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Sebastião Salgado: Vale deve salvar o Rio Doce

Um dos maiores fotógrafos do mundo, o mineiro Sebastião Salgado defendeu nesta segunda-feira, 16, que a Vale, presidida por Murilo Ferreira, arque com os custos da recuperação da bacia do Rio Doce, após a tragédia ambiental de Mariana; "A Vale é o maior empregador da região. É responsável e vai ter que levar essa responsabilidade até o fim e assumir isso", afirmou; em acordo com o Ministério Público de Minas, a Samarco se comprometeu a pagar R$ 1 bilhão em ações mitigatórias do impacto ambiental; para Sebastião Salgado, que pediu apoio da presidente Dilma Rousseff na implantação de um fundo de recuperação do Rio Doce, a conta é mais alta; "Só a instalação das nascentes deve custar em torno de R$ 5 bilhões. Outros cálculos devem ser feitos. É o maior desastre ecológico do Brasil", afirma

Um dos maiores fotógrafos do mundo, o mineiro Sebastião Salgado defendeu nesta segunda-feira, 16, que a Vale, presidida por Murilo Ferreira, arque com os custos da recuperação da bacia do Rio Doce, após a tragédia ambiental de Mariana; "A Vale é o maior empregador da região. É responsável e vai ter que levar essa responsabilidade até o fim e assumir isso", afirmou; em acordo com o Ministério Público de Minas, a Samarco se comprometeu a pagar R$ 1 bilhão em ações mitigatórias do impacto ambiental; para Sebastião Salgado, que pediu apoio da presidente Dilma Rousseff na implantação de um fundo de recuperação do Rio Doce, a conta é mais alta; "Só a instalação das nascentes deve custar em torno de R$ 5 bilhões. Outros cálculos devem ser feitos. É o maior desastre ecológico do Brasil", afirma (Foto: Aquiles Lins)

Minas 247 - Um dos maiores fotógrafos do mundo, o mineiro Sebastião Salgado afirmou nesta segunda-feira, 16, que a empresa Vale deve arcar com os custos da recuperação da bacia do Rio Doce, após a tragédia ambiental de Mariana. 

"Isso é uma coisa terrível. Hoje (ontem) que eu vi pela primeira vez, porque cheguei ontem (anteontem) à noite em Vitória (ES) e vim para cá hoje (ontem). Fui lá ver o rio. É uma coisa chocante de se ver. Toda a fauna do rio morta. Toda morta. Aquilo lá é uma espécie de gel. A densidade é tão forte que se deposita em todas as partes do rio. É um negócio chocante ver o seu rio morrer", afirmou. "Na cor da água eu tinha a impressão que via o sangue do rio correndo. Foi a punhalada final e é possível ver o sangue escorrendo", afirmou. 

Salgado lembrou que tragédia ambiental envolvendo a British Petróleo teve um custo de R$ 80 bilhões e que a região atingida pelos rejeitos de mineração da Samarco, controlada pela Vale e pela australiana BHP Biliton, é quase do tamanho de Portugal. 

"Em Mariana são as duas maiores mineradoras do mundo, e o volume dessas empresas comporta perfeitamente. Acho que é a oportunidade, principalmente a Vale, que é da região, de habilitar o vale que deu nome a ela. Até pouco tempo ela se chamava Vale do Rio Doce. A Vale é o maior empregador da região. É responsável e vai ter que levar essa responsabilidade até o fim e assumir isso. Custos têm que ser arcados pelas empresas", afirma. 

Sebastião Salgado afirma que o governo brasileiro não pode ser tímido em relação à reparação dos danos. "Tem que solicitar reparação do tamanho do desastre. Não pode ser imprecisa e solicitar qualquer coisa. A gente sabe quanto custa nossa reparação. Só a instalação das nascentes deve custar em torno de R$ 5 bilhões. Outros cálculos devem ser feitos, mas ela tem que ser no mínimo do calibre da indenização da British Petróleo. É o maior desastre ecológico do Brasil", afirma. 

O fotógrafo mineiro está mobilizando autoridades para criar um fundo e implantar ações de recuperação do Rio Doce. A ideia do fotógrafo é recuperar 4.500 nascentes por ano – ainda em 2015, ele pensa em cobrir até 500 pontos. Salgado se reuniu com a presidente Dilma Rousseff na última sexta-feira e afirma que a petista foi incisiva em dizer que o projeto dever ser implantado e custeado pelas empresas responsáveis pelas barragens. 

Em acordo com MP, Samarco pagará R$ 1 bilhão

Apesar da estimativa de pelo menos R$ 5 bilhões em custos iniciais para a reparação do estrago causado na bacia do Rio Doce, o Ministério Público de Minas Gerais informou nesta segunda-feira que fechou um acordo com a Mineradora Samarco para pagamento de caução socioambiental de R$ 1 bilhão por conta do rompimento de duas barragens de rejeitos de mineração em Mariana (MG).

Segundo o MP, o dinheiro deve ser usado para garantir custeio de medidas preventivas emergenciais, mitigatórias, reparadoras ou compensatórias mínimas. De acordo com o MP, quem vai gerir e aplicar os recursos em ações é a própria Samarco. Mas o termo estabelece que os gastos deverão ser auditados por empresa independente escolhida escolhida pela promotoria.

Índios invadem ferrovia da Vale

Em protesto contra os estragos causados no Rio Doce, índios da etnia Krenak ocuparam um trecho da Estrada de Ferro que liga Vitória (ES) a Minas, em Resplendor (MG).

Os manifestantes reivindicam a recuperação do Rio Doce e querem a perfuração de poços artesianos e fornecimento de água. Segundo a Polícia Militar, o protesto ocorre há quatro dias de forma pacífica e cerca de 120 índios permanecem na linha férrea. A ação dos manifestantes está impedindo a passagem do trem, que transporta passageiros e minério. 

Em nota, a Vale informou que a ocupação está impedindo o transporte de água para as comunidades da região do Rio Doce. Segundo a empresa, cerca de 360 mil litros de água, sendo 60 mil litros de água mineral e 300 mil litros de água potável, provenientes de Vitória (ES), estão nos trens aguardando a liberação da ferrovia para distribuição.