China propõe nova governança global mais justa e defende multilateralismo
Documento do Conselho de Estado chinês apresenta princípios, propostas e ações de Pequim para reformar a ordem internacional e fortalecer o papel da ONU
247 – O Gabinete de Informação do Conselho de Estado da China divulgou nesta quarta-feira (17) um livro branco intitulado Governança global mais justa e equitativa: princípios, propostas e ações da China, no qual apresenta a visão de Pequim para a reforma do sistema internacional diante dos desafios crescentes enfrentados pela humanidade.
As informações foram publicadas pela agência Xinhua e reproduzidas pelo Global Times. Segundo o documento, a governança global é uma tarefa comum que afeta o bem-estar de toda a humanidade, e a construção de um sistema internacional mais justo e equilibrado é uma aspiração compartilhada há muito tempo por povos de todo o mundo.
O livro branco afirma que a China sempre foi “participante ativa, contribuinte e construtora” da governança global. A publicação busca apresentar os princípios, propostas e ações do país nessa área, ampliar consensos na comunidade internacional, fortalecer respostas aos desafios globais e impulsionar a construção de uma arquitetura internacional mais democrática, inclusiva e eficiente.
China defende multipolaridade e globalização inclusiva
De acordo com o documento, na nova era, o presidente Xi Jinping apresentou a visão de construção de uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade. Essa formulação orienta a defesa chinesa de uma governança global baseada em ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados.
O livro branco afirma ainda que Xi defende o “verdadeiro multilateralismo” como caminho para promover um mundo multipolar, igualitário e ordenado, além de uma globalização econômica universalmente benéfica e inclusiva.
A publicação insere essa proposta em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, crises de desenvolvimento, desigualdades estruturais e questionamentos sobre a capacidade das instituições multilaterais de responder aos problemas contemporâneos.
Iniciativa de Governança Global ganhou apoio internacional
O documento destaca que, em 2025, Xi Jinping propôs a Iniciativa de Governança Global, conhecida pela sigla em inglês GGI. Segundo o livro branco, a iniciativa busca oferecer uma resposta chinesa a duas questões centrais da época atual: que tipo de sistema de governança global deve ser estabelecido e como a governança internacional pode ser reformada e aperfeiçoada.
Desde sua apresentação, a GGI recebeu apoio de quase 160 países e organizações internacionais, conforme afirma o documento. Mais de 60 países aderiram ao Grupo de Amigos da Governança Global.
Para a China, esse respaldo demonstra que a iniciativa envia um sinal claro à comunidade internacional: defender o multilateralismo, unir forças e buscar um futuro mais justo.
O livro branco sustenta que a GGI está alinhada à tendência de maior democratização das relações internacionais e fortalece a confiança na prática do multilateralismo. Segundo o texto, a iniciativa oferece um roteiro “claro e viável” para melhorar a governança global, levando estabilidade e energia positiva a um mundo turbulento.
Defesa da ONU e do direito internacional
Um dos pontos centrais do documento é a defesa do papel das Nações Unidas. O livro branco afirma que preservar de forma resoluta a autoridade e o status da ONU é condição fundamental para a implementação efetiva da Iniciativa de Governança Global.
A China argumenta que todos os países devem defender firmemente o sistema internacional com a ONU em seu núcleo, salvaguardar a ordem internacional baseada no direito internacional e sustentar as normas básicas das relações internacionais ancoradas nos propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas.
O documento também afirma que o sucesso da reforma da governança global dependerá da responsabilidade das grandes potências e da cooperação entre todos os países para enfrentar os déficits de paz e desenvolvimento.
Nesse sentido, o livro branco rejeita a ideia de “reinventar a roda” e defende o fortalecimento das instituições multilaterais existentes, com maior equilíbrio, representatividade e justiça no funcionamento do sistema internacional.
Cinco eixos para enfrentar os desafios da época
Além do prefácio e da conclusão, o livro branco é dividido em cinco partes. A primeira trata dos desafios severos e complexos enfrentados pelo mundo atual. A segunda apresenta a Iniciativa de Governança Global como resposta às questões do presente.
A terceira parte aborda a contribuição da China para promover a governança global. A quarta discute a direção das mudanças em busca de um futuro melhor. A quinta defende que os países avancem “de mãos dadas” em um momento considerado crítico da história.
A estrutura do documento reforça a tentativa de Pequim de apresentar sua visão como uma alternativa de reforma da ordem internacional, com ênfase na cooperação, no multilateralismo, na igualdade soberana entre os países e na necessidade de respostas coordenadas a problemas globais.
Pequim busca ampliar consensos internacionais
Ao divulgar o livro branco, a China procura consolidar sua posição como protagonista no debate sobre a reforma da governança global. O documento apresenta o país como defensor de uma ordem internacional mais justa, baseada na cooperação entre nações, no respeito à Carta da ONU e na busca por soluções compartilhadas.
A mensagem central da publicação é que os desafios globais não podem ser enfrentados de forma isolada ou por meio de hegemonias unilaterais. Para Pequim, a resposta deve passar por um sistema internacional mais democrático, multipolar e orientado ao desenvolvimento comum.
Com a Iniciativa de Governança Global, a China afirma buscar acelerar a construção de uma governança internacional mais justa e equitativa, em um momento em que crises econômicas, tensões geopolíticas e desigualdades de desenvolvimento pressionam as instituições multilaterais e ampliam a demanda por reformas profundas na ordem global.

