Senado ou governo? E agora, João Paulo?
O deputado federal João Paulo (PT-PE) tem um dilema pela frente; de um lado, o ex-presidente Lula o escolheu para ser um dos quatro novos senadores que ele pretende eleger a todo custo; de outro, o parlamentar tem conseguido algo até então inédito no PT pernambucano: unir o partido - que está rachado internamente desde as últimas eleições municipais – em torno de uma candidatura própria para disputar o governo do estado; diante das opções, qual caminho seguir?
Paulo Emílio / Pernambuco247 - O deputado federal João Paulo (PT-PE) tem um dilema pela frente. De um lado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o escolheu para ser um dos quatro novos senadores que ele pretende eleger a todo custo. Do outro, o parlamentar pernambucano tem conseguido algo até então inédito no PT pernambucano, conseguir unir o partido - que encontra-se rachado internamente desde as últimas eleições municipais – em torno de uma candidatura própria para disputar o Governo do Estado.
O fato de Lula querer eleger quatro senadores, na marra, conforme noticiado pelo colunista de O Globo, Ilimar Franco (José Guimarães – CE, Fátima Bezerra – RN, Marcelo Déda – SE, e João Paulo – PE), altera significativamente o cenário das eleições pernambucanas em 2014. Com o partido rachado e sem conseguir a união interna, a avaliação é que a legenda deverá se unir a outra sigla visando construir um palanque forte para a reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) e para enfrentar o candidato que deverá ser escolhido pelo governador Eduardo Campos (PSB) para sucedê-lo no Palácio do Campo das Princesas.
A principal opção petista nesta linha seria fechar aliança com o PTB, que tem no senador Armando Monteiro Neto o seu pré-candidato ao Governo do Estado. Como o PTB nacional está alinhado com a reeleição da presidente Dilma, manter esta composição em nível estadual seria o caminho mais fácil e seguro para o PT, que ainda poderia levar a vice em uma chapa resultante desta aliança. Com João Paulo candidato ao Senado, o caminho para uma união entre as legendas é uma possibilidade que se vislumbra como uma grande possibilidade de se tornar realidade. Outra alternativa seria João Paulo ser indicado para vice e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), ser o escolhido para concorrer ao cargo de senador.
Caso o PT faça a opção por uma candidatura própria, a situação tende a se complicar. Não se sabe qual seria a força real de ter dois palanques disputando espaço com o candidato que venha a ser indicado pelo governador, que tem altos índices de aprovação em todas as regiões do Estado. Apesar de ter no ex-prefeito do Recife, João da Costa (PT), o seu maior desafeto político, o nome de João Paulo, que é ligado a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), parece ter conseguido unir os três candidatos a presidente estadual da legenda, Bruno Ribeiro, Teresa Leitão e Edmilson Menezes, em torno do consenso de que é preciso uma candidatura própria para soerguer o PT em nível estadual e fortalecer o palanque dilmista.
De acordo com o jornal Folha de Pernambuco, João Paulo se disse satisfeito em ter o nome cotado para disputar as eleições para governador, mas observou que a meta é cumprir o objetivo maior do PT, que é reeleger a presidente Dilma para um segundo mandato. “Temos que ver qual a melhor estratégia para reelegê-la. Ou com candidatura própria ou apoiando outra candidatura”, disse.
Apesar disto, o petista observa que, caso Campos recue da intenção de se lançar como candidato na corrida presidencial, o cenário estadual poderá sofrer uma nova alteração, o que deixa entreaberta uma possibilidade para que PT e PSB voltem a se unir sob o mesmo palanque.