Destruição da floresta amazônica cai 55,8% em 2023, diz relatório

Sucesso em controlar o desmatamento dará aos países amazônicos mais poder para pressionar por financiamento para conservação na cúpula climática COP28 das Nações Unidas

(Foto: REUTERS)


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Reuters - A destruição da floresta amazônica até agora neste ano desacelerou dramaticamente, caindo 55,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, em uma grande reviravolta para a região, considerada vital para conter as mudanças climáticas, de acordo com uma análise fornecida à Reuters.

A análise do programa de monitoramento florestal MAAP da organização sem fins lucrativos Amazon Conservation oferece uma primeira visão do desmatamento de 2023 nos nove países amazônicos. Brasil, Colômbia, Peru e Bolívia apresentaram declínio na perda florestal no período. 

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“Esses dados mostram que ainda há esperança para a Amazônia”, disse Matt Finer, ecologista e diretor do MAAP.

A Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, ajuda a conter o aquecimento global porque suas árvores absorvem enormes quantidades de dióxido de carbono.

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A queda coincide com uma mudança desde o ano passado para governos mais favoráveis à preservação, com presidentes de esquerda no Brasil e na Colômbia.

Os analistas atribuem a maior parte do declínio ao reforço da aplicação da lei ambiental no Brasil -- país que abriga a maior parte da floresta -- sob o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu o cargo em 1º de janeiro. Seu antecessor, Jair Bolsonaro, havia defendido o desmatamento de terras da floresta tropical para mineração, pecuária e outros usos.

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O sucesso em controlar o desmatamento dará aos países amazônicos mais poder para pressionar por financiamento para conservação na próxima cúpula climática COP28 das Nações Unidas, disseram especialistas.

A perda de florestas antigas na Amazônia caiu para 9.117 quilômetros quadrados entre 1º de janeiro e 8 de novembro, uma queda de 55,8% em relação ao mesmo período de 2022, de acordo com o MAAP.

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Essa é uma área aproximadamente do tamanho de Porto Rico, mas ainda o nível mais baixo desde pelo menos 2019, o primeiro ano em que alertas rápidos de desmatamento por satélite mais precisos foram disponibilizados.

Carlos Nobre, cientista de sistemas terrestres da Universidade de São Paulo e cofundador do Painel Científico para a Amazônia, chamou os dados de “notícias maravilhosas”.

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Em 2021, mais de 100 países -- incluindo muitos da Amazônia -- se comprometeram a frear o desmatamento mundial até ao final da década.

Nobre disse que um declínio tão grande em um único ano o deixa otimista de que a Amazônia pelo menos poderá atingir essa meta.

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A análise do MAAP também se baseou em dados da Nasa para estimar que a Amazônia contém mais de 37 bilhões de toneladas métricas de carbono, que seriam liberadas na atmosfera se a floresta fosse destruída. Isso equivale aproximadamente a 2,5 vezes as emissões de gases com efeito de estufa de todas as fontes no nível mundial em 2022, desde centrais elétricas a carvão até automóveis, de acordo com dados da União Europeia.

Essa estimativa é provavelmente baixa, pois há algumas lacunas nos dados, disse Finer.

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Os níveis mais altos de carbono estão no sudoeste da Amazônia, no Peru, e no nordeste, na Guiana, no Suriname e em partes do Brasil e da Venezuela, mostram os dados do MAAP.

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