‘Falta anti-imperialismo na esquerda brasileira’, diz Roberto Requião

Ex-governador do Paraná demonstrou preocupação com despolitização do povo e defendeu programa mínimo de esquerda; veja vídeo na íntegra

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(Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)


Opera Mundi - No programa 20 MINUTOS ENTREVISTA desta sexta-feira (04/03), o jornalista Breno Altman entrevistou Roberto Requião, ex-governador e ex-senador do Paraná, sobre os rumos políticos do país. 

Ele revelou que será novamente candidato a governador em seu estado, mas ainda não se decidiu por qual partido. “Sairei candidato por aquele que não apoie a internacionalização da economia, o fim da soberania nacional, a entrega da Petrobrás”, destacou. Ex-membro do PMDB, Requião disse que, apesar de se identificar bastante com o Partido dos Trabalhadores, tem “ressalvas brutais” em relação à legenda, mesmo confessando que votará em Lula. 

“O problema é que falta anti-imperialismo na esquerda brasileira. Lula é um anti-imperialista e isso é o que faz com que ele tenha meu apoio absoluto, mas faltam outras lideranças progressistas, até porque se ele abrir muita margem para alianças, ele pode acabar fazendo um governo débil que apenas contribua para consolidar o neoliberalismo econômico e caia nas políticas compensatórias, insuficientes”, refletiu. 

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Requião defendeu que nas eleições que se aproximam, não basta apenas combater Bolsonaro e o bolsonarismo. A luta política está ligada à luta econômica e, portanto, ao combate ao neliberalismo “acima de tudo”. 

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“Serei candidato, mas estou mais preocupado com a politização do povo, porque o que está levantando Bolsonaro é a despolitização do Brasil, provocada pelos pequenos favores — e a esquerda contribui para esse cenário, por exemplo quando transformou empresas estatais em empresas de capital misto ou quando vê a independência do Banco Central como um problema menos importante”, criticou. 

Programa mínimo 

Para combater a despolitização e colocar o país de volta nos eixos, o ex-governador argumentou a favor de um programa mínimo realista, “adaptado à realidade, pensando num governo de transição para a democracia”, debatido com a população, até para justificar alianças com a direita ou centro-direita, que não prejudiquem nem as possibilidades eleitorais de Lula, nem sua governabilidade. 

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“Um programa mínimo eficiente nos levaria à discussão de um modelo para o Brasil, não precisaríamos temer a direita. Só que sem um programa, quando nomeamos alguém como Geraldo Alckmin para a vice-presidência, sinalizamos para o vazio econômico, político e ideológico”, reforçou. 

Requião listou alguns dos pontos que deveriam compor o dito programa e ser aplicados no caso de uma vitória de Lula. “Acho que temos maior conhecimento hoje sobre as possibilidades do orçamento, sobre a política de emissão de moeda, mas não faremos nada no Brasil com o Banco Central na mão do capital financeiro. Temos que mexer nesse domínio absoluto do mercado financeiro sobre a nossa economia”, reiterou. 

Ele também destacou a regularização da mídia, que taxou como urgente, e a retomada da Petrobrás, pois a empresa funciona como uma alavanca de investimentos, além de gerar recursos para o Estado que poderiam ser transformados em políticas públicas efetivas, “e não compensatórias”, que trabalhem “a favor do país”. 

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Por fim, o ex-governador sublinhou a importância de reverter a desindustrialização do Brasil. Ele citou como exemplo a Coreia do Sul, que, com a indústria automobilística, por meio de taxação a importações e a verticalização das empresas, criou suas marcas automobilísticas que hoje são gigantes do mercado. 

“A gente tem potencial, já chegamos a investir na indústria mais do que os Tigres Asiáticos. Precisamos retomar tudo isso. E fazer o que Biden está fazendo nos EUA, gerar recursos para investir em ciência e tecnologia. Temos que aprender com os erros de governos anteriores, políticas de austeridade, limitações, não para fazer um ‘mea culpa’, mas para não repeti-los”, concluiu.

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