Simões Filho, a "capital da morte"

Reportagem do UOl revela que, no Mapa da Violência 2012, a cidade da região metropolitana de Salvador, aparece com a maior taxa de homicídios do país; com 118 mil habitantes, a cidade registrou, em 2010, índice de 146 assassinatos por cada 100 mil, quase seis vezes mais que a média nacional (de 26,2 por 100 mil) e mais que o dobro do país mais violento do mundo, El Salvador, que tem índice de 71 mortes para cada 100 mil moradores; candidatos, inclusive o atual prefeito que tenta reeleição, Eduardo Alencar (PSD), aproveitam para fazer diversas propostas; algumas para lá de entusiastas

Simões Filho, a "capital da morte"
Simões Filho, a "capital da morte" (Foto: Edição/247)

Bahia 247

O município de Simões Filho vem chamando atenção, em nível nacional, na última década, pelas suas elevadas taxas de violência. Diante da gravidade da situação, como não poderia deixar de ser, os candidatos à prefeitura fazem a festa e prometem resolver os problemas que tanto afligem a população tão lohgo sejam empossados (quem vencer a eleição), no dia 1º de janeiro de 2013, como num passe de mágica.

O atual prefeito de Simões Filho e candidato à reeleição é Edurado Alencar, irmão do vice-governador e presidente do recém-criado PSD na Bahia, Otto Alencar. Ele diz que a fama de "capital damorte" é "injusta".

Edurado Alencar não conseguiu resolver as mazelas da cidade nos últimos quatro anos, como prefeito, mas promete dar um jeito no próximo mandato, se conseguir se reeleger. Em seu plano de governo está, por exemplo, a proposta de criar a "segurança pública inteligente."

"Fortaleceremos ainda mais a segurança municipal inteligente, com muito ativismo, novas tecnologias, com cooperação total entre os governos do Estado e Federal", diz, sem citar detalhes. O prefeito também promete, de forma genérica, "promover ações setoriais com influência direta e indireta na busca da segurança e prevenção à violência."

Entre as propostas, algumas chamam a atenção pela dificuldade na concretização, com observou a reportagem do UOL. O candidato Jorge Sales (PCdoB) tem no plano um "eixo de governo" em que trata exclusivamente de segurança e direitos humanos. Ele promete atuar na prevenção, com sistema de vigilância por câmeras (já existente na cidade), regulamentação do funcionamento dos bares e até a criação de "policiamento escolar".

Já o candidato Dinha (PMDB) propõe a criação da Diretoria do Controle do Patrimônio Público e Prevenção da Violência, que seria responsável pela coordenação da política municipal de prevenção da violência. Dinha também que criar a Lei do Conselho Municipal de Segurança Pública, que integraria os órgãos municipais, sociedade civil e polícias estaduais para "estabelecer diretrizes para ação preventiva da violência na cidade".

Capital da desova?

Para especialistas ouvidos pelo UOL, Simões Filho enfrenta um problema conhecido como "interiorização da violência", que assolou cidades de médio porte nos últimos anos. Mas as autoridades fazem coro para questionar a fama de "capital da morte".

Segundo toda a cúpula de segurança, parte significativa dos assassinatos catalogados não são de moradores da cidade, mas sim, "desovas" de corpos. Ou seja, corpos de vítimas de homicídio que são despejados na região por criminosos, especialmente de crimes ocorridos em Salvador.

Dois fatores são apontados como cruciais para o número de desovas: as áreas de matagal e sem iluminação do Centro Industrial de Aratu e os inúmeros acessos do município as cinco cidades com quem tem limite, entre elas Salvador.

A preocupação da cidade com a má fama é tamanha que várias ações foram tomadas para mapear e conter as desovas. "Por conta desse mapa perdemos 14 indústrias que iriam se instalar em Simões Filho e não vieram mais", conta uma funcionária da prefeitura.

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