Vício de fumar. As alternativas ao cigarro são seguras ?

Os outros modos de consumo da nicotina, tais como inaladores, têm a vantagem de evitar certos efeitos ainda mais nocivos do tabaco consumido em forma de cigarros.

Vício de fumar. As alternativas ao cigarro são seguras ?
Vício de fumar. As alternativas ao cigarro são seguras ? (Foto: Peter Dazeley)

 

Por Pauline Léna – Le Figaro

 

A partir dos anos 70, o cigarro foi considerado pela indústria do tabaco, o melhor meio de fornecer nicotina aos consumidores e torná-los dependentes desta droga. De fato, a inalação permite que a nicotina atinja o cérebro em alguns segundos e provoque uma sensação aguda de prazer tabagista que promove a dependência. Portanto, o cigarro substituiu rapidamente outros modos de consumo do tabaco, tal como o tabaco de mascar. Para alguns especialistas, seria sábio reconsiderar estas práticas para se evitar os efeitos ainda mais negativos do tabaco em forma de cigarros.

Na verdade, a fumaça do tabaco contém mais de 4.500 substâncias e algumas delas são reconhecidas como cancerígenas ou tóxicas. A quantidade de monóxido de carbono inalado ao fumar 20 cigarros é, por exemplo, equivalente ao limiar de alerta da poluição na cidade. «A fumaça do cigarro é mais poluente do que a fumaça produzida em uma unidade de incineração de lixo », diz o Prof. Dautzenberg, responsável pelo departamento de pneumologia do Hospital Pitié-Salpêtrière, de Paris. Os especialistas estão, portanto muito interessados em outros sistemas de distribuição da nicotina.

O novo tabaco de mascar

Atualmente, os estudos têm se sucedido sobre o interesse do “snus” (termo sueco que designa um tabaco umedecido, em pó, para uso oral, produzido através de um processo de umidificação a vapor), muito difundido na Suécia e na Noruega. Essas pequenas doses de tabaco, finamente moídas, são colocadas sob o lábio superior e liberam nicotina por cerca de uma hora. As empresas de tabaco defendem suas vantagens  em relação ao cigarro e alguns especialistas apontam que ele não causa danos no aparelho respiratório. Mas estudos recentes sugerem que o “snus” tem consequências sobre o aparelho digestivo e que ele poderia promover, em jovens, uma dependência à nicotina que levaria em seguida à dependência do cigarro.

Outras formas de tabaco de mascar estão sendo avaliadas, mas consequências nefastas delas sobre a saúde bucal já são, no entanto bem conhecidas.

Composição desconhecida

Muito na moda, o cigarro eletrônico também é muito controverso. “Não se trata de simples inaladores de nicotina, como aqueles usados para auxiliar no abandono do cigarro, diz o Prof. Vincent Durlach, residente especializado em adictologia na faculdade de medicina de Reims. Não está claro o que eles liberam e nenhum estudo avaliou seu efeito”. Como nos cigarros de tabaco, os  fabricantes de cigarros eletrônicos acrescentam substâncias para melhorar o sabor do produto. Os cigarros eletrônicos produzem um aerosol aquecido na mesma temperatura que a fumaça do cigarro, que contém principalmente água e nicotina. Os usuários também inalam aromas e aditivos tais como a glicerina ou o propilenoglicol, um coquetel do qual os  fabricantes se recusam a especificar a composição exata.

 

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