HOME > Geral

Saúde, transporte, segurança e... 'mensalão'

No último debate antes da eleição deste domingo, promovido pela Rede Globo, Fernando Haddad (PT) criticou a gestão de Gilberto Kassab (PSD) e levou a discussão em tom mais agressivo, mas justificou: "É indignação com a situação da cidade". Já José Serra (PSDB) não deixou a recente condenação de dirigentes petistas pelo 'mensalão' ficar de fora e tocou no assunto três vezes

Saúde, transporte, segurança e... 'mensalão'

247 - Educação, transporte, saúde, segurança e, graças a insistência do tucano José Serra (PSDB), o mensalão. Esses foram os principais assuntos do último debate entre os dois antes da eleição de domingo. Haddad, que foi mais agressivo que o adversário ao longo do debate, concentrou a maior parte de suas críticas à gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que herdou a Prefeitura de Serra. Já Serra destacou, entre uma ou outra pergunta sobre assuntos diversos, a condenação da cúpula do PT pelo esquema do mensalão.

Serra e Haddad chegaram aos estúdios da Globo para o último debate antes da eleição acompanhados de seus marqueteiros, Luiz Gonzalez e João Santana, respectivamente. Haddad, o primeiro a falar, perguntou a Serra como ele avaliava a gestão do prefeito Gilberto Kassab, seu sucessor. Serra destacou que Kassab foi reeleito numa disputa com a senadora Marta Suplicy (PT) com mais de 60% dos votos e destacou que o PT quis o apoio de Kassab nesta eleição.

Em seguida, em sua vez de perguntar, Serra questionou Haddad sobre suas propostas para as mulheres. "Serra tem visão restrita da mulher, apenas como gestante", respondeu Haddad, dizendo que suas propostas também levam em conta, por exemplo, as creches.

Na segunda pergunta, Haddad questionou se Serra se sentia responsável pela violência em São Paulo (enquanto ex-prefeito e ex-governador) e pediu que expusesse suas propostas sobre segurança. Serra prometeu, em aliança com o governo do Estado, melhorar a iluminação, aumentar efetivo da polícia e reforçar a guarda civil metropolitana. Em seguida, o tucano introduziu o assunto transporte no debate, perguntando a Haddad sobre suas ideias para Metrô e CPTM. Haddad aproveitou para destacar as promessas não cumpridas pelos governos tucanos. A questão marcou o fim do primeiro bloco.

Segundo bloco

O segundo bloco começou quente, com Serra questionando Haddad sobre o esquema do mensalão, pelo qual a cúpula do PT foi condenada no Supremo Tribunal Federal. Haddad retrucou que quem pode responder melhor é Serra, pois o esquema começou com um governo tucano em Minas Gerais (com a tentativa do então governador Eduardo Azeredo de se reeleger, em 1998). "Nem você foi capaz de me atacar na minha honra durante a campanha", emendou Haddad, destacando que Serra consegue apenas atingir o partido quando fala de corrupção. "Se copiou, é ainda pior", respondeu Serra.

Quando o debate chegou ao tema transporte mais uma vez, Haddad disse que o adversário roubou uma proposta do candidato derrotado no primeiro turno Levi Fidelix. Na tréplica, Serra afirmou que tirou suas proposta da própria "cachola”. “Tirou a ideia da cachola do Levi Fidelix”, retrucou Haddad. Sobre escolas, Haddad disse que defende a escola em tempo integral, com aulas de recuperação, teatro e xadrez no segundo turno. No caso do professor, o petista prometeu trazer cursos de mestrado e doutorado para melhorar o nível dos docentes paulistanos.

Haddad ainda cutucou o adversário mais uma vez: "Serra, educação não é da sua área: professor não é reciclado ou treinado. Estou te orientando para você não cometer esse delize". Antes de sua réplica sobre o assunto, Serra destacou que a agressividade do petista não fazia bem ao debate. "É indignação", respondeu Haddad. "Tua propaganda eleitoral não reflete a vida da cidade", disse, dizendo que se indignou durante a campanha, por ver como está a cidade.

Terceiro bloco

O terceiro bloco começou com o tema medicamentos em debate, proposto por Serra. Haddad disse que as ideias do sistema de saúde da cidade são boas, mas não estão funcionando bem. Na réplica, Serra voltou a falar sobre o programa Mãe Paulistana. Ele disse que pretende criar uma bolsa-creche para as mães que não encontrarem vagas em creches públicas. Haddad citou a cessão de leitos do SUS para entidades privadas e diz que São Paulo pode ter uma crise de leitos se a proposta for implementada.

Na sequência, o petista pergunta a Serra por que ele não cita em seu programa no horário eleitoral a intenção de fazer parcerias com o governo federal. O tucano afirmou que a Prefeitura tem diversas parcerias com o governo federal. Ele acusou o petista de querer acabar com as Organizações Sociais de Saúde (OSs). “É uma perda para São Paulo e uma perda para o sistema de saúde”, disse.

Quando o debate chegou ao tema social, Serra voltou ao mensalão: "A melhor política social que o PT deveria ter feito era não ter feito o mensalão. Com o dinheiro, poderiam ter feito 400 AMAs", alfinetou, voltando ao tema preferido mais uma vez. Na sequência, o candidatos fariam suas manifestações finais, pedindo o voto do eleitor. Saberão no domingo se suas estratégias funcionaram.