Seis policiais são presos por chacina em São Paulo

Na ocasião, homens encapuzados, que chegaram em quatro veículos, dispararam contra um grupo de pessoas que estava em um bar, no último dia 4 no Capão Redondo, zona sul paulistana; sete morreram

Seis policiais são presos por chacina em São Paulo
Seis policiais são presos por chacina em São Paulo (Foto: Vinicius Pereira)
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Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Foram presos temporariamente ontem (24) seis policiais suspeitos de participar de uma chacina que deixou sete mortos no último dia 4 no Capão Redondo, zona sul paulistana. Na ocasião, segundo testemunhas, homens encapuzados, que chegaram em quatro veículos, dispararam contra um grupo de pessoas que estava em um bar. Dois baleados sobreviveram ao ataque. No local, foram encontrados 49 cartuchos de bala de pistola e espingarda.

Segundo o secretário de Segurança Pública de Estado de São Paulo, Fernando Grella, os policiais negaram envolvimento no crime. Grella disse, no entanto, que a investigação conjunta da corregedoria da Polícia Militar (PM) e da Polícia Civil conseguiu “provas e elementos fortes e robustos que apontam para a participação das seis pessoas hoje presas”. Apesar das prisões, Grella enfatizou que a apuração dos fatos continua. “Ainda há muitas diligências a serem feitas em busca dos esclarecimentos e dos demais participantes”.

O exame de balística feito pela polícia indicou que pelo menos duas vítimas do crime receberam disparos da pistola do policial Gilberto Eric Rodrigues. Outra vítima, o DJ Lah, recebeu um golpe de uma espingarda retirada irregularmente do 37º Batalhão da PM, que tinha vestígios de sangue na coronha. “O armeiro responsável que deveria estar presente nesse dia pediu dispensa, o que deu ensejo para que o policial Anderson Francisco Siqueira atuasse como armeiro. O que provavelmente facilitou o acesso dos autores desse crime à arma utilizada”, disse Grella.

Na casa do policial Fábio Ruiz Ferreira, foram encontradas toucas ninja e placas falsas de carro. Fábio registrou no dia seguinte ao crime o roubo de sua pistola .40, um dos calibres usados nas mortes.

Uma filmagem feita próxima ao local do crime indicou que a viatura em que estavam Carlos Roberto Alvarez, Adriano Marcelo do Amaral e Patrícia Silva Santos deu cobertura aos assassinos. De acordo com testemunhas, os policias da primeira viatura que chegou ao local, em que estavam os policiais presos, recolheu parte dos cartuchos que estavam no chão. Ficou constatado que os três suspeitos retiraram por 54 minutos o aparelho que indica o trajeto feito pela viatura.

O ataque foi feito, provavelmente, em retaliação a divulgação de um vídeo feito em frente ao bar em novembro, que mostra um grupo de PMs executando o servente de pedreiro Paulo Batista do Nascimento . “Desse fato que foi exibido em uma filmagem por uma rede de TV ensejou ameaças a moradores daquele bairro, em razão da divulgação dessas imagens que motivou a prisão de alguns policiais, entre eles um oficial”, explicou Grella.

O secretario evitou, porém, relacionar outras chacinas e a onda de assassinatos ocorrida ao longo de 2012 à ação de grupos de extermínio com a participação de policias. “Nós temos a preocupação e a responsabilidade de nos empenharmos e nos dedicarmos em esclarecermos todos os casos. Todas as linhas de investigação devem ser perseguidas”, disse, ressaltando em seguida que não podia fazer generalizações.

Grella fez um apelo para que a população continue confiando na polícia. “Nós estamos dando uma demonstração aqui hoje que é para população confiar nas suas policias: na Polícia Militar, na Polícia Civil, porque nós temos um trabalho sério e a responsabilidade de cumprir com esse dever que a sociedade espera”.

Hoje, em audiência pública, moradores do bairro Capão Redondo cobraram providências do poder público para as chacinas e a atuação de grupos de extermínio na periferia da cidade.

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