Uma injustiça da OJC. E uma injustiça contra a OJC

Pode parecer que, se é pra entrar sozinha nos dois maiores fóruns de discussão da propaganda, a Organização Jaime Câmara topa. Quando tem de dividir espaço com os concorrentes, o que é democrático e moderno, não

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A Organização Jaime Câmara preferiu em 2012 ficar de fora dos dois maiores eventos da propaganda de Goiás, a Semana de Comunicação da PUC-GO e o Intermídias, da UFG/Contato. Até aí ok, pois ninguém tem obrigação de apoiar o que não quer e tudo na área de marketing acontece em Goiás, com ou sem a presença deste que é merecidamente o maior grupo de comunicação do Centro-Oeste. Nenhum dos dois congressos precisa da OJC para se realizar, mas qualquer promotor de evento em Goiás faz questão da presença dela como parceira e peça importante no desenvolvimento do mercado de comunicação goiano.

A OJC tem se apresentado como uma empresa preocupada com Goiás. Promove eventos próprios, se envolve com a sociedade e adotou recentemente uma postura jornalística crítica e independente. Em uma palavra: evoluiu. Essa melhoria, entretanto, não passou pelo apoio aos dois maiores fóruns de discussão da propaganda no Estado. Pode parecer que, se é pra entrar sozinha, a Organização topa. Quando tem de dividir espaço com os concorrentes, o que é democrático e moderno, não.

Tal postura é o oposto do que a OJC demonstra diariamente. É correto ouvir os bairros sobre suas necessidades principais, mas não seria também certo apoiar a Semana de Comunicação e o Intermídias nas discussões do mercado publicitário que, afinal, sustenta financeiramente a própria empresa? Não seria esse o momento ideal para se unir à concorrência e mostrar que a OJC poderia ser a indutora de novas soluções e ideias, para além das guerras de audiência, para além do egoísta interesse próprio? E como fica a imagem da OJC perante os publicitários, quando ela prefere não participar de um evento promovido pelas duas maiores universidades formadoras de mão-de-obra da comunicação, e chancelado por todas entidades da propaganda, como Abap-GO, Sinapro-GO e Grupo de Mídia, sem falar na Associação Goiana de Imprensa?

Goiás é um só para todo mundo. Um Estado pequeno, periférico, problemático e muitas vezes injusto. Temos de nos ajudar, de pegar na mão um do outro para crescer. Somos tão incipientes que, um ano e meio após ser eleito, o governador Marconi Perillo não conseguiu colocar um segundo no ar a sua promessa de campanha, a TBC News, o projeto de se ter um canal de notícias 24 horas por dia apenas com notícias de Goiás, na TV Brasil Central. Procurada para falar do assunto, a diretora de Telerradiodifusão da Agência Goiana de Comunicação (Agecom), Maria Abadia Lima, disse que não concederia a entrevista agora porque as mudanças e a própria criação da nova emissora ainda estavam em andamento. E pediu um novo contato em um mês. Ora, o governo de Goiás demorou um ano e meio para não sair do lugar com o projeto e provavelmente não será daqui a 30 dias.

Além do mais, Marconi e seus assessores de comunicação têm problemas maiores. Sem dinheiro, sem condições e sem criatividade para entregar boas notícias, a comunicação de Marconi foi notícia ao se indispor com os próprios comunicadores. Em abril, o governo soltou nota oficial contra (ora, vejam) a Organização Jaime Câmara, pela cobertura do caso Carlinhos Cachoeira e o envolvimento deste com o governador Marconi Perillo. É louvável que pela primeira vez o governo estadual tenha a coragem de se pronunciar publicamente contra o maior grupo de comunicação do Centro-Oeste. Como estratégia para demonstrar que nada teme, deu certo. Mas foi uma injustiça à cobertura correta do jornal O Popular e da TV Anhanguera.

Sinal de que a injustiça, quando fere, fere sempre dos dois lados.

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