Telê na telona

Documentrio traa perfil de um dos maiores tcnicos da histria do futebol brasileiro com base em depoimentos de familiares, amigos e parceiros

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Por Letícia Moreli_247 – Duas jornalistas apaixonadas por futebol empunharam uma câmera e resolveram encarar o desafio de entrar nas entranhas dos gramados, este universo ainda bastante masculino. A missão por elas estabelecida era contar em filme a vida de um baluarte do esporte brasileiro, considerado por muitos o melhor técnico da Seleção Brasileira em toda a sua gloriosa história, o mineiro Telê Santana.

O documentário “Telê Santana: Meio século de Futebol Arte”, produzido e dirigido por Ana Carla Portella e Danielle Rosa, traça o perfil do mineiro Telê Santana da Silva (1931-2006) – desde os tempos em que se tornou o Fio de Esperança da torcida do Fluminense, por seu talento e dedicação, até a vitoriosa carreira como treinador no Atlético Mineiro, Palmeiras, Grêmio, São Paulo e na equipe canarinha. Sua segunda passagem pelo Tricolor paulista, entre 1990 e 1995, domina boa parte da produção, o que é mais do que compreensível, pois naquele período, entre outros títulos, Telê levou sua equipe a se sagrar bicampeão mundial e da Taça Libertadores da América.

Recheado de depoimentos e imagens de arquivo, o filme é fruto de um trabalho de conclusão de curso desenvolvido pelas jornalistas em 2005, que começou como curta-metragem e virou um longa de 70 minutos. “Fizemos uma pesquisa muito grande, listamos nomes de quase todos os jogadores que trabalharam com ele e estes nos levaram a outras entrevistas”, detalha a diretora Ana Carla Portella. Ao todo, as jornalistas fizeram 80 entrevistas, somando 64 fitas. “Partimos de algumas histórias que já eram de nosso conhecimento para ir atrás das fontes. Falamos com Renato Gaúcho, sobre o corte na Copa de 1986, e com outros que conviveram de perto com o mestre”, disse. Entre as personalidades de peso que aparecem no vídeo estão Zico, Júnior, Sócrates, além de técnicos e jogadores que enfrentaram os times dirigidos por Telê, como Nelsinho Batista, Wanderley Luxemburgo, Marcelinho Carioca, Roberto Dinamite e Muricy Ramalho.

“Ao todo, levamos seis anos para produzir o filme. E sem patrocínio. Duas mulheres entrando num mundo praticamente masculino, com uma câmera na mão, correndo atrás das pessoas para saber a histórias delas com Telê”, conta. Por sorte e esforço, as moças conseguiram reunir depoimentos exclusivos colhidos nas mais inusitadas situações. “Leonardo (técnico da Internazionale de Milão) esteve três dias no Brasil, em 2008, e com muito insistência consegui pegá-lo. Com o Zico eu falei no Maracanã, no Jogo das Estrelas. Fui a única jornalista que teve acesso ao vestiário nesta ocasião”, orgulha-se.

Os pontos altos do filme são os depoimentos de Luís Carlos de Oliveira Preto, o Pintado, e Giullite Coutinho. Ex-volante do São Paulo, Pintado, se emociona ao relembrar do velho mestre, ao passo que Coutinho, ex-presidente da CBF, conta como Telê foi escolhido para assumir, em 1989, o comando da Seleção Brasileira. “Esta foi uma das últimas entrevistas que Coutinho concedeu, antes de falecer, em 2009”.

Telê Santana: Meio Século de Futebol Arte foi apresentado em primeira mão no ano passado durante a primeira edição do Festival CineFoot, realizado no Rio de Janeiro. Na sessão, estiveram presentes os dois filhos de Telê, Renê e Sandra, além de dona Ivonete (esposa), que assistiu ao documentário de mãos dadas com Ana Carla. “Ao final, ela chorou e disse para gente que não tinha palavras para dizer o que fizemos pelo seu marido'”, emociona-se a diretora.

Realmente o documentário vem em boa hora homenagear Telê, que completaria 80 anos em 26 de julho deste ano. O filme será apresentado em sessão única no dia 2 de maio, no cine Reserva Cultural, em São Paulo, às 21h30. Entre as presenças confirmadas estão André Ribeiro, autor da biografia de Telê Santana “Fio de Esperança”, o ex-meia Palhinha, o ex-presidente do São Paulo Fernando Casal De Rey, e o jornalista Mauro Beting.

 

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