Onda de calor: 'esse ano foi típico do que pode ser a realidade em 2050', diz Inpe
São mais de 2,7 mil municípios em situação de grande perigo para altas temperaturas

✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
Lucas Weber, da Rádio Brasil de Fato - O calor acima da média, a seca severa e chuva volumosa que atingem o Brasil podem ser uma mostra do que o mundo vai enfrentar nas próximas décadas. País vem enfrentando condições atípicas que, no entanto, se encaixam nas previsões cientificas para o futuro, caso a comunidade global não atue para frear aquecimento do planeta.
O pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), José Marengo, explica que "esse ano pode ser um ano típico do que vai acontecer, por exemplo, em 2050. Uma mostra do que pode acontecer no futuro. E não apenas em termos de aumento de temperatura, mas também sobre enchentes e secas", disse em entrevista ao programa Bem Viver desta terça-feira (14).
Marengo é coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), órgão que integra o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o calor extremo que já atingia o Sudeste e o Centro-Oeste desde o fim de semana deve se ampliar a chegar a partes de todo o país ao longo da semana.
São mais de 2,7 mil municípios em situação de grande perigo para altas temperaturas. Milhares deles também estão em alerta para baixa umidade. O Inmet alerta que, em algumas regiões do país, as temperaturas podem ficar até 5 graus mais altas que a média, com riscos para a saúde.
Para o especialista, a explicação desse cenário passa por uma junção de fatores: "são as peças do quebra-cabeça se juntando".
"Tem de tudo um pouco. Primeiro, nós temos um fenômeno do El Niño. Esse fenômeno normalmente aquece as águas do Pacífico. O nosso problema agora é que basicamente todos os oceanos estão quentes, incluindo o Atlântico, em geral", explica o pesquisador atribuindo ao aquecimento global a intensificação dos fenômenos.
Segundo Marengo, o Brasil não é o único país afetado. "Conversei com colegas do Peru, Paraguai e Argentina e a situação por lá também está crítica. É um fenômeno continental."
Ele lembra, também, que a Europa enfrentou situações atípicas neste ano. "No verão do hemisfério norte também tivemos ondas de calor. Nos países Alemanha, Portugal e Itália tiveram ondas de calor, só que eles não são países tropicais. Ou seja, para eles teve um impacto muito grave".
Enquanto parte do Brasil encara um calor inédito, a região Sul do país volta a se preocupar com as chuvas. Essas condições estão de acordo com as características do El Niño, porém de maneira mais intensa que a esperada.
Outras áreas do Brasil também podem registrar tempestades nos próximos dias, incluindo os locais que estão enfrentando o calorão. Segundo o Inmet, ainda nesta segunda, a chuva pode vir acompanhada de ventos de até 60 quilômetros e granizo em regiões do Rio de Janeiro, como Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e Volta Redonda.
:: Ondas de calor no Brasil foram causadas por interferência humana no clima, revela estudo ::
Marengo teme que, talvez, o pior ainda não tenha passado. "Se as coisas continuarem evoluindo na forma como está, de fato, nós poderemos ter no Sudeste temperaturas mais altas porque o impacto do El Niño no Sudeste não é tanto nas chuvas, mas nas temperaturas".
Fazendo uma previsão mais distante, o professor acredita que o clima está encontrando um novo equilíbrio, o que pode ser muito perigoso para a população.
:: Desespero da seca: indígenas no Amazonas usam a pouca água que têm para apagar incêndios ::
"O clima, agora, é diferente do clima do passado e pode ser diferente do clima do futuro seja um clima mais quente, mais seco, mais chuvoso em em algumas áreas. E isso pode ser perigoso para nós como seres humanos. O planeta continuará existindo, não vai explodir, só nós como espécies poderíamos desaparecer."
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247