Venâncio: "Governo atual assinou certidão de óbito da citricultura”
"Boquim, a terra da laranja, já foi responsável pela geração de mais de 100 mil empregos naquela região e as pessoas tinham uma qualidade de vida excelente. Quem ontem tinha oportunidade de colocar seus filhos em colégios de Aracaju, hoje teve que leva-los de volta para o interior porque não têm mais condições de pagar. A realidade de Boquim hoje é de cortar o coração. O povo empobreceu ao ponto da gente encontrar miseráveis perambulando pelo município", afirmou o deputado, que fez críticas diretas ao secretário Jose Sobral; "incompetente", disse
Agência Alese - O líder da bancada de oposição na Assembleia Legislativa, deputado estadual Venâncio Fonseca (PP), condena o que ele entende por descaso do governo do Estado com a citricultura em Sergipe. O parlamentar é duro quando diz que muitas pessoas vivem em condição de miséria em Boquim e lamenta que um dos municípios mais fortes economicamente hoje sofra com uma realidade tão decadente.
“Boquim, a terra da laranja, já foi responsável pela geração de mais de 100 mil empregos naquela região e as pessoas tinham uma qualidade de vida excelente. Quem ontem tinha oportunidade de colocar seus filhos em colégios de Aracaju, hoje teve que leva-los de volta para o interior porque não têm mais condições de pagar. A realidade de Boquim hoje é de cortar o coração. O povo empobreceu ao ponto da gente encontrar miseráveis perambulando pelo município”, disse Venâncio Fonseca, que é filho de Boquim.
Em seguida, o deputado disse que a Festa da Laranja também já movimentou toda uma região. “Hoje a finada (Festa da Laranja) é decadente. Lembro-me da época em que todas as concessionárias de veículos colocavam stands por lá. Era um sucesso! Por festa eles vendiam mais de 100 veículos entre comerciais leves, caminhões e tratores. A citricultura está decadente porque o pequeno produtor não pode revitalizar, adubar e nem combater as pragas dos pomares. A Emdagro, que era o órgão que mais atuava lá, hoje está dizimada! Era o órgão que dava assistência”, disse.
Venâncio deu continuidade as suas críticas dizendo que antes Boquim contava com 10 ou 15 agrônomos, e que hoje é um ou outro, e sem as mínimas condições de trabalho. “No governo de João Alves Filho (DEM) tinha aquele programa de revitalização onde o Estado entrava com tratores, adubos e mudas de laranja, além de técnicos dando assistência. Esse governo acabou tudo! Não tem mais nada e os caramujos tomaram conta de tudo, dos pomares, e o governo não combate! O maior movimento financeiro em Boquim no ano foi o assalto a agência do Banco do Brasil”, satirizou.
Por fim, Venâncio criticou o secretário de Estado da Agricultura, José Sobral. “O secretário vai na região e faz um discurso infeliz, dizendo que os pomares de Boquim tem muita lenha dizimada por pragas e que os citricultores são verdadeiros saudosistas. É a prova inconteste da incompetência deste governo. É muita incompetência! É um desgoverno! Não se tem um programa voltado para a citricultura. Querem plantar uva, maçã e cacau. Plantem nos canaviais! Façam essa diversificação lá!”.
“Estamos falando da cultura de 14 municípios que sobrevivem da citricultura, de uma região que já foi forte e pujante, geradora de empregos e que ainda ajuda muito o Estado no faturamento do ICMS com as exportações. Hoje Boquim é uma cidade triste. Você vê no semblante das pessoas. Esse Governo atual assinou certidão de óbito da citricultura. Tem que olhar para aquela região com urgência”, cobrou Venâncio.