Veja o que já se sabe sobre mistério envolvendo professor brasileiro encontrado morto em Buenos Aires
Natural de Goiás, Danilo tinha uma trajetória acadêmica consolidada
247- A morte do professor brasileiro Danilo Neves Pereira, de 35 anos, em Buenos Aires, na Argentina, segue cercada de dúvidas e mobiliza familiares e amigos em busca de esclarecimentos. O caso ganhou repercussão após ele desaparecer ao sair para um encontro e ser encontrado morto horas depois de dar entrada em um hospital. As informações foram divulgadas pelo g1.
Natural de Goiás, Danilo tinha uma trajetória acadêmica consolidada. Formado em Letras pela Universidade Federal de Goiás, atuou por mais de uma década como professor de inglês no Centro de Línguas da instituição. Também era escritor, autor de obras como “Dividir-me-ei em três e outros contos” e “Intimidades do palco”, além de realizar performances como drag queen, sob o nome artístico Zelda. Nos últimos anos, cursava doutorado em Linguística Aplicada na Universidade Federal do Rio de Janeiro e estava na Argentina para aprimorar o espanhol.
O desaparecimento ocorreu no dia 14 de abril, quando Danilo saiu do local onde estava hospedado, na Rua Esmeralda, em direção à Avenida de Mayo, onde encontraria uma pessoa conhecida por meio de um aplicativo de relacionamentos. Segundo relatos de amigos, ele chegou a trocar mensagens antes do encontro, mas não fez mais contato depois disso.
Durante cerca de cinco dias, familiares e amigos o consideraram desaparecido, sem saber que ele havia sido atendido em uma unidade de saúde. No dia 15 de abril, Danilo deu entrada no Hospital Ramos Mejía, onde morreu poucas horas depois. O corpo foi registrado inicialmente como “não identificado”, o que atrasou a comunicação oficial à família.
De acordo com relatos obtidos pela imprensa, o homem com quem Danilo teria se encontrado afirmou que houve um desentendimento entre os dois, após o qual o professor deixou o local. Em mensagens, ele declarou: “Ele se vestiu e saiu. Acompanhei-o até a porta. Fora da minha casa há muita segurança”. Ainda segundo apuração, o homem teria descrito o brasileiro como “bipolar ou paranoico”.
A confirmação da morte só chegou à família dias depois. O pai de Danilo recebeu a informação na segunda-feira (20), quando o corpo já estava no hospital. Agora, os familiares organizam os trâmites para o reconhecimento e repatriação. A previsão é de que o pai viaje a Buenos Aires para dar início ao processo e viabilizar o traslado para Goiânia, onde ocorrerão o velório e o sepultamento.
Apesar das informações já conhecidas, pontos centrais do caso seguem sem resposta. A principal dúvida da família diz respeito à forma como Danilo chegou ao hospital. A mãe, Sandra Pereira da Silva, questiona se ele foi levado por alguém ou se conseguiu chegar por conta própria. “Minha pergunta para as autoridades da Argentina é quem levou o Danilo para o hospital? Como ele chegou até lá, se dizem que faleceu horas depois de dar entrada no hospital”, afirmou.
Além disso, a causa da morte ainda não foi oficialmente esclarecida, e a família aguarda a conclusão do laudo médico. Amigos também relatam dificuldades para obter informações junto às autoridades locais, recorrendo à imprensa argentina para acompanhar o caso.
O Itamaraty informou que o Consulado do Brasil em Buenos Aires foi acionado e presta assistência à família. Até o momento, não houve retorno oficial da Adidância da Polícia Federal na capital argentina sobre o andamento das investigações.
Enquanto aguardam respostas, familiares e amigos de Danilo Neves mantêm a cobrança por esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte, que permanece envolta em incertezas.