O nosso desafio é transcender a nossa herança de macacos

Artigo de Caitlin Johnstone

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(Foto: Reuters)


Artigo de Caitlin Johnstone publicado originalmente no www.caitlinjohnstone.com em 20.07.22, traduzido e adaptado por Rubens Turkienicz com exclusividade para o Brasil 247

Você sabia que os chimpanzés caçam primatas menores para comer?

Eles fazem isso. Na verdade, eles são caçadores muito habilidosos, devido ao seu tamanho, a sua força e, especialmente, a sua inteligência. Eles coordenam os seus ataques, trabalhando juntos para bloquear as rotas de escape das suas vítimas a fim de aumentar muito a sua taxa de sucesso. Os cientistas até já os observaram a usar lanças rústicas para matar uma espécie pequena de primatas chamadas de bebês menores da mata devido à sua carne. Uma das muitas coisas interessantes sobre este comportamento dos nossos primos primatas é que eles são tão bons na caça, que podem se tornar vítimas do seu próprio sucesso – exterminando populações inteiras de presas na sua área. Os macacos colobus vermelhos foram caçados até a beira da sua extinção local em Uganda por chimpanzés famintos por um bocado de proteína rápida, simplesmente porque eles estavam devorando estes deliciosos animais pequenos mais rápido do que eles podiam se reproduzir.

Isto soa familiar?

A tendência do homo sapiens de sobrecarregar o nosso ecossistema com o nosso consumo não é única a nós e não é nova. Na verdade, parece que temos estado nesta trajetória em direção ao ecocídio desde que os nossos antigos ancestrais evolucionários começaram a evoluir com matéria cerebral extra.

E é possível simplesmente parar alí e concluir que nós não somos diferentes dos nossos parentes chimpanzés neste cenário. Que nós simplesmente continuaremos a caçar o macaco colobus vermelho em excesso até que não reste sequer um deles, e que continuaremos a esgotar e destruir a nossa biosfera até que não possamos mais sustentar a vida. O cérebro humano difere daquele dos chimpanzés apenas na inteligência, não na sabedoria. E que nós não somos essencialmente diferentes das cianobactérias do início da era proterozóica – uma nova espécie aparecendo na cena e causando um evento de extinção de massa num ecossistema sobrecarregado pelo seu rápido florescimento.

No entanto, você também pode ter a opção de estar aberto à possibilidade de que, talvez, apenas talvez, a nossa espécie está destinada a coisas maiores. Que talvez, apenas talvez, nós temos dentro de nós a capacidade de transcender a estúpida padronização dos nossos ancestrais evolucionários e tenhamos um relacionamento consciente com este planeta e as suas formas de vida. Que talvez, apenas talvez, toda esta aventura humana não precise necessariamente acabar em desastre, ao final das contas.

Nós nunca curamos as feridas do passado deles e transcendemos os hábitos mentais insalubres que foram dados a eles pelo seu condicionamento. Para qualquer pessoa que tenha vivenciado uma transformação dramática da disfunção para a doença, é óbvio que, potencialmente, qualquer ser humano também poderia passar por transformações como essa. Ou até todos os humanos. 

É possível que os nossos descendentes olhem para trás, na existência da humanidade neste planeta desde os tempos pré-históricos até este crucial momento presente como uma espécie de ponte entre a vida animal e uma nova expressão terrena que não é conduzida pelos padrões inconscientes de condicionamento que conduziram os movimentos de todas as espécies neste planeta – desde os primeiros organismos unicelulares em diante. Que o que nós estamos vivenciando agora, nesta encruzilhada crítica, é o que se parece com a véspera do surgimento da primeira espécie consciente da Terra.

Um ser inconsciente é alguém conduzido compulsivamente por hábitos mentais profundos que a pessoa não vê de verdade e que não pode fazer muito para controlar; então, a pessoa frequentemente se encontra engajada em padrões de comportamento insalubres como vícios, indelicadezas, ganância e neurose – e repetindo os mesmos erros muitas vezes, por razões que ela na verdade não entende.

Um ser humano consciente é aquele que não tem condicionamentos despercebidos que motivem invisivelmente na sua mente subconsciente, porque ele fez o seu trabalho e trouxe os seus demônios interiores à luz da consciência, onde os mesmos podem ser curados. Portanto, ele é capaz de conduzir a sua vida de maneiras deliberadas e no interesse daquilo que é o melhor, ao invés de fazê-lo compulsivamente e de maneiras que espalhe traumas aos demais.

Uma humanidade consciente significaria que esta maneira de funcionar floresce na espécie inteira.

Não parece que isto pode ser o que está ocorrendo? Que todo o caos e a confusão destes tempos estranhos poderiam simplesmente ser as dores do nascimento de uma espécie cujo relacionamento com a consciência está prestes a girar dramaticamente? Estariam as narrativas cada vez mais estridentes das mídias de massa se aproximando rapidamente da saturação do ruído branco? A consciência cada vez mais difundida de que as regras da nossa sociedade são inventadas e que podemos mudá-las quando quisermos? Será o misterioso aumento de incidentes de despertar espiritual que é relatado pelos professores da iluminação? Quão estranho tudo está ficando nestes últimos anos?

Eu penso que é possível. Eu penso que é possível que estamos nos movendo, enquanto uma espécie, na direção de uma adaptação que nos permitirá sobreviver numa situação que é muito diferente daquela da qual nós emergimos no início – como faz, no final das contas, toda espécie se não quiser ser extinta. Se isso for efetivamente o que está ocorrendo, é razoável que esta será uma adaptação que evite que nós nos eliminemos através de um ecocídio ou uma guerra nuclear, e que um movimento coletivo de conscientização é que esta adaptação parecerá ser.

Uma espécie consciente seria capaz de trabalhar em cooperação com o seu ecossistema, ao invés de consumi-lo compulsivamente devido a impulso primitivos de obter e dominar e de impulsos egoístas de ficar rico e ter sempre mais. Uma espécie consciente seria capaz de converter a civilização de modelos baseados na competição em modelos baseados na cooperação – nos quais, ao invés de tentar suplantar os outros para ir adiante, todos nós trabalhemos juntos para assegurar que todos tem o que necessitam para viver. Uma espécie consciente não veria mais sentido em se dividir em nações-estados separados e em competição, que brandem armas do armagedon umas às outras, por medo ou por ganância.

Quanto mais eu aprendo sobre a humanidade e quanto mais eu aprendo sobre mim mesma, mais possível parecer ser um mundo assim. Certamente, o mundo é uma bagunça caótica e angustiante neste momento – assim como é o nascimento de uma criança. Seja quanto as coisas piorem para nós, enquanto estivermos vivos, os nossos problemas não são coisas que não podem ser arrumadas com um movimento coletivo de conscientização.

De qualquer maneira, agora esta é a minha teoria de estimação. E a coisa legal sobre a minha teoria é que, se você também gostar dela, você não tem que esperar que ela se concretize. Você pode começar a se tornar mais consciente por sí agora mesmo e pode liderar o movimento por todos nós. Investigue a sua natureza, cure os seus ferimentos, seja responsável pelas suas ações e comece a trabalhar para persuadir todas as suas partes escurecidas à luz do sol.

E assim, espero, o resto se seguirá. Se as coisas não forem assim, o pior cenário possível será que você se tornará muito mais feliz e mais funcional do que seria de outra maneira, porque você trouxe muito mais consciência para os seus processos interiores e para os seus hábitos de percepção e cognição.

É aí que está a verdadeira aventura, na minha opinião. É aí que as rodas tocam na estrada.

Eu os encontrarei lá.

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