Youssef diz que OAS usou Arena do Grêmio para receber verba de caixa 2
O doleiro Alberto Youssef afirmou à Justiça Federal do Paraná que as verbas da empreiteira OAS, investigada na Operação Lava Jato, eram depositadas em contas no exterior e entregues em sede da empresa no Brasil, entre elas a Arena do Grêmio; a empreiteira utilizava um escritório no estádio do tricolor gaúcho para receber dinheiro de caixa 2
Rio Grande do Sul 247 – O doleiro Alberto Youssef afirmou à Justiça Federal do Paraná que as verbas da empreiteira OAS, investigada na Operação Lava Jato, eram depositadas em contas no exterior e entregues em sede da empresa no Brasil, entre elas a Arena do Grêmio. A empreiteira utilizava um escritório no estádio do tricolor gaúcho para receber dinheiro de caixa 2.
Os depoimentos de Youssef sob delação premiada (quando o réu colabora com as investigações em troca de redução de pena) tiveram quebra de sigilo autorizada, nessa quinta-feira (12), pela Justiça Federal paranaense.
De acordo com o doleiro, o dinheiro não seria da Petrobras. Youssef disse que o executivo João Procópio, seu "laranja", mantinha uma conta em nome da empresa Santa Tereza Services para acolher depósitos de caixa 2 e que, a partir dela, remetia os valores para Leonardo Meirelles, réu na Lava-Jato considerado o testa de ferro do doleiro.
Em seu depoimento, Youssef afirmou que Meirelles movimentava o dinheiro em bancos de Hong Kong com o objetivo de "promover o retorno desses valores ao país mediante operações de cabo". O doleiro confessou que ganhava uma comissão de 3% sobre o valor dos depósitos, "incluindo o serviço de entrega no Brasil em quaisquer lugares que fossem determinados pela empreiteira".
"(Youssef) Perguntado se essa movimentação marginal de recursos (caixa 2) era de conhecimento da empresa, afirma acreditar que sim, pois entregou valores que provinham do exterior nas sedes da OAS em Porto Alegre e Rio de Janeiro. Que a sigla 'POA' refere-se à entrega de valores junto ao estádio do Grêmio onde a OAS mantinha um escritório e onde entregou R$ 66 mil e R$ 500 mil, sendo que a mesma sigla refere-se à entrega de valores em um endereço residencial, em valores similares; que, quem fazia essa entregas eram Rafael Angulo e Adarico Negromonte, os quais viajaram em aviões comerciais", diz a delação.
O endereço residencial citado fica em Canoas, na Avenida Guilherme Schell, número 2.952, segundo informações do jornal Zero Hora. O intermediador era José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da empreiteira, preso em novembro. Em dezembro de 2013, ele pede a Youssef, por mensagem via celular, que repasse R$ 57 mil a uma pessoa em Canoas.
Nogueira pede para Youssef "procurar por Carlos Fontana". O doleiro responde que quem vai procurar Fontana é "Adarico", que, segundo as investigações da Lava Jato, era subordinado do doleiro e encarregado de transporte de valores em espécie. Adarico chegou a ser buscado pela Interpol e se entregou no final do ano passado. Ele é irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP).
A assessoria da OAS disse que a empresa "refuta veementemente tais alegações".
