Tourinho Neto defende a liberdade de Cachoeira
Juiz que concedeu seu habeas corpus afirma que o contraventor não representava ameaça à ordem pública e que, por isso mesmo, decidiu soltá-lo
247 - Carlos Cachoeira, pivô da Operação Monte Carlo, representa uma ameaça à ordem pública? Segundo o desembargador Tourinho Neto, que concedeu seu habeas corpus, a resposta é não. Por isso mesmo, decidiu soltá-lo.
Em entrevista ao jornalista Frederico Vasconcelos, da Folha, ele defendeu sua decisão no caso. "Geralmente, dou mais habeas corpus do que nego. Entendo que a prisão preventiva só deve ser decretada quando estritamente necessária. Como antecipação de pena, sou contra", afirmou.
Tourinho Neto também questionou a legalidade dos grampos realizados contra Cachoeira – que, por ironia, era especializado em grampear ilicitamente. "O juiz não fundamentou a decisão. Só pode haver a interceptação quando não há outro meio de investigar", disse o desembargador.
Acusado de ter praticado improbidade pelo juiz Alderico Rocha Santos, responsável pelo caso, ele reagiu. "Entrei com queixa-crime e reclamação perante a corregedoria. Ele disse que eu estava favorecendo Cachoeira".
Na entrevista, Tourinho Neto também questionou a postura da ex-corregedora Eliana Calmon. "Quando ela afirmou que havia "bandidos de toga", desmoralizou a Justiça. Eliana estava "abafando" [risos]. Ela é fantástica. Ninguém ousava falar contra Eliana. Nem a imprensa", afirma.
Prestes a se aposentar, ele pretende voltar a advogar em Brasília.