Jeffrey Sachs demonstra o erro de quem diz que a economia vem antes do combate à pandemia de coronavírus

“Se as pessoas entendessem, essa é uma epidemia controlável. Muitos países estão controlando. Os Estados Unidos não estão, por conta do nosso presidente incrivelmente incompetente e psicopata", diz ele

Jeffrey Sachs
Jeffrey Sachs (Foto: Reuters)

247 - Em entrevista ao Democracy Now, programa de rádio e internet liderado por Amy Goodman, o economista americano Jeffrey Sachs expôs a crueldade da política adotada pelo governo americano que visa “salvar a economia”.

A apresentadora Amy Goodman ilustrou tal política através de uma declaração do governador do Texas, tenente Dan Patrick, na qual ele diz: “[N]inguém me procurou e perguntou: ‘como idoso, você está disposto a arriscar sua sobrevivência em troca de manter a América que todos amam por seus filhos e netos?’ E se essa for a troca, eu estou dentro. E isso não me tornaria nobre, corajoso ou algo assim. Eu só acho que existem muitos avós por aí neste país como eu.”

Ou seja, a ideia é sacrificar um número indeterminado de vidas para manter as engrenagens do sistema se movendo.

No entanto, de acordo com Sachs, essa abordagem não indica somente uma “corrupção do que há de mais básico no espírito humano. É um tipo de doença que se infiltrou em nossa vida pública, que preza literalmente o dinheiro antes da vida, dinheiro antes da sobrevivência.” 

Principalmente, para ele, tal espírito reflete também uma “profunda ignorância, desprovida das ideias mais básicas da saúde pública.”

Ele se esclarece: “[S]e as pessoas entendessem, essa é uma epidemia controlável. Muitos países estão controlando. Os Estados Unidos não estão. Não estão porque não estão implementando, por conta do nosso sistema falido, por conta do nosso presidente incrivelmente incompetente e psicopata - não estamos implementando medidas básicas de saúde pública. Mas os países que estão, não estão sacrificando seus idosos pela economia. Eles estão controlando a epidemia. E assim, precisamos de alguma educação neste país imediatamente.”

Ou seja, manter as engrenagens da economia em ordem não é uma ideia necessariamente oposta ao combate contra o coronavírus. Isto é, desde que haja um sistema de saúde público capaz de absorver a população doente.

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