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Tarso: Lava Jato criou Constituição paralela

O ex-governador Tarso Genro, que foi ministro da Justiça no governo Lula, avalia que a Lava Jato assumiu "uma dimensão fundamentalmente política contra uma facção da sociedade"; segundo ele, a operação seria saudada pela sociedade se buscasse atingir a corrupção de todo o sistema político – e não apenas do PT. "É nítido nas investigações e nas declarações do juiz Moro. Primeiro apontam uma pessoa, depois tratam de produzir provas contra ela. Isso é um procedimento de exceção à margem da legalidade constitucional. Está gerando um direito paralelo, uma Constituição paralela"

2014.10.30 - Porto Alegre/RS/Brasil - Entrevista exclusiva com o governador Tarso Genro. | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21.com.br (Foto: Leonardo Attuch)

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247 – Em entrevista ao jornalista Bernardo Mello Franco, o ex-ministro da Justiça e ex-governador Tarso Genro avalia que a Operação Lava Jato criou uma Constituição paralela no Brasil.

"O Ministério Público e a Polícia Federal devem investigar toda suspeita de corrupção. Este sentido da Lava Jato é estratégico para o país. Nós sabemos que temos um processo de corrupção sistêmica na política brasileira que vem de décadas", diz ele.

"O outro aspecto da Lava Jato é que ela tomou uma dimensão fundamentalmente política contra uma facção da sociedade. É nítido nas investigações e nas declarações do juiz Moro. Primeiro apontam uma pessoa, depois tratam de produzir provas contra ela. Isso é um procedimento de exceção à margem da legalidade constitucional. Está gerando um direito paralelo, uma Constituição paralela."

Tarso afirmou ainda que a concepção do juiz Sergio Moro é herdeira da filosofia política que fez brotar o nazismo. "Certamente isso será revisto no futuro. Essa concepção do Moro está inscrita na filosofia política de um jurista do nazismo, Carl Schmitt. É o império que o Estado deve ter sobre a lei, inclusive descartando os procedimentos legais. Esse é o grande problema que estamos enfrentando hoje com essa desnecessária condução do ex-presidente Lula para depor", diz ele.

"O Ministério Público tem o direito de ouvir o presidente Lula, como já ouviu várias vezes, mas o que está ocorrendo é a afirmação de uma Constituição de fato, em que os direitos individuais começam a ser violados. Isso é perigoso para a democracia e pode comprometer a própria finalidade da Lava Jato. Se esses elementos forem apreciados por uma instância superior, todos os processos são anulados."

Leia, aqui, a íntegra.

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