Wladimir cita 'amigos' em seu depoimento na CPI
Em nítida estratégia para confundir a comissão, principal assessor de Cachoeira usa nomes, em seu depoimento escrito, de José Eduardo Cardozo, Iris Rezende, Olavo Noleto, Marconi Perillo e Henrique Meirelles; ele vai conseguir confundir o jogo?
247 – Por que alguém, em uma CPI, citaria uma lista de amigos, quando, em momentos de desgaste, o que menos se quer para amigos de verdade é vê-los envolvidos em situações no mínimo constrangedoras?
O fato é que o ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Goiânia Wladimir Garcez, braço direito do contraventor Carlinhos Cachoeira, colocou na fogueira seus "amigos" José Eduardo Cardozo, Iris Rezende, Olavo Noleto, Marconi Perillo e Henrique Meirelles.
Cardozo e Noleto, do PT, são nomes de vanguarda do governo petista de Dilma Rousseff. Iris foi governadora de Goiás e deixou em 2010 a prefeitura de Goiânia, para a qual a Delta Construções tem prestado serviços.
Marconi, do PSDB, é companheiro antigo, já que Wladimir Garcez foi presidente da Câmara no PSDB e corretor na venda de sua casa, coincidentemente a mesma onde Cachoeira foi preso em uma operação da Polícia Federal em que ele, Wladimir, também foi preso.
Henrique Meirelles, hoje no PSD, como candidato a deputado federal, em 2002, teve em Wladimir um dos coordenadores de sua campanha. Depois, Meirelles foi ser presidente do Banco Central.
Citar tais nomes, em quê ajuda Wladimir? Estaria ele mandando recados? Estaria ele chamando ajuda com algum código secreto só percebido pelos citados? Estaria ele avisando que, se for falar, vai ter de citá-los, recorrendo a tudo que uma amizade permite, inclusive a intimidade de ações conjuntas, por exemplo?
Wladimir foi orientado o tempo todo na CPI por seu advogado, Ney Moura Teles, que disputou vaga no Senado pelo PMDB contra Marconi Perillo, e que depois apoiou o tucano para o governo como um dos líderes de um dissidência peemedebista.
O esboço de uma defesa do governador na CPI foi trágico, mas ficou claro isso, que foi um esboço, talvez traçado em comum acordo com o próprio governador, se forem consideradas as ligações de advogado e depoente com o tucano.