Presidente Lula critica gastos com armas em discurso na COP 28, enfatizando prioridade ao combate à fome e à mudança climática
Lula criticou o desperdício de recursos militares que poderiam ser direcionados para questões humanitárias e ambientais em sua fala na conferência climática global
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez seu pronunciamento inaugural na Conferência do Clima da ONU (COP 28), realizada em Dubai, nos Emirados Árabes, nesta sexta-feira (1º). Em seu discurso, Lula enfatizou a necessidade de redirecionar os gastos militares para enfrentar a fome e a crise climática, destacando o impacto dessas questões no Brasil.
Ao abordar a questão dos gastos com armamentos, Lula questionou a destinação de trilhões para este fim, sugerindo que esses recursos poderiam ser mais efetivos no combate à fome e no enfrentamento das mudanças climáticas. Ele ressaltou o impacto das emissões de carbono resultantes dos conflitos armados, enfatizando os efeitos sobre populações inocentes.
O presidente criticou a desigualdade de renda, gênero e raça, apontando que a mudança climática está intrinsecamente ligada a essas disparidades e destacou a responsabilidade conjunta de governantes e países para enfrentar esses desafios globais.
Lula também alertou sobre os impactos climáticos no Brasil, mencionando a seca histórica na Amazônia e os ciclones devastadores na região sul do país. Ele apontou a urgência em agir diante da realidade imediata das mudanças climáticas e criticou a falta de comprometimento efetivo dos líderes mundiais na preservação do planeta.
O presidente também abordou a necessidade de uma economia menos dependente de combustíveis fósseis, alinhando-se com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que destacou a urgência de parar totalmente de queimar esses combustíveis para conter o aumento das temperaturas globais.
Paralelamente à COP 28, o Brasil avalia ingressar na Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+), despertando debates sobre a postura em relação aos combustíveis fósseis. A organização defende o uso moderado desses recursos, mesmo com a confirmação da entrada do Brasil.
A comitiva ministerial brasileira na COP 28 tem focos distintos, incluindo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, para discutir ações de combate à crise climática e transição energética, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para apresentar o Plano de Transformação Ecológica do Brasil, e outros ministros dedicados a temas como povos indígenas e atração de investimentos estrangeiros.
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