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Sortudos ou sovinas?

Professor da FGV e especialista em finanças comportamentais mostra, online e de graça, que não é preciso ser nenhum dos dois para ter a vida financeira em ordem. Em vez do devaneio de ganhar na loteria, sonhos são usados como incentivo

Sortudos ou sovinas? (Foto: Shutterstock)

Luciane Macedo _247 - Ter dinheiro, para quem não tem ou está sempre no limite, é quase sempre um motivo de interrogação em relação ao outro. As especulações começam, e dá-lhe asas à imaginação para justificar a boa condição que "só o outro pode ter". O mais comum é que as pessoas pensem em sorte ou sacrifício.

Quem tem dinheiro deve ser muito sortudo: ou tem um salário muito bom, ou recebeu uma herança de família, ou acertou na loteria. Outra noção prevalente sobre as pessoas que têm uma boa vida financeira é a de que elas não gastam dinheiro jamais. Elas só têm dinheiro porque abrem mão do consumo e se privam de todo tipo de gastos prazerosos, como o lazer ou uma novidade. São os famosos sovinas, que devem ter uma vida muito sem graça, e escapam da inveja financeira direcionada aos sortudos.

Mas nenhum destes estereótipos faz jus à realidade da esmagadora maioria quando o assunto é ter dinheiro. É o que mostra o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fabio Gallo Garcia. Em curso gratuito online, ele indica os caminhos para abandonar mitos, preconceitos e devaneios sobre dinheiro, e substituir tudo isso pela realidade palpável dos "com dinheiro".

Para bancar uma vida financeira no azul, basta que qualquer pessoa se pergunte: "Quanto vale o meu sonho"?

Se um atleta sonha com a medalha de ouro, e se esforça para conquistá-la, também os "sem dinheiro" devem se perguntar se os seus sonhos valem ou não o empenho de se adotar novas práticas na lida diária com o dinheiro -- um esforço mínimo, se comparado ao do atleta.

Assim como a medalha move o atleta, fazendo com que a disciplina dos treinos e da alimentação se transformem em uma rotina normal, e não um esforço penoso que ele "tem que fazer", também as pessoas podem usar os sonhos como energia e incentivo para progredir na vida financeira. E, conforme o atleta avança nos treinamentos, melhorando sua performance, ele se sente ainda mais motivado na rotina diária -- a mesma lógica pode ser aplicada ao lidar com o dinheiro.

Especialista em finanças comportamentais, o professor da FGV sabe "onde a coisa pega", e guia o internauta como uma espécie de personal trainer das finanças. Tudo começa com o perfil: há que se descobrir, primeiro, que tipo de "gastador" é você, o que pretende e quais são as suas dificuldades atuais ao tratar com o dinheiro que ganha.

A partir do perfil, o curso mostra a melhor forma de organizar o orçamento segundo as metas e objetivos de cada um, como lidar com o endividamento ou com imprevistos, como a perda de um emprego. Um dos benefícios do planejamento financeiro, além de estar precavido no caso de uma emergência e ter dinheiro guardado para o futuro, é justamente o consumo, ninguém precisa fechar a mão no presente.

E para quem ainda não entendeu como uma compra, com parcelas pequenas a perder de vista e "sem juros", pode se transformar em uma bola de neve de dívidas, a aula online também promete ser esclarecedora, e mostra como quebrar o círculo vicioso do "compra, não paga, compra mais". O planejamento é também pontuado passo a passo -- afinal, atleta não treina sozinho ou com o que ele acha que tem que fazer. Saiba o que é, quando e como fazer esse planejamento.

Um dos exemplos práticos do curso faz uma diferença entre metas (que devem ser alcançadas no meio do caminho) e o objetivo (como a compra de uma casa).

Se a meta do atleta é subir no pódio olímpico, ele sabe que terá quatro anos para se preparar, atingindo metas ao longo do caminho, ou seja, ganhando outras competições. Como ele vai percorrer esse caminho? Obviamente, não será de qualquer jeito ou "se ganhar, ganhei". Outro ponto importante é ter flexibilidade: a vida do atleta não será livre de contratempos, mas isso não significa que ele vai desistir.

Assim, se a casa custa R$ 150 mil (valor) e o objetivo é comprá-la daqui cinco anos (prazo), o planejamento financeiro deve estabelecer metas ao longo deste período -- e os juros sobre juros ajudarão o dinheiro poupado ou investido periodicamente a crescer.

O curso é interativo, questiona o internauta à medida que avança, e traz resumos curtos com os principais pontos a serem fixados entre as unidades de cada módulo. Caso não consiga avançar em algum teste, clique no botão "corrige".

Para quem precisa de ajuda para colocar o que gasta na ponta do lápis, não faltou a velha e boa planilha, que pode ser facilmente adaptada ao gosto do freguês. Melhor ainda é descobrir quantos dias de trabalho são necessários para pagar uma conta qualquer, um incentivo e tanto para colocar as finanças pessoais sob nova perspectiva.

Gallo mostra, ainda, como envolver e engajar a família inteira na busca das metas e objetivos, distribuindo papéis importantes: quem vai ser o organizador, quem vai ficar encarregado de pagar todas as contas, quem vai manter tudo em ordem. Assuntos como a divisão de despesas entre o casal e dilemas como o da conta conjunta e da mesada dos filhos também são abordados. Assim como o atleta não trabalha sozinho, a família precisa ser uma equipe para o sucesso financeiro.

Acesse a página dos cursos gratuitos da FGV e clique em "Como organizar o orçamento familiar" -- que não tem 5h de duração, e pode ser feito, com toda atenção, em pouco mais de uma hora.