Zooterapia. Os animais podem ajudar a curar ?
A zooterapia consiste na ideia que a presença de um animal constitui um elemento reconfortante na vida de um paciente portador de uma deficiência ou um distúrbio médico de certa gravidade. Aumenta cada vez mais o número de terapeutas que a utilizam.
Por Pauline Léna – Le Figaro
Florence Nightingale, instigadora de muitas técnicas modernas de cuidados médicos, manteve uma tartaruga em seu dispensário durante a guerra da Criméia. Ela observara que a presença de um animal no local diminuía a ansiedade dos soldados feridos. Mais recentemente, um psicoterapeuta americano observou, na década de 1950, a influência reconfortante de seu cachorro em um de seus pacientes autistas e ele iniciou uma bem sucedida psicoterapia facilitada pelo animal.
Os países anglo-saxões utilizam muito essas abordagens, apesar da falta de estudos de coorte, necessários para uma validação objetiva. Apesar do grande número de opiniões favoráveis, tanto da parte de terapeutas quanto de pacientes, a zooterapia - que inclui todos os tipos de terapia que usam a presença de animais - continua uma opção controvertida, até mesmo em países onde ela é largamente utilizada. Seus piores detratores a acusam de representar um risco sanitário para os pacientes e colocar em perigo os animais para produzir um efeito terapêutico para o qual bastaria empregar robôs. Outros especialistas, mais moderados, reconhecem apenas uma ação terapêutica relacionada ao efeito placebo ou à uma socialização aumentada pela simples presença de uma criatura viva nas proximidades, além de médicos e enfermeiros. Existe, enfim, uma terceira categoria de profissionais que, baseados nos resultados práticos que obtiveram, apoiam com entusiasmo o emprego de animais como auxiliares dos processos terapêuticos. Ainda não existem dados científicos objetivos sobre o uso desses métodos, que permanecem uma questão de convicção e de experiência pessoal do terapeuta. Sem nunca esquecer, claro, que este último desempenha sempre um papel de liderança.
O animal, um «mediador»
O uso mais frequente de animais na prática médica é em torno dos idosos. Muitas associações colocam cachorros ou gatos em casas de repouso ou serviços de cuidados paliativos tendo como único objetivo o de incentivar as pessoas idosas a saírem de seu quarto e de seu silêncio. Os pacientes acariciam os animais, questionam seu modo de vida e discutem sobre essas visitas muito tempo depois de sua saída. Os animais, desse modo, atuam não apenas na moral dos pacientes, mas também na sua saúde física, forçando-os a se mover mais.
Atualmente, muitos clínicos gerais recomendam aos seus pacientes aposentados que adotem um cão para incentivá-los a manter uma atividade física regular. Sobretudo para aqueles idosos que vivem sozinhos, o animal dá uma razão para que eles se levantem da poltrona e pensem na necessidade de se alimentar (e alimentar o seu cão) bem como de sair para passear com o animal, o que os leva também a estar em contato com outras pessoas que saem às ruas para caminhar com seus respectivos cachorros.
Na França, os especialistas falam mais naturalmente de “mediação animal”, reconhecendo o papel do animal como um intermediário de cuidados ou um fator de melhoria da qualidade de vida. Assim, os cães-guia dos cegos não podem curar a cegueira, mas podem facilitar muitas tarefas diárias, aliviando assim o peso de uma determinada deficiência.
Outros tipos de cachorros podem ajudar os pacientes com deficiências motoras, acendendo a luz, abrindo a geladeira ou buscando o controle remoto caído embaixo do sofá! Sem falar no importante fator da segurança psicólogica e efetiva que proporciona sair às ruas de uma grande metrópole em companhia de um cão, sobretudo quando ele é de maior porte e treinado para a defesa pessoal...
Finalmente, o uso de cavalos para mobilizar crianças que passam a maior parte de suas vidas imobilizadas em cadeiras de rodas. Essa prática enche de sorrisos o rosto da criança, e também aquele das pessoas que a acompanham e que muitas vezes se sentem impotentes para ajudá-la...
