Senador Walter Pinheiro deixa o PT

No dia em que o governo perdeu apoio do PMDB, maior partido de sua base no Congresso, o PT perde também um representante no Senado, que dará a palavra final sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, caso a Câmara o aprove; o baiano Walter Pinheiro entregou nesta terça-feira seu pedido de desfiliação da legenda; como a eleição para o Senado é majoritária, o eleito é detentor do mandato, o que impede que o PT entre com processo para requerer a vaga

Em discurso na tribuna do Senado, senador Walter Pinheiro (PT-BA)
Em discurso na tribuna do Senado, senador Walter Pinheiro (PT-BA) (Foto: Romulo Faro)

Romulo Faro_Bahia 247 - No dia em que o governo perdeu o maior partido de sua base no Congresso, o PMDB, o PT perde também um representante no Senado. O baiano Walter Pinheiro entregou nesta terça-feira (29) seu pedido de desfiliação da legenda. Ele protocolou também o documento na Justiça Eleitoral.

Apesar de ter grande relevância para o governo num momento de fragilidade, a saída de Walter Pinheiro não foi surpresa para o PT. O senador não escondia suas divergências e seu descontentamento com o partido pelo qual se elegeu em 2010, na chapa majoritária do então candidato Jaques Wagner, que acabou se reelegendo governador da Bahia.

"Vou continuar cumprindo, com todo empenho, a jornada que o povo da Bahia me confiou. Grato aos meus familiares, grato aos parceiros que constroem nosso mandato, grato aos amigos, aos companheiros, ao povo da Bahia e muito, mas muito grato a Deus, que pela sua Graça tem me sustentado. Creio que, como diz o apóstolo Paulo, 'combati o bom combate'. Permanecerei com o trabalho firme e mantendo minha fé que é possível, fé no Brasil, fé na vida", disse o senador.

O PT foi o único partido ao qual Pinheiro foi filiado em toda sua carreira política, iniciada em 1983. O senador não decidiu ainda pela filiação a outra agremiação partidária. Ele foi vereador, deputado federal por quatro vezes e o primeiro senador baiano pelo PT.

Por se tratar de mandato majoritário, o parlamentar tem o direito de cumprir o mandato até o fim, mesmo ficando sem filiação partidária. Walter Pinheiro já estava distante da bancada petista no Senado, não participando mais das reuniões nem da defesa do governo da presidenta Dilma Rousseff.

Pinheiro já esteve à beira da expulsão do PT por duas vezes. A primeira, em 2006, quando ele era deputado federal e disse que sentia vergonha de seu partido por causa do 'mensalão'.

E a segunda foi na campanha de 2014, ao afirmar que "o PT mais uma vez estava pregando peça pra cima" dele no episódio das denúncias da presidente da ONG Instituto Brasil Dalva Sele Paiva, de que a entidade desviava dinheiro para campanhas de petistas na Bahia.

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