HOME > Geral

Setor de apostas rebate estudo sobre impacto no varejo

Associação contesta dados da CNC e afirma que gastos com bets são baixos, enquanto instituto pede transparência metodológica sobre números apresentados

Apostas esportivas (Foto: Joédson Alves / Agência Brasil)

247 - A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) contestou os resultados de um estudo divulgado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), que atribui às apostas on-line um impacto negativo de R$ 143,8 bilhões no faturamento do varejo brasileiro em um período de dois anos. O levantamento também indica que o crescimento das chamadas “bets” teria levado 269 mil famílias à inadimplência.

Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, a ANJL afirma que as conclusões da CNC não refletem os dados oficiais disponíveis nem os indicadores do próprio setor. A entidade argumenta que há inconsistências nas estimativas e defende que o impacto das apostas no orçamento das famílias brasileiras é menor do que o sugerido.

A associação destaca números compilados pela Pay4Fun, apontando que o Brasil teve cerca de 28 milhões de apostadores em 2025. Desse total, mais da metade — 53,3% — gastou até R$ 50 por mês. Para a ANJL, esse perfil de consumo é “incompatível com generalizações sobre grande impacto no orçamento das famílias”.

Dados do setor e contrapontos econômicos

Outro ponto levantado pela ANJL é um estudo da LCA Consultoria Econômica, que estima que os gastos com apostas representam aproximadamente 0,46% do consumo total das famílias no país. Ainda segundo esse levantamento, o gasto líquido médio mensal por apostador seria de R$ 122, o equivalente a cerca de 3,3% da renda desse público.

Esse mesmo estudo é citado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que classificou as conclusões da CNC como alarmistas. O instituto, no entanto, não analisou diretamente o levantamento divulgado mais recentemente pela confederação.

O IBJR se baseia em um material utilizado na justificativa do Projeto de Lei nº 1.808/2026, que propõe a proibição total das apostas de quota fixa no Brasil. Nesse documento, a CNC estima que o varejo deixou de faturar R$ 103 bilhões apenas em 2024, em função do deslocamento de recursos para plataformas de apostas.

Questionamentos sobre metodologia e transparência

De acordo com o instituto, o documento também aponta que os brasileiros teriam direcionado cerca de R$ 240 bilhões às apostas no mesmo período. Diante desses números, o IBJR informou que notificou a CNC solicitando maior transparência metodológica e acesso completo às bases de dados utilizadas no estudo.

O instituto também apresentou dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, para contextualizar o tamanho do mercado. Segundo o órgão, o primeiro ano completo do setor regulado registrou receita bruta (GGR) de R$ 37 bilhões em 2025, valor que considera o total arrecadado pelas empresas já descontados os prêmios pagos aos apostadores.

Na avaliação do IBJR, a comparação entre os números oficiais e as estimativas apresentadas pela CNC reforça a necessidade de esclarecimentos sobre os critérios adotados no estudo que embasa o projeto de lei.