Tarso deixa governo para se dedicar à campanha
Governador do Rio Grande do Sul, candidato à reeleição, licenciou-se do cargo pelos próximos 20 dias — até as eleições; Tarso Genro afirmou que irá se “dedicar totalmente à campanha, viajar muito pelo interior, e governo do Estado vai ser tocado com muita tranquilidade”; pela ordem constitucional, o desembargador José Aquino Flôres de Camargo, presidente do Tribunal de Justiça do Estado, assume o governo de forma interino; “O Rio Grande do Sul não pode retroceder. Agora, saiam da frente”, disse o petista
Débora Fogliatto, Sul 21 - O governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) licenciou-se do cargo pelos próximos 20 dias — até as eleições — para se dedicar à campanha. Pela ordem constitucional, o desembargador José Aquino Flôres de Camargo, presidente do Tribunal de Justiça do Estado, assume o governo a partir desta segunda-feira (15) de forma interina. A sucessão colocou Aquino no cargo pois o vice-governador Beto Grill (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa Gilmar Sossella (PDT) estão impedidos de concorrer pois são candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente.
Em cerimônia no Palácio Piratini nesta manhã, Tarso e Aquino destacaram a afinidade dos poderes Executivo e Judiciário nessa gestão de governo. "O senhor é um presidente respeitável, que orgulha o Judiciário gaúcho. Sei que o Estado estará em excelentes mãos, se eu tivesse alguma dúvida não me licenciaria", afirmou Tarso, reiterando que sua equipe está à disposição do governador interino.
O desembargador, em breve pronunciamento durante a cerimônia de posse no gabinete do governador, destacou que a confiança se deve à “história e credibilidade do Judiciário gaúcho”. “A lealdade e transparência sempre caracterizaram nossa relação com a gestão. A minha posse escancara a absoluta harmonia entre os poderes”, disse Aquino, reiterando que é seu dever “assegurar que atividades tenham pleno funcionamento” e que esta é uma “oportunidade ímpar para promover a tolerância e respeitar diferenças”.
Em pronunciamento à imprensa após a posse, Aquino falou sobre sua postura em relação às ocupações e reintegrações de posse que estão acontecendo em Porto Alegre, afirmando que a postura da Brigada Militar será a de “respeitar ordens judiciais”. Ele também destacou que é papel do Estado buscar soluções para as famílias que sejam despejadas. Sobre a demanda da criação de uma vara especializada no TJ para tratar das questões de moradia, o desembargador afirmou que isso continua sendo estudada pela Corregedoria. “Existem prós e contras, isso deixa muito no foco um ou outro juiz, o que poderia ser negativo, mas traria especialização e maior conhecimento de técnicas indicadas para esse tipo de situação. O Judiciário trabalha muito com mediações de conflito”, apontou.
Sobre seus projetos para o período em que ficará no comando do poder Executivo, Aquino demonstrou tranquilidade. “Minha postura é manter a regularidade e as políticas públicas que foram determinadas, isso significa respeitar o que foi colocado pelo atual governo. Não significa que vamos nos omitir de decisões caso seja necessário, mas isso resultará sempre de um consenso”, afirmou, destacando que preza pela “busca da harmonia”. O desembargador levará uma equipe de cerca de dez pessoas com ele para o Piratini.
Do governo à campanha
Tarso foi saudado por militantes e políticos que o aguardavam na porta do Palácio Piratini, de onde saiu já licenciado para fazer campanha. Para a imprensa, ele assegurou que irá se “dedicar totalmente à campanha, viajar muito pelo interior, e governo do Estado vai ser tocado com muita tranquilidade”.
Ele também falou da situação da moradia, que afirmou que deve ser tratada caso a caso e acreditar que “doutor Aquino vai conseguir tocar com muita naturalidade”. “Ele é um homem muito preparado e que vem acompanhando essas questões no poder Judiciário, vai ter sabedoria e tranquilidade de resolver isso de maneira adequada”, ponderou.
Questionado sobre as recentes informações de que sua principal adversária, a candidata Ana Amélia Lemos (PP), havia exercido um cargo de confiança no gabinete de seu marido enquanto trabalhava na RBS em Brasília nos anos 1980, Tarso disse que considera “simbólico e importante ver como a pessoa trata em cargos públicos para chegar ao debate que está realizando”, mas que se ela trabalhou ou não é uma explicação que ela “vai ter que dar para a população”. Para ele, a questão passa pelos projetos de governo de cada um. “Debate que estamos propondo não é sobre cargos de confiança, é sobre enfoque que os candidatos têm a respeito do setor público. Quando ele é discursivo é uma coisa e na trajetória da pessoa em si pode ser outra”, ponderou, lembrando que a candidata defende a redução dos gastos públicos.
