Juliane Furno: “nada justifica que a Petrobrás tenha margem de lucro de 27% às custas do povo brasileiro”

"É urgente que a empresa mude seu comportamento e aja como uma estatal", defende a economista. Assista na TV 247

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(Foto: Reprodução | Reuters/Sergio Moraes)


247 - A economista Juliane Furno, em entrevista à TV 247, criticou a margem de lucro “extraordinária” praticada pela Petrobrás, que, com o pré-sal, produz petróleo a um custo muito abaixo do valor final da venda. Ela afirmou ser “urgente” uma mudança no comportamento da empresa, que precisa passar a “agir como uma estatal”, ao invés de priorizar os lucros de acionistas.

Em 2021, a Petrobrás registou enormes lucros líquidos, de R$ 106,6 bilhões. O desempenho foi no mínimo duas vezes superior à média das maiores petroleiras internacionais. Naquele ano, o Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE) médio das petroleiras foi de 12%, ao passo que o da Petrobrás foi de 27,5%

Para a economista-chefe do IREE (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa), a estatal poderia garantir um preço significativamente menor nas bombas, mesmo considerando diversos custos extras. 

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“Veja o paradoxo. Estamos aumentando o custo da venda dos derivados de petróleo ao mesmo tempo que em que está caindo o custo de extração do barril interno. Então, não é que a Petrobrás está lucrando mais porque ela está vendendo mais caro. Ela está lucrando mais porque ela vende mais caro e produz ainda mais barato. Nos balanços desse ano para o ano anterior, caiu em torno de 6 por cento o custo de produção. Hoje, conseguimos extrair o barril de petróleo do pré-sal por em torno de 6 dólares, tirando todas as participações governamentais. Se colocar royalties, participação especial e impostos, dá em torno de 29 dólares. O preço do barril hoje está em torno de 100. Ou seja, conseguimos produzir um barril por 29 dólares e está utilizando o preço de referência do mercado internacional. Isso é uma margem de lucro extraordinária. Nem as atividades mais ilegais do mundo teriam uma margem de lucro tão extraordinária como essa”, disse. 

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“Então, utilizando esse custo de produção, somado ao custo de refino, que já está quase todo amortizado porque as refinarias foram construídas há bastante tempo, mais uma margem de lucro substancial para remunerar os acionistas e garantir investimentos no futuro, ainda assim a Petrobrás poderia garantir um preço muito menor, mesmo assumindo todo custo de importar 20% de derivados de petróleo”, completou. 

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