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Tocantins incentiva cultivo de grãos para biocombustíveis

Com o tema da 15ª edição da Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins) focado na cadeia produtiva de grãos, uma parceria entre a Unitins e a Embrapa tem estimulado pequenos produtores e agricultores familiares para a comercialização de grãos visando a produção de biocombustível; iniciativa já tem resultado; empresa localizada na região central do Estado já possui 24 pequenos produtores e agricultores familiares cadastrados para entrega de soja por meio do Selo Combustível Social; para este ano, está prevista a comercialização de 90 mil toneladas de soja oriundas de pequenos produtores tocantinenses

Com o tema da 15ª edição da Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins) focado na cadeia produtiva de grãos, uma parceria entre a Unitins e a Embrapa tem estimulado pequenos produtores e agricultores familiares para a comercialização de grãos visando a produção de biocombustível; iniciativa já tem resultado; empresa localizada na região central do Estado já possui 24 pequenos produtores e agricultores familiares cadastrados para entrega de soja por meio do Selo Combustível Social; para este ano, está prevista a comercialização de 90 mil toneladas de soja oriundas de pequenos produtores tocantinenses (Foto: Aquiles Lins)

Tocantins 247 - Com o tema da 15ª edição da Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins) focado na cadeia produtiva de grãos, estudos desenvolvidos pela Fundação Universidade do Tocantins (Unitins), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), apontam uma nova vertente na produção de grãos no Estado.

Desta vez, o público alvo são pequenos produtores ou agricultores familiares para a comercialização de grãos visando a produção de biocombustível.

De acordo com informações do governo do Estado, uma empresa localizada na região central do Estado já possui 24 pequenos produtores e agricultores familiares cadastrados para entrega de soja por meio do Selo Combustível Social. O Decreto nº 5.297, de 6 de dezembro de 2004, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), permite ao produtor de biodiesel ter acesso às alíquotas de PIS/Pasep e Cofins com coeficientes de redução diferenciados para o biodiesel, desde que haja um percentual de 15% de matéria-prima oriunda da produção dos agricultores familiares. De acordo com a empresa, para este ano, está prevista a comercialização de 90 mil toneladas de soja oriundas de pequenos produtores tocantinenses.

Segundo o pesquisador da Unitins, o professor Tadeu Teixeira Júnior, durante a realização da Agrotins, várias atividades serão desenvolvidas visando a transferência de tecnologia e conhecimentos, como palestras, visitas a unidades demonstrativas, além de um circuito temático focado no melhoramento da cadeia produtiva de grãos. "Nosso objetivo é que as nossas pesquisas, nossos trabalhos, cheguem ao agricultor", ressaltou. Conforme o pesquisador, empresas produtoras de biocombustível presentes no Tocantins buscam a comercialização de soja produzida por pequenos produtores e agricultores familiares para isso. Ainda neste ano, será implantada uma unidade demonstrativa de soja em Projetos de Assentamento (PA) em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins).

Novos negócios

O pequeno produtor José Poli, agricultor no município de Cristalândia, a 165 km de Palmas, optou por investir no plantio de cerca de 80 hectares de sua propriedade, em parceria com seu irmão, Juraci Poli. De acordo com o produtor, esta é a segunda vez que eles investem no segmento de grãos, cuja colheita da safra já possui destinação à indústria de biocombustível. Para José Poli, o maior incentivo para o plantio foi o preço pago no valor da saca. "Além do valor pago ser maior, a proximidade com a indústria reduz gastos com transporte", afirmou.

Já o pecuarista Gustavo Costa Lima, por meio de assistência técnica do Ruraltins, optou por realizar plantio de soja no município de Pium, a 181 km de Palmas. Segundo ele, visando melhorar o solo para novo plantio de capim, ele vai cultivar soja em 75 hectares em sua propriedade localizada naquele município e afirma que vai vender a produção para empresas produtoras de biocombustível. "Vamos iniciar o plantio no final do ano, mas já estamos discutindo com a empresa sobre a comercialização de toda a safra", afirmou.

De acordo com o analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa no Estado, Cláudio França Barbosa, todo o planejamento no meio rural para se conduzir um cultivo necessita de planejamento que envolve análise de risco, técnico e comercial. Segundo o analista, estudos realizados em pequenas propriedades apontaram o plantio de soja para a comercialização interna visando a produção de biocombustível, como também a comercialização no mercado externo. "Hoje, nós temos propriedades em que fizemos análises de risco de agricultores familiares e tivemos resultado positivo na análise de risco no cultivo de soja, em relação a outras culturas. O que tem se percebido é um aumento de área plantada e produtores interessados em plantar soja. Pelo ritmo que temos acompanhado é provável que o Tocantins ultrapasse o volume de produção do oeste baiano até 2016", afirmou.

Etanol de batata doce

Outra alternativa na produção de biocombustível foi apresentada pela Universidade Federal do Tocantins, que inaugurou uma usina de etanol de batata-doce e lançou o Programa de Produção de Etanol Social da Amazônia, em parceria com a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

A usina tem capacidade para produzir três mil litros de combustível por dia. A parceria com a Sudam vai permitir o estabelecimento da Amazônia como produtora de Etanol, de forma sustentável e socialmente inclusiva. Além da produção do Etanol e seus derivados - que vão desde biogás até bebidas e compostos cosméticos, o processo de geração do álcool a partir da batata-doce gera ainda resíduo rico em proteína, que pode ser utilizado na alimentação de bovinos, ovinos e suínos. (Com informações da Secom)

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