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Lula destaca legado de Milton Santos no centenário e aponta atualidade de seu pensamento

Presidente afirma que obra do geógrafo baiano é essencial para compreender desigualdades da globalização e o papel transformador das periferias

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva durante Cerimônia de anúncio de entregas do Governo Federal na área da saúde. Orla II – Rua Aprígio Duarte, Juazeiro - BA (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva homenageou neste sábado (3) o geógrafo Milton Santos, que completaria 100 anos, destacando a relevância de sua obra para a compreensão das desigualdades globais e das possibilidades de transformação social. Em publicação, Lula ressaltou o caráter visionário do intelectual baiano e sua importância para o Brasil e o mundo.

Na mensagem, o presidente afirmou: “Milton Santos completaria hoje seu centenário de nascimento. Sua obra é referência para entendermos as desigualdades da globalização e os potenciais de transformação que vêm das periferias.” A declaração reforça a centralidade do pensamento de Santos em um momento de intensas mudanças geopolíticas e disputas no cenário internacional.

Intelectual que explicou o Brasil

Lula também destacou a capacidade única de Milton Santos de interpretar o país em sua complexidade social e territorial. “Pouca gente conseguiu compreender o Brasil como este intelectual baiano que, não por acaso, é considerado um dos mais importantes geógrafos de nosso país – e de todo mundo”, escreveu.

A avaliação dialoga com o reconhecimento internacional conquistado por Santos ao longo de sua trajetória. Nascido na Bahia em 1926 e falecido em 24 de junho de 2001, o geógrafo construiu uma obra que revolucionou a análise do espaço geográfico ao associá-lo às dinâmicas econômicas, políticas e sociais do capitalismo.

Atualidade em um mundo em transformação

O presidente também enfatizou a permanência das ideias de Milton Santos diante dos desafios contemporâneos. “Em tempos como o que vivemos hoje, com grandes mudanças geopolíticas, a obra de Milton Santos continua extremamente atual – e necessária”, afirmou Lula.

A observação ganha relevância em um contexto marcado por disputas entre grandes potências, reconfiguração das cadeias produtivas globais e aprofundamento das desigualdades. Nesse cenário, a crítica de Santos à chamada “globalização perversa” — que concentra riqueza e exclui grande parte da população — segue sendo amplamente debatida.

Periferia como espaço de transformação

Um dos pontos centrais destacados por Lula é a valorização das periferias como espaço de inovação e resistência. Para Milton Santos, os territórios marginalizados não são apenas vítimas do sistema, mas também locais onde surgem alternativas e formas criativas de organização social.

Essa perspectiva rompe com visões tradicionais que tratam a periferia apenas como problema e a reposiciona como protagonista na construção de um futuro mais justo. A leitura também dialoga com políticas públicas voltadas à inclusão social e ao desenvolvimento regional.

Legado para o pensamento crítico

A homenagem do presidente reforça o papel de Milton Santos como um dos principais intérpretes do Brasil e do mundo contemporâneo. Sua obra continua sendo referência em universidades, centros de pesquisa e debates sobre desenvolvimento, urbanização e soberania.

Ao destacar a atualidade de suas ideias, Lula insere o legado do geógrafo no centro das discussões sobre os rumos do país e da ordem global. Em um cenário de incertezas, o pensamento de Milton Santos segue oferecendo ferramentas fundamentais para compreender a realidade — e transformá-la.

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