HOME > Geral

Sem renovação: reeleitos 21 dos 31 deputados federais

Renovação foi um dos lemas que mais se viu e ouviu na campanha eleitoral deste ano; no entanto, a formação da bancada que representará o Rio Grande do Sul na Câmara Federal a partir de 1º de fevereiro de 2015 mostra que o eleitor preferiu, na maioria dos casos, deixar tudo como está; dos 31 deputados eleitos pelos gaúchos, 21 já haviam sido eleitos para o cargo em 2010; outros três eram suplentes na Câmara Federal; e os restantes? a maioria tem uma cadeira na Assembléia Legislativa. Todos tem histórico político

Renovação foi um dos lemas que mais se viu e ouviu na campanha eleitoral deste ano; no entanto, a formação da bancada que representará o Rio Grande do Sul na Câmara Federal a partir de 1º de fevereiro de 2015 mostra que o eleitor preferiu, na maioria dos casos, deixar tudo como está; dos 31 deputados eleitos pelos gaúchos, 21 já haviam sido eleitos para o cargo em 2010; outros três eram suplentes na Câmara Federal; e os restantes? a maioria tem uma cadeira na Assembléia Legislativa. Todos tem histórico político (Foto: Leonardo Lucena)

Ana Ávila, Sul 21 - Renovação foi um dos lemas que mais se viu e ouviu na campanha eleitoral deste ano. No entanto, a formação da bancada que representará o Rio Grande do Sul na Câmara Federal a partir de 1º de fevereiro de 2015 mostra que o eleitor preferiu, na maioria dos casos, deixar tudo como está. Dos 31 deputados eleitos pelos gaúchos, 21 já haviam sido eleitos para o cargo em 2010. Outros três eram suplentes na Câmara Federal. E os restantes? A maioria tem uma cadeira na Assembléia Legislativa. Todos tem histórico político.

Para a cientista política Céli Pinto, é positivo que não haja renovação. “Temos que, definitivamente, acabar com essa história de que mudança é bom, não interessa qual seja”. Para a professora, o novo pode ser o velho de ontem. Ela também defende como vantajosa a trajetória política para os deputados. “É um horror quando alguém chega à Câmara sem trajetória”, diz ela. Na opinião de Céli, toda mudança precisa de sentido. Renovação pela renovação, unicamente, não traz benefícios à sociedade. “A renovação pedida nas ruas em 2013 chama-se Lasier Martins”, disse ela sobre a vitória do candidato ao Senado pelo PDT, sem histórico político.

Já para o cientista político Paulo Moura, desfrutar da estrutura de um gabinete, pago com dinheiro público, é o que faz toda a diferença na pouca alternância de deputados na Câmara Federal. “É muito difícil para quem está de fora, sem estrutura de mandato, conseguir entrar. As campanhas são muito caras”, diz ele, que estima entre R$ 5 milhões e R$ 6 milhões os gastos para eleger um deputado federal. Além disso, Moura afirma que o candidato que já possui um mandato “passa quatro anos em campanha permanente”, deixando os demais em desvantagem. Outro ponto levantado pelo cientista político é o fato de o eleitor se preocupar muito mais com a disputa majoritária, que também recebe mais atenção da mídia. “Estudos mostram que o eleitor só começa a pensar em quem vai votar para deputado na ultima semana. Na reta final, quem tem mais volume de propaganda leva vantagem”, afirma.

O deputado federal mais votado do Estado foi Luis Carlos Heinze, do PP. Ele recebeu 162.462 votos, cerca de 18 mil a menos que na eleição passada, mas o suficiente para ocupar o topo da lista entre os postulantes à uma cadeira na Câmara pelo Rio Grande do Sul. Membro da bancada ruralista, Heinze irá para o seu quinto mandato em Brasília. Antes disso, foi prefeito do município de São Borja. O candidato atribuiu ao trabalho em 16 anos na Câmara o resultado nas urnas: “Tenho um nome honrado e limpo em meio à corrupção e à sacanagem que está por aí”.

Heinze disse ainda que a disputa deste ano foi diferente. “Sofri aquele problema no início. O interesse era me derrotar, mas não conseguiram. As maiorias também se manifestam, não são só as minorias”, afirmou. O problema ao qual o deputado se refere é um vídeo que ganhou popularidade na web em fevereiro, mostrando uma audiência pública ocorrida em novembro de 2013. Na gravação, Heinze afirma: “É ali que estão aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta, e eles têm a direção e o comando do governo”. No mesmo vídeo, o deputado sugere uma ação armada dos agricultores contra os índios.

Alceu Moreira, outro deputado reeleito pelos gaúchos com mais de 150 mil votos, também aparece na mesma gravação. No vídeo, ele defende que os agricultores se defendam em caso de invasão. “Nós, os parlamentares, não vamos incitar a guerra, mas, lhes digo, se fardem de guerreiros e não deixem um vigarista desses dar um passo na sua propriedade. Nenhum! Nenhum! Usem todo o tipo de rede. Todo mundo tem telefone. Liguem um para o outro imediatamente. Reúnam verdadeiras multidões e expulsem do jeito que for necessário”.

O posto de segundo deputado federal mais votado do Estado, com 158.973 votos, ficou com o ex-goleiro do Grêmio Danrlei de Deus. No Instagram, Danrlei agradeceu nesta segunda (06) a votação expressiva. “Agradeço a todos pela confiança e apoio nesta caminhada vitoriosa!!! Obrigado de coração!!!!!”. Em pouco mais de uma hora, o post do candidato acumulava 200 likes e duas dezenas de comentários de incentivo.

O único deputado federal escolhido pelos gaúchos que nunca ocupou um cargo eletivo é Covatti Filho, 27 anos, eleito com 115.131 votos. Apesar de ter como experiência política apenas os quatro anos na presidência da juventude do PP, Covatti Filho cresceu vendo a política acontecer dentro de casa: o pai, Vilson Covatti, é atualmente deputado federal; a mãe, Silvana Covatti, acaba de ser eleita deputada estadual. “Vai ser um desafio gostoso para um jovem de 27 anos que está levando renovação para a Câmara”, disse ele, que se define como um “jovem com experiência”. Perguntado se não é contraditório que se fale tanto em renovação, mas se eleja os mesmos candidatos, Covatti Filho opinou que os políticos, novos e antigos, devem renovar as ideias. “Todo político tem que dar uma refletida e mudar o jeito de fazer política”, disse ele, acreditando que os manifestantes que foram para as ruas em junho do ano passado esperavam por isso.

Na divisão entre os partidos, o PT elegeu oito deputados: Paulo Pimenta, Marco Maia, Henrique Fontana, Maria do Rosário, Dionilso Marcon, Pepe Vargas, Elvino Bohn Gass e Fernando Marroni. O PP garantiu cinco cadeiras na Câmara, que ficaram com: Luis Carlos Heinze, Afonso Hamm, Jerônimo Goergen, Covatti Filho e Renato Molling. Ao PMDB foram destinadas cinco vagas, para: Alceu Moreira, Giovani, Feltes, Osmar Terra, Márcio Biolchi e Perondi. O PDT elegeu três deputados: Giovani Cherini, Pompeu de Mattos e Afonso Motta. O PTB também garantiu três vagas: Luiz Carlos Busato, Sérgio Moraes e Ronaldo Nogueira. Pelo PSB foram eleitos: Heitor Schuch e José Stédile. As outras siglas representadas elegeram um deputado cada: PSDB, Nelson Marquezan Junior; PRB, Carlos Gomes; DEM, Onyz Lorenzoni; PCdoB, João Derly e PSD, Danrlei de Deus.