Shopping invade área de nascentes, denuncia Opção
Imagens obtidas pelo jornalista Elder Dias e divulgadas na edição online do semanário Jornal Opção, de Goiânia, mostram as estruturas do Shopping Passeio das Águas sobre o que, em passado recente, eram dois olhos d´água e vegetação ciliar em área de preservação permanente às marges do Córrego Caveirinha; licença ambiental concedida ao empreendimento é objeto de investigação pela CEI da Amma, instaurada na Câmara após a Operação Jeitinho do Ministério Público constatar indícios de corrupção na agência ambiental do município
Goiás 247_ Reportagem do jornalista Elder Dias, do Jornal Opção (leia aqui), mostra que o Shopping Passeio das Águas atropelou a legislação ambiental e está sendo construído em área de preservação na Região Norte, na beira do Córrego Caveirinha. O empreendimento está sendo considerado o maior shopping de Goiânia e deve ser inaugurado no segundo semestre deste ano.
A matéria de Elder é baseada em fotos de satélite que mostram claramente que onde hoje está estrutura da obra havia vegetação característica de regiões alagadiças, também conhecida como brejo.
“Pela legislação ambiental e pelo Plano Diretor de Goiânia (artigo 106), o local é considerado área de preservação permanente (APP). Prevê-se, para tais áreas, uma proteção mínima de 100 metros no raio a partir de nascentes, visando proteger a faixa de “afloramento do lençol freático” — expressão técnica usada para designar uma área de brejo”, diz trecho da reportagem no Jornal Opção.
O caso do Shopping Passeio das Águas remete aos escândalos de corrupção na Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), descobertos pela Operação Jeitinho, do Ministério Público, e que resultou na prisão do vereador Paulo Borges (PMDB). A licença obtida pelo shopping é objeto de investigação da CEI da Amma, que corre a passos lentos na Câmara Municipal.
“Segundo informações repassadas pelos órgãos competentes, o shopping obteve todos os documentos necessários à consecução da obra, inclusive a licença ambiental. Foi firmado um termo de ajustamento de conduta (TAC) com o Ministério Público, pelo qual a empresa responsável pagou uma compensação ambiental para um parque ambiental, que está previsto para ser construído no Jardim Nova Esperança, na região noroeste de Goiânia”, afirma o jornalista Elder Dias.
Elder ainda lembra que, na época do acordo, o presidente da Amma era o vereador licenciado Mizair Lemes, que não pôde se recandidatar por ter sido enquadrado pela Lei da Ficha Limpa.
“A principal base de Mizair é aquele bairro e o então presidente da Amma deixou seu capital político para o filho Mizair Lemes Jr., eleito vereador no lugar do pai, no ano passado”, finaliza o jornalista.
