sombreamento. Do total de empresas ligadas à família, 18 foram dissolvidas.

Várias empresas tiveram os bens e direitos bloqueados pela Receita Federal, por causa de irregularidades. Estão nessa situação a ASN Participações, Sol Textil, Sol Tainer, Sol Pack, Sol Dasla, APTA e JSO. Os bens e direitos do presidente do Corinthians nas empresas Girassol Empreendimentos Imobiliários, ASN Participações, Sol Técnico Tecnologia em Sombreamentos e Andrés Navarro Sanchez foram bloqueados pela Receita Federal. O seu primo José Sanchez Oller teve os bens e direitos bloqueados nas empresas José Sanchez Oller, Sol Dasla, Solpack, Sol Embalagens Plásticas, Sol Tainer, Sol Textil, Sol Consultoria, JSO e APTA. Procurado para falar sobre a situação das empresas de sua família, Andrés Sanchez informou, por meio de sua assessoria, que não iria se manifestar.

 

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