Wagner admite costurar apoio de ACM Neto a Dilma
Governador ressalta que o democrata "foi um dos primeiros prefeitos recebidos pela presidente" após a posse e diz que ACM Neto "deixou claro" que apenas fazia seu papel como líder de oposição no Congresso; "Agora, como prefeito, ele tem uma missão e que queria contar (com Wagner e Dilma). Eu acho que ele vai olhar o que efetivamente é bom para Salvador, é bom para a Bahia e é bom para ele como carreira política"
Bahia 247
Caciques da política baiana, tanto de esquerda quanto de direita e centro, não acreditam que a boa relação do prefeito ACM Neto, do DEM, com o governador Jaques Wagner e com a presidente Dilma Rousseff (ambos do PT) ultrapasse o campo administrativo.
Mas o próprio Wagner tem deixado de cabelo em pé os que não gostam da ideia de ver o jovem democrata no mesmo palanque dos petistas em 2014.
O governador agora deixa os melindres de lado e fala abertamente que pretende ter apoio de ACM Neto para a reeleição da presidente Dilma. E, ousado, quer também o prefeito levantando a bandeira do candidato do PT à sua sucessão no ano que vem.
Abaixo resposta de Wagner ao site Bahia Notícias sobre a pretensão de conquistar o democrata de vez.
ACM Neto declarou, em entrevista recente ao Bahia Notícias, que pode apoiar Dilma Rousseff e o PT em 2014. Surpreso, governador?
Olha... Não. Porque até agora na relação que a gente tem construído, tanto de apoio do governo federal quanto do governo estadual, à prefeitura de Salvador, não tenho encontrado nenhum obstáculo administrativo. E, como eu acho que a política é dinâmica – já se disse que política é como as nuvens: a cada dia você olha, ela está com uma configuração diferente – e como eu sou uma pessoa que tem marcado a atuação na política, principalmente aqui na Bahia, mas também a nível nacional, por essa capacidade de aglutinar, de dialogar, eu não acho que nada seja impossível. É evidente que eu fico satisfeito de ver uma postura aberta do prefeito da capital. Ele tem realmente uma missão que lhe foi delegada pelo povo de Salvador extremamente importante, que é recolocar Salvador com sua autoestima elevada, recolocar Salvador como uma protagonista, como terceira maior capital, como uma capital da cultura, da miscigenação, capital-mãe do Brasil, a primeira do Brasil e a que até hoje foi o mais longo período como capital do país. Ele sabe, eu disse a ele desde o primeiro momento, que já é uma marca minha: 'eu não vou perguntar em que partido está o prefeito, eu quero saber das necessidades da cidade'. Então, se tiver confluência desses interesses... A gente tem trabalhado junto, a gente tem estado presente em todas as inaugurações. Ele me demandou e à presidenta Dilma – talvez tenha sido um dos primeiros prefeitos que ela recebeu – com muita clareza que, como líder de oposição, ele tinha a tribuna para garantir o seu mandato, a sua atuação política. Agora, como prefeito, ele tem uma missão e que queria contar [com Wagner e Dilma], apesar de que nunca lhe foi exigido nenhuma declaração de alinhamento. Claro, as pessoas vão se movimentando na política em função do relacionamento, como ele mesmo disse, do diálogo. Então, se o diálogo está aberto e está bom, evidente que uma posição dessa pode ser construída. Eu ainda acho que está muito cedo, apesar de que todo mundo do mundo político e vocês que cobrem política, acabada uma eleição, não dá três meses e a gente já está conversando da próxima (risos). Eu considero que a gente tenha uma base que fala de unidade para 2014 e é claro que eu vou continuar trabalhando para ajudar a presidenta Dilma. Do ponto de vista do prefeito, ele é um prefeito jovem, que está começando sua carreira no Executivo. Eu acho que ele vai olhar o que efetivamente é bom para Salvador, é bom para a Bahia e é bom para ele como carreira política. Eu não fecho portas, até porque hoje eu convivo com muitas pessoas no meu grupo político que eram do grupo político do PFL e do DEM e, graças a Deus, essa relação é muito tranquila. Eu não me surpreendo porque acho que as pessoas têm que ter a cabeça aberta e não trancar portas. Em política, você nunca tranca a porta. Você deixa a possibilidade, sem perder o seu prumo, o seu rumo, mas você deixa a possibilidade de ampliar.