Vida de casal. Os dois membros devem aceitar perder o controle

Autor  de cinco grandes livros sobre casais, partes de uma antologia intitulada La Comédie Conjugale (A Comédia Conjugal) , na Editora Armand Colin, o sociólogo Jean-Claude Kaufmann é explica nesta entrevista algumas novas tendências na vida dos casais.

Vida de casal. Os dois membros devem aceitar perder o controle
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Por Pascale Senk

 

Le Figaro – Há mais de vinte e cinco anos você vem observando casais detalhadamente. O que tem a dizer sobre a condição atual do casal?

Jean-Claude Kaufmann - Todos os estudos confirmam: a partilha de tarefas ainda continua desigual entre homens e mulheres. Se muitas vezes casos exemplares são destacados na mídia, na realidade observamos que com a idade, a situação se deteriora: no começo da vida a dois, os parceiros mais jovens se ajudam mutuamente. Com a chegada do primeiro filho, a mulher assume o comando do trabalho doméstico e se encontra com uma carga mental superior (devido ao fato de pensar mais sobre a organização familiar).. Outro ponto de discórdia: o nível de exigência da mulher quanto ao modo de agir de seu parceiro (relativo à limpeza ou à educação dos filhos, etc.) permanece bem elevado, fazendo com que essas companheiras irritadas frequentemente declarem sobre seus parceiros:  «Tenho a impressão de ter um filho a mais em casa!».

Mas algumas evoluções são tangíveis, não é?

Sim, os homens passaram de uma posição de autoridade para uma função lúdica, uma espécie de «companheiro de lazer » junto às crianças; quanto as mulheres, elas começam projetos cada vez mais exigentes. Mas o que realmente mudou desde 1992, quando comecei a focar neste tema, é a ascensão do indivíduo autônomo.  Este é o grande fator de perturbação das uniões. Entrando ou não numa vida de casal, o indivíduo contemporâneo pretende acima de tudo «ser ele mesmo». As mulheres estudam cada vez mais; afirma-se que o próprio bebê é «uma pessoa»… O individualismo é a chave essencial para compreender o nosso funcionamento na esfera privada.

Que consequências este «eu em primeiro lugar» tem sobre o casal?

Hoje em dia, uma tendência muito forte poderia ser resumida da seguinte forma: «como continuar a ser eu mesmo ao adicionar o outro, sem que ele se incomode com quem eu sou?» Assim, em sites de namoro, é visível que o fã ou a fã de cinema japonês ou de caminhadas procura acima de tudo um alter-ego que se pareça com o dele. Claro, é importante que a química una os parceiros que formam um casal, mas antes de tudo, eles  devem permitir brincadeiras sobre as diferenças de cada um. Este fato torna o relacionamento mais dinâmico. Isto implica também que nesta construção comum, cada um deles aceite perder o controle.

O desejo de ter filhos, o sonho romântico, não é suficiente para fortalecer o casal?

Não. Hoje em dia, o casal parental supera o casal conjugal: primeiro, os parceiros são uma equipe pequena em torno da criança, este amor incondicional é menos complicado para se viver do que aquele que une duas pessoas buscando autonomia! Mas, mesmo se esta aventura do amor ainda deixa pessoas sonhando, a verdadeira pergunta que cabe aos parceiros dispostos a vivê-la é: «como podemos nos entregar a essa mudança interna necessária para construir um mundo em comum enquanto controlamos o que está acontecendo?»… Esse vasto canteiro de obras, para muitos, explica a dificuldade atual em se comprometer.

 

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