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Secretário de Alckmin exclui educação dos deveres essenciais do Estado

Secretário de Educação do Estado de São Paulo, José Renato Nalini, criticou por meio de um artigo publicado no site da pasta o que ele chama de "proliferação de direitos fundamentais; segundo o secretário do governo Geraldo Alckmin (PSDB), , o Estado deveria atuar apenas em situações "elementares e básicas" e que "tudo o mais poderia ser providenciado pelos particulares"; Muito ajuda o Estado que não atrapalha", disse; "Que permite o desenvolvimento pleno da iniciativa privada. Apenas controlando excessos, garantindo igualdade de oportunidades e só respondendo por missões elementares e básicas. Segurança e Justiça, como emblemáticas", pontuou; texto foi criticado por educadores e especialistas do setor

O Governador do Estado de São Paulo, anuncia o desembargador e professor universitário José Renato Nalini para secretário da Secretaria de Estado da Educação.Data: 28/01/2016. Local: São Paulo/SP. Foto: Diogo Moreira/A2img (Foto: Paulo Emílio)
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247 - O secretário de Educação do Estado de São Paulo, José Renato Nalini, criticou por meio de um artigo publicado no site da pasta o que ele chama de "proliferação de direitos fundamentais", Segundo o secretário do governo Geraldo Alckmin (PSDB), , o Estado deveria atuar apenas em situações "elementares e básicas" e que "tudo o mais poderia ser providenciado pelos particulares". Em nenhum trecho do artigo, intitulado "A Sociedade órfã", ele mencionou o atendimento à educação. Texto ganhou ampla repercussão negativa entre educadores.

Muito ajuda o Estado que não atrapalha", escreveu. "Que permite o desenvolvimento pleno da iniciativa privada. Apenas controlando excessos, garantindo igualdade de oportunidades e só respondendo por missões elementares e básicas. Segurança e Justiça, como emblemáticas", pontuou.

Ao longo do texto, Nalini critica duramente o Estado como "provedor", visão que, segundo ele, teria se solidificado com a perda constante de referências como a família, escola e igreja.. fazendo com que a população "se acostumasse a reivindicar" o que antes era obtido com "trabalho e esforço".

A professora da USP e especialista em direito à educação, disse que no artigo, o secretário "cita segurança e justiça, esquecendo educação e saúde, direitos fundamentais celebrados na Constituição". O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, disse estar "atônito" com o texto que, segundo ele, vai de encontro a Constituição. "Não vamos esquecer que 245 mil jovens estão fora da escola em São Paulo. Cadê as ações do governo para trazê-los?", questiona Priscila Cruz, do Movimento Todos Pela Educação,

Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Nalini destacou que o artigo reflete uma visão geral, não apenas da educação. "Falei na questão de justiça e segurança porque a família não pode se encarregar disso", disse. "Quem leu e encontrou a incongruência ou foi pouca atenção ou má-fé", completou.

Confira abaixo a íntegra do artigo, publicado no site da Secretaria Estadual da Educação na última terça (5).

Uma das explicações para a situação de anomia que a sociedade humana enfrenta em nossos dias é a de que ela se tornou órfã. Com efeito. A fragmentação da família, a perda de importância da figura paterna "" e também a materna "" a irrelevância da Igreja e da Escola em múltiplos ambientes, gera um convívio amorfo. Predomina o egoísmo, o consumismo, o êxtase momentâneo por sensações baratas, a ilusão do sexo, a volúpia da velocidade, o desencanto e o niilismo.

Uma sociedade órfã vai se socorrer de instâncias que substituam a tíbia parentalidade. O Estado assume esse papel de provedor e se assenhoreia de incumbências que não seriam dele. Afinal, Estado é instrumento de coordenação do convívio, assegurador das condições essenciais a que indivíduos e grupos intermediários possam atender à sua vocação. Muito ajuda o Estado que não atrapalha. Que permite o desenvolvimento pleno da iniciativa privada. Apenas controlando excessos, garantindo igualdade de oportunidades e só respondendo por missões elementares e básicas. Segurança e Justiça, como emblemáticas. Tudo o mais, deveria ser providenciado pelos particulares.

Lamentavelmente, não é isso o que ocorre. Da feição "gendarme", na concepção do "laissez faire, laissez passer", de mero observador, o Estado moderno assumiu a fisionomia do "welfare state". Ou seja: considerou-se responsável por inúmeras outras tarefas, formatando exteriorizações múltiplas para vencê-las, auto-atribuindo-se de tamanhos encargos, que deles não deu mais conta.

A população se acostumou a reivindicar. Tudo aquilo que antigamente era fruto do trabalho, do esforço, do sacrifício e do empenho, passou à categoria de "direito". E de "direito fundamental", ou seja, aquele que não pode ser negado e que deve ser usufruído por todas as pessoas.
A proliferação de direitos fundamentais causou a trivialização do conceito de direito e, com esse nome, começaram a ser exigíveis desejos, aspirações, anseios, vontades mimadas e até utopias. Tudo a ser propiciado por um Estado que se tornou onipotente, onisciente, onipresente e perdeu a característica de instrumento, para se converter em finalidade.

Todas as reivindicações encontram eco no Estado-babá, cuja outra face é o Estado-polvo, tentacular, interventor e intervencionista. Para seu sustento, agrava a arrecadação, penaliza o contribuinte, inventa tributos e é inflexível ao cobrá-los.

Vive-se a paranoia de um Estado a cada dia maior. Inflado, inchado, inflamado e ineficiente. Sob suas formas tradicionais "" Executivo, Legislativo e Judiciário. Todas elas alvo fácil das exigências, cabidas e descabidas, de uma legião ávida por assistência integral. Desde o pré-natal à sepultura, tudo tem de ser oferecido pelo Estado. E assim se acumulam demandas junto ao Governo, junto ao Parlamento, junto ao sistema Justiça.

O Brasil é um caso emblemático. Passa ao restante do globo a sensação de que todos litigam contra todos. São mais de 106 milhões de processos em curso. Mais da metade deles não precisaria estar na Justiça. Mas é preciso atender também ao mercado jurídico, ainda promissor e ainda aliciante de milhões de jovens que se iludem, mas que poderão enfrentar dificuldades irremovíveis num futuro próximo.

No dia em que a população perceber que ela não precisa ser órfã e que a receita para um Brasil melhor está no resgate dos valores esgarçados: no reforço da família, da escola, da Igreja e do convívio fraterno. Não no viés facilitado de acreditar que a orfandade será corrigida por um Estado que está capenga e perplexo, pois já não sabe como honrar suas ambiciosas promessas de tornar todos ricos e felizes.